Questões de Concurso Sobre gênero épico ou narrativo em literatura

Questões Discursivas

Foram encontradas 56 questões

Q4158800 Literatura
Uma vela para Dario


   Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

   Dois ou trés passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

   Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espumа surgem no canto da boca.

   Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

   A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

    Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.

    Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

   Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.

     Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

     O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete A polícia decide chamar o rabecão.

     A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vé-lo, todo o ar de um defunto.

     Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

     Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

     Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.


(Adaptado de: TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005)
Segundo o escritor e crítico Ricardo Piglia, o conto clássico é aquele que narra em primeiro plano a história 1 e constrói em segredo uma história 2, de modo que as duas se encontrem ao fim. Piglia afirma: "A arte do contista consiste em saber cifrar a história 2 nos interstícios da história 1. Um relato visível esconde um relato secreto, narrado de um modo elíptico e fragmentário".
(Adaptado de: Ricardo Piglia, "Teses sobre o conto", em Formas breves. Trad. de José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. pp. 89-90).

Em conformidade com o texto acima, os dois planos que compõema narrativa de "Uma vela para Dario" estão mais bem definidos em:
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Q4147967 Literatura

A literatura brasileira reúne autores e obras que dialogam com diferentes contextos históricos, sociais e estéticos, contribuindo para a consolidação de distintas formas de representação artística ao longo da formação literária nacional (BOSI, 2020).


Relacione os autores apresentados na Coluna 1 as respectivas obras indicadas na Coluna 2.


COLUNA 1

1.Machado de Assis

2.Graciliano Ramos

3.José de Alencar

4.Clarice Lispector

5.Aluísio Azevedo


COLUNA 2

(__) A Hora da Estrela

(__)Casa de Pensão

(__)Memorial de Aires

(__)Vidas Secas

(__)lracema


Assinale a alternativa correta, "de cima para baixo".  

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Q4135695 Literatura
Mulheres que amam de menos... (Martha Medeiros).

Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.
Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.
Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.
Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.
Eu não escuto a conversa dele na extensão.
Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.
Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita.
Se não for, é porque ele tem mau gosto
Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.
Eu não azucrino a vida dele.
Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?
Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de "amar demais" é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existem são mulheres e homens que têm baixa autoestima, que têm níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.
Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de "amor demais", então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.
Leia as afirmações sobre o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e aponte a alternativa correta.
( ) No capítulo I, Rubião se nos apresenta como um homem bem colocado na vida. Após o flash-back, o narrador deixa bem claro que Rubião não se encaixa muito bem no papel de um capitalista, Cristiano Palha administrará sua riqueza, com o objetivo de tirar proveito dela. O administrador valer-se-á de sua própria esposa, ele a usa como elemento de empatia.
( ) Sofia é uma mulher ambígua. Usa de seu charme para cativar Rubião. Quando percebe que ele está apaixonado, alimenta cada vez mais a paixão, a fim de que ele se renda à necessidade de se aproximar cada vez mais do casal. Isto feito, pode-se dizer que Sofia brinca com os sentimentos de Rubião. Ao mesmo tempo, sente-se lisonjeada com o amor dele, pois é uma mulher vaidosa.
( ) O papel de Sofia neste romance, além de ser o de um chamariz, também revela uma das características machadianas, ou seja, outorgar à mulher o caráter de dissimulada, calculista, verdadeira parasita social: um ornamento, embora ornamento inteligente e capaz, mas ornamento.
( ) A personagem que mais se aproxima de Sofia, no que se refere á argúcia e inteligência é Fernanda. Esta mulher, no entanto, não tem os mesmos defeitos do caráter de Sofia.
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Q4104165 Literatura
Leia as afirmações sobre o romance Ubirajara, de José de Alencar, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa correta.
( ) O herói da estória, chamado Jaguarê, era caçador, destinado a se casar com Jandira. Morava num afluente do Amazonas, o Rio Araguaia.
( ) É costume dos índios acumular nomes, à medida em que somam vitórias. Foi assim que Jaguarê passou a se chamar Ubirajara, passando da condição de caçador à de guerreiro, após uma luta violenta com Pujucã, da tribo inimiga que morava às margens do Rio Tocantins.
( ) Após uma grande luta, o índio Ubirajara é reconhecido como chefe das duas tribos, unindo-se a Araci e Jandira, índias das tribos Araguaia e Tocantins.
( ) São personagens da obra: Ubirajara, (Jaguarê), é o protagonista e herói do romance; Araci: (filha do chefe Itaquê, casa-se com Ubirajara); Pojucã, (irmão de Araci); Jandira: (bela índia araguaia, é prometida a Ubirajara); Itaquê: (líder dos Tocantins e pai de Araci e Pojucã). 
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Q4089594 Literatura
De acuerdo con “Don Quijote de la Mancha”, es correcto afirmar que Sancho
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Q4089593 Literatura
De acuerdo con “La Celestina”, es correcto afirmar que Melibea
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Q4202249 Literatura

Leia o texto a seguir para responder à questão.



A proeza do caçador contra o curupira


    Lá no coração da floresta amazônica, os velhos do povo Tukano contam a história de um caçador que saiu para caçar porque sua família estava com muita fome e não tinha nada para comer.


    O caçador saiu bem cedinho e andou o dia inteiro e só havia matado um único macaco. Mas era tão pequeno que não seria suficiente para alimentar sua família.


    O dia foi passando bem rapidinho e quando o caçador se deu conta já estava anoitecendo. Ele ficou aflito, pois sabia que passar a noite na mata é sempre muito perigoso. Além dos animais noturnos, há os espíritos da floresta que habitam o lugar. Ficou especialmente com medo do espírito protetor dos animais: o curupira.


    Ele já havia ouvido falar demais desse espírito que, segundo os velhos, enlouquecem os caçadores desavisados que teimam pernoitar no mato.


    A noite já havia caído por completo e nada mais ele podia fazer para encontrar o caminho de volta. De repente ouve um farfalhar de folhas secas e uma batida: tum, tum, tum. Era a bati da do curupira. Na aldeia diziam que ele fazia isso para verificar quais as árvores estariam abaladas pelo vento ou pela idade já que seu trabalho é zelar pela segurança de toda a natureza.


    O som da batida estava bem próximo do caçador. Um vulto se aproximou da árvore em que ele estava e sentou-se na raiz. Como estava muito escuro o curupira não conseguia vê-lo nem mesmo usando sua vasta cabeleira cor de fogo.


(Daniel Munduruku. Contos Indígenas Brasileiros, 2021. Adaptado)

De acordo com Dolz, Noverraz e Schneuwly (Gêneros orais e escritos na escola, 2004), o gênero textual a que pertence o texto de Daniel Munduruku circula no domínio social de comunicação da cultura literária ficcional, estando a sua capacidade de linguagem dominante relacionada a
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português Espanhol |
Q4146728 Literatura
Para que ninguém a quisesse


Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.


COLASANTI, M. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.
Para uma aula de leitura literária no 9º ano do Ensino Fundamental, a professora leu com os estudantes esse conto de Marina Colasanti. Partindo da relação entre literatura e sociedade, qual metodologia se mostra adequada para refletir sobre as questões em torno do papel da mulher retratado no texto?
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Q4110288 Literatura
Sobre la obra Don Quijote de la Mancha señala la alternativa correcta. 
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Q3046996 Literatura
Julgue o item que se segue.

Os elementos fundamentais da narração — enredo, personagens, tempo e espaço — são não apenas elementos estruturais, mas também dispositivos flexíveis e dinâmicos que podem ser manipulados de forma criativa para explorar temas complexos, provocar reflexão e transmitir significados mais profundos ao leitor ou espectador.
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Q3034709 Literatura
“O Espelho” de Machado de Assis é um exemplo notável da habilidade do autor em explorar a complexidade da psicologia humana e da identidade. A história gira em torno de um homem que é nomeado alferes e, como resultado, experimenta uma transformação psicológica notável. O conto explora o impacto das expectativas sociais e das designações de status sobre a psique humana. Assinale a alternativa de como se inicia o conto supracitado? 
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Q2595061 Literatura
O romance Essa terra, de Antônio Torres, publicado pela primeira em 1976, narra o conflito entre as expectativas boas quanto ao progresso, sem desconsiderar o modo como o progresso é imposto, muitas vezes por violência. No romance de Antônio Torres, o desfecho da trajetória de Nelo, personagem que voltou para a terra natal, no meio rural, depois de viver por vinte anos em São Paulo, leva a uma série de indagações sobre os processos sociais, notadamente, mediante as relações que envolvem o progresso e a migração do campo para a cidade, que tanto dizem respeito à formação brasileira. Mediante o exposto, a discussão do romance Essa terra muito bem responderia ao princípio VI do artigo 3o do Capítulo II da Resolução Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno nº 1/2021, que diz sobre a “indissociabilidade entre educação e prática social, bem como entre saberes e fazeres no processo de ensino e aprendizagem, considerando-se a historicidade do conhecimento”, porque leva o alunado a
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Q2595059 Literatura
A lista da produção romanesca é bem extensa, inclui romance policial, histórico, de terror, de ficção científica, de formação, de aventura, de fantasia, dentre mais casos. No entanto, não se deve a isso a compreensão de que o romance é gênero que produz uma variedade de obras, assim como não se compreende que tal variação dependa exclusivamente de haver diferentes romancistas. A variedade de obras do romance principalmente decorre de ser um gênero
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Q2595058 Literatura
Na prática recorrente do ensino de escrita, é comum a orientação de gêneros textuais argumentativos e narrativos, contudo, não é prevista orientação de produção do poema. Isso se deve à concepção de senso comum de que o poema
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Q2595057 Literatura
Em termos gerais, é comum circular a compreensão de que o romance é uma narrativa extensa e que, por isso, exige longo tempo de leitura, logo, demanda muita atenção. Devido a isso, no ensino escolar, é frequente
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Q2571675 Literatura
Com o início de mais um ano civil, o mês de janeiro brindou-nos com um novo ciclo de efemérides que assinalam a genialidade de algumas figuras ilustres da literatura portuguesa, tão ligada também à nossa história: a comemoração dos 500 anos do nascimento do maior poeta português de todos os tempos… Luís Vaz de Camões. No âmbito do 5º centenário do nascimento daquele que se celebrizou como o “Príncipe dos poetas de seu tempo…”. Viveu pobre e, miseravelmente, assim morreu, é necessário se comemorar esse poeta.
(Disponível em: https://aeaveromar.pt/ Em: janeiro de 2024.)
Ninguém pode definir ou determinar com exatidão a data de nascimento de Luís Vaz de Camões, mas várias fontes sugerem que o poeta veio ao mundo a 23 de janeiro de 1524, há precisamente meio milênio. Hoje, ele é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa e, ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial, conhecido, principalmente, por sua obra épica:
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Q2555059 Literatura
Em relação ao gênero narrativo, avalie a relação entre os romances e autores, assinalando a alternativa cuja correspondência está INCORRETA. 
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Q2446892 Literatura

Julgue o item que se segue. 


O gênero narrativo consiste na apresentação de traços ou características de uma pessoa, objeto, ambiente, cena etc. Os textos mais comuns desse gênero são os perfis jornalísticos de alguma celebridade ou instituição.

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Q4177968 Literatura

    Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.



    - "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...


RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.



Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.


I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.


II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.


III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.


IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.



verifica-se que está/ão correta/s apenas

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Q4163581 Literatura
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Ainda sobre o conto lido e os elementos da narrativa, está CORRETA a seguinte alternativa:
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: A
4: B
5: A
6: C
7: B
8: B
9: A
10: C
11: A
12: B
13: D
14: C
15: B
16: C
17: D
18: E
19: A
20: E