Questões de Concurso Comentadas sobre estilística em literatura

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Q3567661 Literatura

Leia o texto para responder à questão.


É São Paulo construída sobre sete colinas, à feição tradicional de Roma, a cidade cesárea, “capita” da Latinidade de que provimos; e beija-lhe os pés a grácil e inquieta linfa do Tietê. As águas são magníficas, os ares tão amenos quanto os de Aquisgrana ou de Anverres, e a área tão a eles igual em salubridade e abundância, que bem se poderá afirmar, ao modo fino dos cronistas, que de três AAA se gera espontaneamente a fauna urbana.


Cidade é belíssima, e grato o seu convívio. Toda cortada de ruas habilmente estreitas e tomadas por estátuas e lampiões graciosíssimos e de rara escultura; tudo diminuindo com astúcia o espaço de forma tal, que nessas artérias não cabe a população. Assim se obtém o efeito dum grande acúmulo de gentes, cuja estimativa pode ser aumentada à vontade, o que é propício às eleições que são invenção dos inimitáveis mineiros; ao mesmo tempo que os edis dispõem de largo assunto com que ganhem dias honrados e a admiração de todos, com surtos de eloquência do mais puro estilo e sublimado lavor.


(Mário de Andrade, Macunaíma. Em: Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015)

Com base em Alfredo Bosi (2015), na passagem transcrita de Macunaíma, identifica-se o estilo de narrar de 
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Q3539685 Literatura
Falando-se sobre versificação, leia os itens e assinale a alternativa correta.
I- “Eu venho da minha terra / da casa branca da serra / e do luar do sertão; / venho da minha Maria / cujo nome principia / na palma da minha mão.” Guilherme de Almeida. (Rima pobre).
II- “Não sei se amei o que era em mim desejo / de me ver no outro refletido / sei que amei sempre amei e vejo / que de amar tenho hoje o coração endurecido.” Carlos Felipe Moisés. (Rima rica).
III- “Eu que era branca e linda, eis-me medonha e escura / inspiro horror...Ó tu que espias urdidura / da minha teia, atenta ao que o meu palpo fia”. Manuel Bandeira. (Rima rara).
IV- “Oh vem, de branco – do imo da folhagem! / Os ramos, leve, a tua mão aparte / Oh vem! Meus olhos querem desposar-te / refletir-se virgem a serena imagem.” Camilo Pessanha. (Rima preciosa).
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Q3534517 Literatura
    Eu prefiro começar com a consideração de um efeito. Mantendo sempre a originalidade em vista, pois é falso a si mesmo quem se arrisca a dispensar uma fonte de interesse tão evidente e tão facilmente alcançável, digo-me, em primeiro lugar: “Dentre os inúmeros efeitos, ou impressões a que são suscetíveis o coração, a inteligência ou, mais geralmente, a alma, qual irei eu, na ocasião atual escolher?”. Tendo escolhido primeiro um assunto novelesco e depois um efeito vivo, considero se seria melhor trabalhar com os incidentes ou com o tom — com os incidentes habituais e o tom especial ou com o contrário, ou com a especialidade tanto dos incidentes, quanto do tom — depois de procurar em torno de mim (ou melhor, dentro) aquelas combinações de tom e acontecimento que melhor me auxiliem na construção do efeito.

  Muitas vezes pensei quão interessantemente podia ser escrita uma revista, por um autor que quisesse, isto é, que pudesse, pormenorizar, passo a passo, os processos pelos quais qualquer uma de suas composições atingia seu ponto de acabamento. Por que uma publicação assim nunca foi dada ao mundo é coisa que eu não sei explicar, mas talvez a vaidade dos autores tenha mais responsabilidade por essa omissão do que qualquer outra causa. Muitos escritores, especialmente os poetas, preferem ter por entendido que compõem por meio de urna espécie de sutil frenesi, de intuição estática; e positivamente estremeceriam ante a ideia de deixar o público dar uma olhadela, por trás dos bastidores, para as rudezas vacilantes e trabalhosas do pensamento, para os verdadeiros propósitos só alcançados no último instante, para os inúmeros relances de ideias que não chegam à maturidade da visão completa, para as imaginações plenamente amadurecidas e repelidas em desespero como inaproveitáveis, para as cautelosas seleções e rejeições, as dolorosas emendas e interpolações; numa palavra, para as rodas e rodinhas, os apetrechos de mudança no cenário, as escadinhas e os alçapões do palco, as penas de galo, a tinta vermelha e os disfarces postiços que, em noventa e nove por cento dos casos, constituem a característica do histrião literário.

    Bem sei, de outra parte, que de modo algum é comum o caso em que um autor esteja absolutamente em condições de reconstituir os passos pelos quais suas conclusões foram atingidas. As sugestões, em geral tendo-se erguido em tumulto, são seguidas e esquecidas de maneira semelhante.

  Quanto a mim, nem simpatizo com a repugnância acima aludida nem em qualquer tempo, tive a menor dificuldade em relembrar os passos progressivos de qualquer de minhas composições; e, desde que o interesse de uma análise, ou reconstrução, tal como a que tenho considerado um desiderato, é inteiramente independente de qualquer interesse real ou imaginário na coisa analisada, não se deve encarar como falta de decoro de minha parte, mostrar o modus operandi pelo qual uma de minhas próprias obras se completou.


(Edgar Allan Poe – adaptado.)
A visão literária ousada e inovadora, sob a ótica do autor, está demarcada em várias passagens do texto. Qual a alternativa que está em desacordo com essa visão inovadora?
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Q3528440 Literatura
Leia os trechos da obra Macunaíma, de Mário de Andrade, para responder a questão:

Trecho 1
        No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.

Trecho 2
        Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar, exclamava:
– ai! que preguiça!...
E não dizia mais nada.

(Mário de Andrade, Macunaíma, em Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira, 2015)
De acordo com Alfredo Bosi, na obra de Mário de Andrade, distinguem-se três estilos de narrar.
Em relação aos trechos transcritos, constatam-se, correta e respectivamente, estilo de
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Q3528409 Literatura
Leia os versos a seguir para responder a questão:

Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa as pestanas carregadas
O pegajoso humor, que o sono ajunta.
Critilo, o teu Critilo, é quem te chama;
Ergue a cabeça da engomada fronha,
Acorda, se ouvir queres cousas raras.
(Tomás Antônio Gonzaga, Cartas chilenas,
em Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira, 2015)
De acordo com Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira, 2015), nos versos, atribuídos a Tomás Antônio Gonzaga, identifica-se o tom 
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Q3524947 Literatura
De acordo com Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira. 2015), em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, “a linguagem do mito rompia as amarras espácio-temporais”. Isso se comprova com a passagem: 
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Q3456817 Literatura
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Do inconsciente consciente


   Bem! isso de não guardar nomes não sei se acontece a todo mundo... Aliás, só posso dar testemunho pessoal sobre mim mesmo. Qualquer confissão não passa de um testemunho pessoal sobre a natureza humana.

    Convém no entanto citar o que li há tempos, num livro póstumo e hoje inencontrável de Antero de Quental, publicado com o título infeliz de Raios de extinta luz:

   “Se queres conhecer o homem e o mundo,

    Não desvias de ti o olhar profundo.

    Mas foge de te ouvir e de te ver,

    Se a ti mesmo tu queres conhecer.”

    Mas o assunto desta crônica era sobre o esquecimento.

Na verdade nunca me esqueço de nenhum nome nem de nenhuma cara. Só que não sei distribuir os nomes pelas caras.

   Quanto à observação inconsciente, não sei se com as mulheres é tão inconsciente assim... Porque (desculpe o leitor se cito a mim próprio depois de Antero) lembro agora um quarteto do meu Espelho mágico:

  “Ah, quem me dera, ante o espetáculo do mundo

   Sem mais hesitações e sem maior fadiga,

   Esse instantâneo olhar, incisivo e profundo,

   Com que julga a mulher as toilettes da amiga!”


(Mario Quintana, Da preguiça como método de trabalho)
De acordo com a habilidade EF69LP48 do do Currículo do Ensino Fundamental II de Itatiba, espera-se que os alunos interpretem “em poemas, efeitos produzidos pelo uso de recursos expressivos sonoros (estrofação, rimas, aliterações etc)”.

No caso dos versos de Quental e de Quintana, fica evidente nas estrofes transcritas o recurso a 
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Q3324877 Literatura

Leia o poema a seguir e analise as assertivas a seu respeito:


 Canção do exílio


Gonçalves Dias


Minha terra tem palmeiras

Onde canta o Sabiá,

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá. 


Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores. 


Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá. 


Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite –

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá. 


Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.



I. Trata-se de um poema formado por seis estrofes, cada uma delas, um quarteto.


II. Os versos do poema são todos heptassílabos.


III. Trata-se de um poema formado somente por versos brancos.



Quais estão corretas? 

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Q3221263 Literatura
Assinale a alternativa na qual o eu-lírico do poema NÃO apresenta reflexões acerca da identidade nacional e cultural brasileira.

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Q3147697 Literatura
quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.

Bruna Beber. Rua da padaria. São Paulo: Record, 2013.

A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir. 


Os doze versos do poema sugerem o percurso de um relacionamento até o seu fim.

Alternativas
Q3147696 Literatura
quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.

Bruna Beber. Rua da padaria. São Paulo: Record, 2013.

A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir. 


No poema, a anáfora marca o ritmo dos versos e assume um sentido diferente em cada ocorrência.

Alternativas
Q3147695 Literatura
quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.

Bruna Beber. Rua da padaria. São Paulo: Record, 2013.

A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir. 


Apesar de não apresentarem esquema de rimas, os versos têm métrica regular, medida pelas repetições.

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Q3146669 Literatura
        Paris, fim do inverno, 1979.

        Apesar do frio, abri um pouco a janela, o cheiro no estúdio é insuportável. Tento fazer uma versão francesa de Tecendo a manhã, meu aluno de Neuilly-sur-Seine se interessou pela poesia brasileira, pinçou esse poema belíssimo e cabeludo do João Cabral de Melo Neto, e ainda me pediu um comentário, promessa de uma ótima gorjeta. É o aluno mais antigo, e o mais empenhado em aprender a língua portuguesa. A gente se conheceu no Café des Arts, onde eu distribuía folhetos anunciando aulas de português (Brasil). É um diletante solitário, entusiasmado com a arte e a literatura da América Latina e da África. Nas primeiras aulas, depois dos meus comentários sobre a situação política na América do Sul, ele disse que as atrocidades só mudam de tempo e lugar. Ele se interessou pela poesia do João Cabral quando lhe mostrei Estudos para uma bailadora andaluza; quis ler outros, e assim chegamos ao Tecendo a manhã. “Um galo sozinho não tece uma manhã: / ele precisará sempre de outros galos.” Comecei a escrever uma versão francesa do poema, mas empaquei nestes versos: “e de outros galos / que com muitos outros galos se cruzem / os fios de sol de seus gritos de galo, / para que a manhã, desde uma teia tênue, / se vá tecendo, entre todos os galos”. Nesta solidão e com esse frio, sem fios de sol e gritos de galo, será difícil tecer a manhã em Paris.

Milton Hatoum. Pontos de fuga.
São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 59-60 (com adaptações)

Julgue o próximo item, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.


No trecho “meu aluno de Neuilly-sur-Seine se interessou pela poesia brasileira, pinçou esse poema belíssimo e cabeludo do João Cabral de Melo Neto” (segundo período), o autor contrasta poesia e poema, uma vez que, em sentido literário, poesia é entendida como gênero de produção textual, de estrutura variada, que usa palavras como matéria-prima, ao passo que poema aponta obra específica da poesia, caracterizada por sua forma fixa, relativamente aos versos e às sílabas dos versos.

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Q3988150 Literatura
Julgue as assertivas em verdadeiro ou Falso e depois assinale a alternativa CORRETA:
I. Versos Livres são versos que apresentam um padrão em sua forma.
II. Todo POEMA é um SONETO.
III. RIMAS IMPERFEITAS são rimas que ocorrem quando há apenas correspondência PARCIAL dos sons.
IV. VERSOS SOLTOS são aqueles que obrigatoriamente possuem RIMAS.
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Q3910305 Literatura
Leia o poema Nota Social, de Carlos Drumond de Andrade, a seguir e responda à questão.

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.
O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.

(ANDRADE, C. D. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, p.43.)
Com base no texto, e nos conhecimentos sobre o modernismo, assinale a alternativa correta.
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Q3539969 Literatura
O texto abaixo é base para responder a questão.

TEXTO IV 


Buscando a Cristo


A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lagrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me


A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme. 


(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1981.) 
Quando lemos um texto, a nossa atenção costuma se voltar para o sentido das palavras. Ao fazer isso, analisamos seu aspecto semântico. As palavras, porém, também têm uma sonoridade muito explorada pela literatura. Essa sonoridade é a base para a construção de recursos poéticos, como o ritmo, o metro e a rima. No poema em tela (Texto IV), quanto à presença desses recursos, só NAO é correto afirmar que: 
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Q3432366 Literatura

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.


TEXTO 4


De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.


Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.


E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.


Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.


CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.


TEXTO 5


– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!


A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!


BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161


TEXTO 6


Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...


ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado






A referência de Cuti ao escritor Lima Barreto vai ao encontro da discussão em torno da literatura de autoria negra no Brasil. Autor da Belle Époque no Rio de Janeiro, Barreto criou narrativas protagonizadas por personagens negras e de origem pobre, como se observa no trecho retirado de seu romance Recordações do escrivão Isaías Caminha (texto 5), cujo ponto de vista narrativo tem como efeito:
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Q3414420 Literatura
Ao ler Água Funda, de Ruth Guimarães, o professor identificou figuras de linguagem, mas equivocou-se ao nomear: 
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Q3414409 Literatura
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Leia o texto "Canção de Exílio", de José Paulo Paes, e responda o que se pede no comando da questão.


Canção do Exílio

José Paulo Paes (1926-98)


Um dia segui viagem

sem olhar sobre meu ombro.


Não vi terras de passagem

Não vi glórias nem escombros.


Guardei no fundo da mala

Um raminho de alecrim.


Apaguei a luz da sala

Que ainda brilhava por mim.


Fechei a porta da rua

a chave joguei no mar.


Andei tanto nesta rua

que já não sei mais voltar.


(PAES, José Paulo. Prosas Seguidas de Odes Mínimas) 
É inadequado afirmar em uma análise da estrutura do poema que: 
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Q3413320 Literatura
Monteiro Lobato é considerado um dos maiores autores da literatura infantil brasileira. Uma característica marcante de suas obras é
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Respostas
61: A
62: C
63: B
64: B
65: D
66: C
67: B
68: B
69: C
70: C
71: E
72: E
73: E
74: A
75: A
76: C
77: C
78: B
79: A
80: C