Questões de Concurso
Sobre gênero épico ou narrativo em literatura
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Os Ainu, embora tenham sido os primeiros habitantes de Hokkaido, foram oprimidos e marginalizados pelo domínio japonês durante séculos. Tiveram uma história difícil. Alguns acadêmicos acreditam que sejam descendentes de uma população indígena que se espalhou pelo norte da Ásia. Recentemente, as coisas começaram a melhorar para os Ainu. Em abril de 2019, eles foram legalmente reconhecidos pelo governo como um povo indígena do Japão, após muitos anos de debate.
BBC. Ainu, o povo indígena do Japão que vivia com ursos. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/. Acesso em: 9 jun. 2024 (adaptado).
TEXTO 2
Cultura, humor e violência. É neste entrelaçamento que o anime Golden Kamuy traz referências históricas e consegue mesclar fatos com ficção. O campo ético dos homens é ameaçado por catástrofes naturais amenizadas pela sabedoria da guerreira Ainu, que ensina métodos de sobrevivência na selva. Na trama, o povo Ainu está em busca de 75 quilos de ouro, que representam 800 milhões de ienes, ouro este que os Ainus estavam juntando para formar um exército com o objetivo de lutar contra os japoneses que haviam tomado suas terras.
BARRO, B. Análise – Golden Kamuy. Disponível em: https://artejaponesaunifesp.medium.com/. Acesso em: 9 jun. 2024 (adaptado).
Uma professora de Língua Portuguesa de uma turma do Ensino Médio pretende elaborar uma proposta didática que relacione a literatura brasileira com a história do povo indígena japonês chamado Ainu (apresentada no Texto 1) e com o anime Golden Kamuy (resenhado no Texto 2), que tem como referência essa tribo pouco conhecida. Seu objetivo é que os alunos adaptem o anime com base em uma obra literária brasileira que guarde semelhanças com o confronto travado entre os japoneses e o povo Ainu.
Para alcançar seu objetivo, a professora deve propor a atividade de adaptação do anime tomando como base
Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de prantos balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva... Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, por que eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?
[...]
E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas as nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?
EVARISTO, C. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas. Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Nessa situação, para promover uma discussão com a turma, é adequado o professor explicar aos alunos que a narrativa apresentada pelo texto
Os elementos fundamentais da narração — enredo, personagens, tempo e espaço — são não apenas elementos estruturais, mas também dispositivos flexíveis e dinâmicos que podem ser manipulados de forma criativa para explorar temas complexos, provocar reflexão e transmitir significados mais profundos ao leitor ou espectador.
(Disponível em: https://aeaveromar.pt/ Em: janeiro de 2024.)
Ninguém pode definir ou determinar com exatidão a data de nascimento de Luís Vaz de Camões, mas várias fontes sugerem que o poeta veio ao mundo a 23 de janeiro de 1524, há precisamente meio milênio. Hoje, ele é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa e, ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial, conhecido, principalmente, por sua obra épica:
Julgue o item que se segue.
O gênero narrativo consiste na apresentação de traços ou
características de uma pessoa, objeto, ambiente, cena
etc. Os textos mais comuns desse gênero são os perfis
jornalísticos de alguma celebridade ou instituição.
Lá se tinha ficado o Josias, na sua cova à beira da estrada, com uma cruz de dois paus amarrados, feita pelo pai.
Ficou em paz. Não tinha mais que chorar de fome, estrada afora. Não tinha mais alguns anos de miséria à frente da vida, para cair depois no mesmo buraco, à sombra da mesma cruz.
Cordulina, no entanto, queria-o vivo. Embora sofrendo, mas em pé, andando junto dela, chorando de fome, brigando com os outros...
E quando reencetou a marcha pela estrada infindável, chamejante e vermelha, não cessava de passar pelos olhos a mão trêmula:
– Pobre do meu bichinho!
QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971, p. 71.
No que tange à obra, à estética a que pertence o texto apresentado e às relações com a literatura brasileira, julgue (C ou E) o item a seguir.
Texto para a questão.

Assinale a alternativa que apresenta o sinal para um tipo de texto predominantemente narrativo, quase sempre breve em prosa, com personagens sem muita complexidade e história de caráter ético e moral.
Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
- "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
...eu o vi de repente e era um homem tão extraordinariamente bonito e viril que eu sentia uma alegria de criação. Não é que eu o quisesse para mim assim como não quero a Lua nas suas noites em que ela se torna leve e frígida como uma pérola. Assim como não quero para mim um menino de nove anos que vi, com cabelos de arcanjo, correndo atrás da bola. Eu queria em tudo somente olhar. O homem olhou um instante para mim e sorriu calmo: ele sabia quanto era belo, e sei que ele sabia que eu não o queria para mim, e ele sorriu porque não sentiu nenhuma ameaça. (Os seres excepcionais estão mais sujeitos a perigos do que o comum das pessoas.) Atravessei a rua e apanhei um táxi. A brisa me arrepiava os cabelos da nuca e era outono, mas parecia prenunciar uma nova primavera como se o verão estafante merecesse a frescura do nascimento de flores. Era no entanto outono e as folhas amarelavam nas amendoeiras. Eu estava tão feliz que me encolhi num canto do táxi de medo pois a felicidade também dói. E tudo isso causado pela visão de um homem bonito. Eu continuava a não querê-lo para mim, mas ele de algum modo me dera muito com o seu sorriso de camaradagem entre pessoas que se entendem. A essa altura, perto do viaduto do Museu de Arte Moderna, eu já não me sentia feliz, e o outono me pareceu uma ameaça dirigida contra mim. Tive então vontade de chorar de manso.
LISPECTOR, Clarice. Rio de Janeiro: Rocco, 2018. p. 286
Quanto ao gênero, o texto narrativo encerra um(a)
Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.

(Disponível em: CAMARGO, Diones. A mulher arrastada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. – texto adaptado especialmente para esta prova).
(_) São 21 estórias que dão a impressão de homogeneidade perfeita, mas que são diversas na abordagem dos assuntos.
(_) A maioria dos contos desenrola-se numa região não especificada, mas identificável como a das obras anteriores do autor: o mundo da sua infância e da sua mocidade.
(_) O autor cria suspense e produz a expectativa de catástrofes; essa expectativa, porém, não é satisfeita frequentemente: as estórias acabam sem explosão, os conflitos esvaziam-se em resignação ou apaziguamento, causando frustração no leitor.