Sobre os comentários do romance Casa de Pensão, de Aluísio A...
( ) Amâncio pensa conseguir no Rio de Janeiro, em oposição à vida que levava no Maranhão, a liberdade que nunca teve para, então, realizar suas fantasias de aventuras amorosas e diversão.
( ) Quando Amâncio vai visitar João Coqueiro pela primeira vez, já não apresenta o mesmo aspecto provinciano. Essa modificação se deve ao novo ambiente em que ele está vivendo, a influência dos costumes da Metrópole.
( ) O meio, no qual Amâncio foi criado e as relações mantidas durante sua infância e adolescência são importantes para caracterizá-lo posteriormente. Ele recebeu influências do pai, da mãe, do Professor Pires e da avó.
( ) A transformação do personagem em objeto fica bem clara, quando aparecem as bengalas e chapéus a Amâncio, isto é, quando a moda passa a consumir o novo “ídolo.”
Gabarito comentado
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Alternativa correta: A — V – V – V – V
Tema central da questão: Avaliar a compreensão do romance Casa de Pensão (1884), de Aluísio Azevedo, à luz do Naturalismo: atuação do meio, da hereditariedade e do momento histórico sobre o indivíduo, além da crítica à vida urbana carioca e aos costumes de pensões.
Resumo teórico essencial: No Naturalismo, influenciado por Zola e pela crítica de Taine, a conduta humana é explicada por determinismos (meio, raça e momento). Em Casa de Pensão, o jovem maranhense Amâncio é moldado pela passagem da província à metrópole (Rio), pelo ambiente da pensão e por pressões sociais e econômicas. Fontes de referência: Émile Zola, Le Roman expérimental; Hippolyte Taine (tríade “raça, meio e momento”); Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira; Massaud Moisés, História da Literatura Brasileira.
Justificativa dos itens (V/F):
1) Verdadeiro. Amâncio projeta no Rio de Janeiro a liberdade negada pela vida provinciana do Maranhão, buscando aventuras amorosas e diversão. Isso ativa a crítica naturalista ao desejo de ascensão e aos vícios urbanos.
2) Verdadeiro. Ao visitar João Coqueiro pela primeira vez, Amâncio já exibe traços menos “provincianos”. O meio metropolitano reorienta hábitos, aparência e valores, confirmando a ideia de adaptação ao meio.
3) Verdadeiro. A formação de Amâncio decorre das influências familiares e escolares (pai, mãe, Professor Pires, avó). No Naturalismo, a infância e o convívio condicionam a psicologia e as escolhas futuras.
4) Verdadeiro. A ênfase em bengalas e chapéus marca a objetificação do protagonista: a moda transforma Amâncio em objeto de consumo e imagem do meio urbano, sinal de status e coisificação típica do Naturalismo.
Por que a alternativa A é correta? Porque os quatro enunciados alinham-se aos princípios naturalistas aplicados ao enredo e à caracterização de Amâncio: desejo de liberdade na metrópole, ação determinante do meio, peso das origens e coisificação via códigos de moda.
Análise das alternativas incorretas:
B (V – V – F – V) — Errada: Torna falso o item 3, que é verdadeiro, pois o romance destaca precisamente as influências familiares e do preceptor.
C (V – V – V – F) — Errada: Torna falso o item 4, que é verdadeiro; a simbologia de bengalas e chapéus reforça a objetificação e a adesão às aparências urbanas.
D (F – V – V – V) — Errada: Torna falso o item 1, que é verdadeiro; a busca por liberdade e aventuras no Rio é motor da ação.
Estratégias de prova:
- Associe palavras-chave a determinismo (meio, hereditariedade, momento). Se aparecerem mudanças de hábitos pela metrópole, tende a ser verdadeiro.
- Identifique símbolos de status (chapéu, bengala, moda) como indícios de coisificação e crítica social.
- Verifique se a “formação do personagem” menciona família e preceptor: isso aponta para a base naturalista da construção psicológica.
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gab a
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