Questões de Concurso Sobre gênero épico ou narrativo em literatura

Foram encontradas 91 questões

Q4364978 Literatura
Leia o texto abaixo para responder à questão a seguir.

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Fonte: LÓPEZ, Francesc.(adaptação). João e Maria. São Paulo: Editora Siciliano, 1993.

No final dessa história, João e Maria: 
Alternativas
Q4348168 Literatura
Na pesquisa e no ensino de História, a utilização de obras literárias como fontes históricas pressupõe uma abordagem interdisciplinar, na qual os textos são analisados em seus contextos de produção e confrontados com outras fontes, permitindo compreender representações, valores e conflitos sociais.

Considerando as possibilidades de utilização da literatura como fonte para a pesquisa histórica e para o ensino de História, as afirmativas a seguir estão corretas, EXCETO uma delas. Assinale-a. 
Alternativas
Q4342415 Literatura
En una clase de literatura de la enseñanza fundamental, el profesor retoma la organización interna del enredo de un cuento leído por el grupo y recuerda que sus partes se encadenan según una progresión definida. Considere las partes del enredo listadas a continuación:
(1)Punto de mayor tensión, en el que el conflicto alcanza su momento decisivo.
(2)Presentación de los personajes, del espacio y de la situación inicial de la historia.
(3)Solución del conflicto y cierre de la situación narrada.
(4)Surgimiento del conflicto que rompe el equilibrio inicial y mueve la acción.
Señale la alternativa que presenta el orden en que esas partes estructuran la progresión del conflicto: 
Alternativas
Q4339107 Literatura
O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.

TEXTO I

    Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
    Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
    Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado — que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia:
    — Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver...
    Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
    De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
     — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
     — Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
     — E seu irmão Dito é o dono daqui?
    — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
    — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
    Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
    — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
    — É Mãe, e os meninos...
    Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
    O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo:
   — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?
    Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
    — Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...
    E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
    — Olha, agora!
    Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu:
    — Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
  — Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. [...]
    Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
    — Pra onde ele foi?
    — A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva... O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
    Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
     — Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram...
    E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha, para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava pra ele.
    — Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É muito longe?
   — Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
    — Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu tudo?!
   — Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto amor... [...] O doutor chegou. 
    — Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
     — Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas, então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão e gritava:
   — Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
    — Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam. O doutor limpou a goela, disse:
    — Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus olhos se enchem d´água...
     Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.

ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
Uma importância fulcral da obra literária em sala de aula é a observação de modelos sociais às vezes compatíveis com a realidade dos alunos a fim de despertar nestes a curiosidade linguística e criativa para a importância da leitura nas suas vidas. Sobre isso, pode-se constatar que a obra Campo Geral, de Guimarães Rosa, serve como exemplo de um certo contexto ao evidenciar:
Alternativas
Q4337362 Literatura
For a literary unit, a teacher selects a Nigerian short story in English, a Jamaican poem, and a Canadian graphic narrative. The objective is to broaden students' literary repertoire while preventing the works from being treated as transparent summaries of entire national cultures.

Which procedure is pedagogically CORRECT?
Alternativas
Q4319900 Literatura
A sopa 


    Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido.

    Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.

    – Aonde é que vai?

    O filho abriu a torneira do banheiro:

    – Fazer a barba.

    – Hora da janta. Vem comer.

    Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai.

    – Não quero jantar. Sem fome.

    O homem suspendeu a colher:

    – Não quer jantar, mas vem para a mesa.

    Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo.

    – Vou dar uma volta.

    O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.

    – Saiu agora do quarto, filho de barão! Mas eu... Quando me deitar de dia na cama! É para morrer!

    A mão do filho abandonou o garfo e não se mexeu.

    – Volta cedo, não é?

    A voz cansada da mãe, ainda de costas para a mesa. Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho? O homem esvaziou o prato e, descansando a colher, examinou as mãos enrugadas.

    – Estas mãos – sacudidas de ligeiro tremor – de um velho!

    A mulher apanhou o prato, encheu-o até a beirada. O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:

    – Você não come?

    O filho contornava com o garfo as pétalas na toalha.

    – Não estou com vontade.

    – Depois o senhor vai para o quarto.

    Cheirava a colher e sorvia a sopa, estalando a língua. O filho ergueu-se da mesa.

    – O senhor fica sentado. Não tem pão nesta casa?

    A mulher trouxe o pão. Ele não o cortava: agarrava-o inteiro na mão e mordia várias vezes; em seguida partia-o em pedaços, alinhados diante do prato, atacando um por um, entre as colheradas.

    – Volta cedo, não é, meu filho?

    De novo a mãe, nunca aprenderia.

    – Agora não vou mais. O pai dizia a última palavra:

    – Uma vergonha! O chefe tem de jantar sozinho. O filho preguiçoso... até para comer. A mulher – com seus brados retiniam os talheres – tem o estômago delicado.

    Não se mexeu, curvada sobre o fogão.

    – Olhe para mim quando falo com a senhora!

    Ela se virou, a enxugar as mãos na saia.

    – Depois de velha, melindrosa. Não pode comer com o rei da casa, que lhe sustenta o filho e lhe dá o dinheiro?

    – Sabe por que não sento.

    Os dois a olharam com espanto, nunca discutiu as ordens do marido.

    – Sei não, dona princesa. Pois me conte.

    Ele pedia, a colher no ar:

    – Perdeu a coragem, que não fala?

    Outra vez a mulher deu-lhe as costas.

    – Só nojo de você.

    Ele começou a soprar, manchava de borrifos a toalha.

    – O quê? O quê? Repita, mulher.

    A dona abriu o fogão, espertou as brasas, encheu-o de lenha:

    – Nada espero da vida. Mas não posso te ver comer. Sei que é triste para a mulher ter nojo do marido. Você chupa a colher se fosse tua última sopa. Come o pão como se eu fosse te roubar. Não sei o que fiz a Deus para esse castigo mais desgraçado. Fui boa mulher, ainda que tenha nojo. Lavo tua roupa, deito na tua cama, cozinho tua sopa. Faço isso até morrer. Me peça o que quiser. Não que me sente a essa mesa com você e tua sopa.

    O filho abandonou a cozinha e desceu a escada. Os dois ouviram bater a porta da rua.

    O marido encarou primeira vez a mulher. Baixou os olhos, cabelos de gordura boiavam no caldo frio. Erguendo um lado do prato, acabou o resto de sopa e lambeu a colher.


(TREVISAN, D. Novelas Nada Exemplares. Rio de Janeiro: Record, 2020. Adaptado)
O desfecho do conto apresenta uma mudança sutil no comportamento do marido após o contundente desabafo da esposa. A análise do trecho final permite concluir que a ação de “erguer um lado do prato, acabar o resto de sopa e lamber a colher” (47º§) simboliza:
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Q4309145 Literatura
Para a teoria literária, a tripartição dos gêneros estabelecida pelos gregos em lírico, épico e dramático é central. “Ela obedece à presença de dois fatores essenciais: a maneira usada para a imitação (ou representação da realidade), o objeto dessa imitação ou a face que daquela realidade foi escolhida para a transfiguração artística.” (COELHO, N. N. Literatura & Linguagem. 5. ed. São Paulo: Edições Quíron, 1980, p. 36). Em relação a esse tópico, partindo das maneiras de imitação, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente.
(1) Poema lírico. (2) Epopeia. (3) Tragédia. (4) Comédia.
( ) O mundo do materialismo grosseiro, em que agem homens inferiores, medíocres ou tolos, é mostrado por meio de poesia representada.
( ) A consciência do poeta quanto ao seu mundo interior é revelada por meio de poesia cantada.
( ) Os grandes conflitos da condição humana vividos por homens superiores são mostrados por meio de poesia representada.
( ) Fatos ou acontecimentos grandiosos do mundo das realizações humanas são narrados por um poeta observador.
( ) Seus heróis são compelidos pela fatalidade.
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Q4303423 Literatura
Leia as afirmações sobre o Conto de Escola, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e determine a alternativa propícia.

( ) No Conto de Escola há uma oposição entre um mundo de corrupção e deslealdade e outro, puro e natural. A criança está justamente colocada entre os dois.
( ) Desde o início do conto, a escola se opõe aos espaços abertos e livres: o Morro de São Diogo e o Campo de Sant’ana.
( ) A escola é o lugar onde os pais obrigam o menino a ir para que se transforme numa pessoa capaz de ganhar dinheiro e onde há um mestre severo e distante, pronto a puni-lo quando não realizar as tarefas.
( ) À sensação de opressão sentida na escola opõe-se a sensação de liberdade adivinhada, (já no meio do conto), além da vidraça da sala de aula, “no claro azul do céu”, no papagaio de papel solto no ar. No final do conto, a escola silenciosa, associada depois dos últimos acontecimentos à delação e à corrupção, se opõe à rua, com o som dos tambores.
Alternativas
Q4303008 Literatura
Em O Seminarista, de Bernardo Guimarães, leia as afirmações, indique se elas são (F) falsas ou (V) verdadeiras e identifique a alternativa propícia.

( ) A fazenda do Capitão Antunes ficava próximo à antiga Vila de Tamanduá.
( ) O seminário onde Eugênio foi estudar ficava em São Paulo.
( ) O Padre Eugênio vai dizer sua primeira missa na Vila de Tamanduá.
( ) No capítulo IV, o narrador, ao descrever a Capela do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, refere-se às estátuas de um famoso escultor que viveu no século XVII: Aleijadinho, (Antônio Francisco Lisboa).
Alternativas
Q4302683 Literatura

Leia o texto abaixo para a questão:


        “[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo. 

        E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

        — Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

        Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo. 

        Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

        Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

        […] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

        — A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem. 

        Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

        […]

        Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]


(Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

O fragmento textual apresentado caracteriza-se como parte de uma obra da literatura regional amazônica, porque
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Q4299391 Literatura
Um instrutor de leitura prepara uma sessão de contação de histórias em praça pública, para público intergeracional reunido pela primeira vez, com ruído externo e pessoas que chegam e saem durante a atividade. A preparação mais consistente é:
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Q4277223 Literatura
Leia com atenção o miniconto A função da arte 1:

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

— Me ajuda a olhar!

(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: Editora L&PM, 2021, p.15)

A partir da leitura do texto, considerando o título atribuído pelo autor e sua intencionalidade, é correto afirmar que a narrativa:
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Q4261615 Literatura

Leia com atenção o trecho abaixo:


Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto-autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)


No fragmento acima, a construção da voz que relata a história introduz uma instigante variação no que diz respeito aos tipos de narrador.


 Assinale a alternativa correta com base no trecho e na teoria do foco narrativo.


Alternativas
Q4244644 Literatura
Uma professora decide trabalhar em aula um conto cujo narrador é não confiável, isto é, cujo relato, por algum motivo, não merece total crédito do leitor.

Ao elaborar seu plano de aula, ela registra a seguinte hipótese: "Os alunos podem tomar a versão do narrador como verdadeira e perder o efeito literário". Em seguida, anota duas perguntas para fazer caso isso aconteça.

A ação da professora evidencia a prática de
Alternativas
Q4242079 Literatura
Leia as afirmações sobre o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa correta.
( ) Com relação a Dona Tonica e Maria Benedita, ambas eram prometidas para Rubião.
( ) Dona Tonica é uma personagem sem brilho, suas características eram ser uma mulher madura, solteirona, feia, tímida, seu único objetivo é o casamento.
( ) Maria Benedita é uma personagem igualmente sem brilho, é uma jovem ignorante, feia, menos tímida, não pensa em casamento, seu objetivo é morrer solteira.
( ) Elemento diferenciador destas duas personagens, (Dona Tonica e Maria Benedita), é a resignação da primeira e a ambição da segunda. 
Alternativas
Q4222184 Literatura
Leia as afirmações sobre o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa correta.
( ) Pode-se dizer que, num nível simbólico, Rubião se parece muito com o cão: ambos são rejeitados, ambos são desiludidos, ambos são solitários, ambos são maltratados.
( ) Os momentos altos de ação que aparecem no romance são aqueles em que Rubião se imagina o Imperador Napoleão. Na loucura Rubião realiza o que nunca pôde fazer enquanto lúcido. Pode-se perceber Humanitas nestas passagens de Rubião/Napoleão: Rubião, enquanto Napoleão, é o vencedor, usufrui imaginariamente das batatas.
( ) Rubião: o filósofo que cria o Humanitismo, uma filosofia que considera a dor uma ilusão. Quincas Borba: O protagonista da obra, amigo de Rubião e herdeiro de sua fortuna.
( ) Cristiano Palha: Um capitalista ambicioso e oportunista que conhece Rubião em uma viagem de trem. Sofia: A esposa de Cristiano Palha, uma mulher ambiciosa e vaidosa que seduz Rubião. 
Alternativas
Q4221262 Literatura
Sobre a obra O Pequeno Príncipe, amplamente utilizada em contextos educativos por abordar valores humanos, relações interpessoais e reflexões sobre a infância, assinale a alternativa CORRETА.
Alternativas
Q4176300 Literatura
A estrutura da narração é dividida em quatro partes. Uma delas é:
Alternativas
Q4159108 Literatura
Leia o texto abaixo para responder à questão.


17 de julho


    Domingo. Um dia maravilhoso. O céu azul sem nuvem. O Sol está tepido. Deixei o leito as 6,30. Fui buscar agua. Fiz café. Tendo só um pedaço de pão e 3 cruzeiros. Dei um pedaço a cada um, puis feijão no fogo que ganhei ontem do Centro Espirita da Rua Vergueiro 103. Fui lavar minhas roupas. Quando retornei do rio o feijão estava cosido. Os filhos pediram pão. Dei os 3 cruzeiros ao João José para ir comprar pão. Hoje é a Nair Mathias quem começou impricar com os meus filhos. A Silvia e o esposo já iniciaram o espetaculo ao ar livre. Ele está lhe espancando. E eu estou revoltada com o que as crianças presenciam. Ouvem palavras de baixo calão. Oh! se eu pudesse mudar daqui para um nucleo mais decente.

    Fui na D. Florela pedir um dente de alho. E fui na D. Analia. E recebi o que esperava:

    — Não tenho!

    Fui torcer as minhas roupas. A D. Aparecida perguntou-me:

    — A senhora está gravida?

    — Não senhora — respondi gentilmente.

    E lhe chinguei interiormente. Se estou gravida não é de sua conta. Tenho pavor destas mulheres da favela. Tudo quer saber! A lingua delas é como os pés de galinha. Tudo espalha. Está circulando rumor que eu estou gravida! E eu, não sabia!

   Saí a noite, e fui catar papel. Quando eu passava perto do campo do São Paulo, varias pessoas saiam do campo. Todas brancas, só um preto. E o preto começou insultar-me:

    — Vai catar papel, minha tia? Olha o buraco, minha tia.

   Eu estava indisposta. Com vontade de deitar. Mas, prossegui. Encontrei varias pessoas amigas e parava para falar. Quando eu subia a Avenida Tiradentes encontrei umas senhoras. Uma perguntou-me:

    — Sarou as pernas?

    Depois que operei, fiquei boa, graças a Deus. E até pude dançar no Carnaval, com minha fantasia de penas. Quem operou-me foi o Dr. José Torres Netto. Bom médico. E falamos de politicos. Quando uma senhora perguntou-me o que acho do Carlos Lacerda, respondi concientemente:

   — Muito inteligente. Mas não tem iducação. É um politico de cortiço. Que gosta de intriga. Um agitador.

    Uma senhora disse que foi pena! A bala que pegou o major podia acertar no Carlos Lacerda.

    — Mas o seu dia… chegará — comentou outra.

   Varias pessoas afluiram-se. Eu, era o alvo das atenções. Fiquei apreensiva, porque eu estava catando papel, andrajosa (…) Depois, não mais quiz falar com ninguem, porque precisava catar papel. Precisava de dinheiro. Eu não tinha dinheiro em casa para comprar pão. Trabalhei até as 11,30. Quando cheguei em casa era 24 horas. Esquentei comida, dei para a Vera Eunice, jantei e deitei-me. Quando despertei, os raios solares penetrava pelas frestas do barracão.


Jesus, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo, 1960. Adaptado. 
Com base no trecho retirado da obra “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, analise as proposições abaixo.

I. A autora utiliza gírias e expressões regionais para ambientar melhor o contexto em que se passa a história.
II. A autora narra sua luta contra a fome, as dificuldades enfrentadas diariamente e a marginalização social sob uma perspectiva intensa, profunda e autobiográfica.
III. A obra preserva a escrita original da autora, com erros ortográficos e marcas de oralidade, conferindo autenticidade à narrativa.

Está correto o que se apresenta em:
Alternativas
Q4147967 Literatura

A literatura brasileira reúne autores e obras que dialogam com diferentes contextos históricos, sociais e estéticos, contribuindo para a consolidação de distintas formas de representação artística ao longo da formação literária nacional (BOSI, 2020).


Relacione os autores apresentados na Coluna 1 as respectivas obras indicadas na Coluna 2.


COLUNA 1

1.Machado de Assis

2.Graciliano Ramos

3.José de Alencar

4.Clarice Lispector

5.Aluísio Azevedo


COLUNA 2

(__) A Hora da Estrela

(__)Casa de Pensão

(__)Memorial de Aires

(__)Vidas Secas

(__)lracema


Assinale a alternativa correta, "de cima para baixo".  

Alternativas
Respostas
1: B
2: E
3: A
4: A
5: A
6: C
7: D
8: C
9: B
10: B
11: B
12: D
13: E
14: B
15: B
16: A
17: C
18: D
19: C
20: D