Questões de Concurso
Comentadas sobre estilística em literatura
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No caso dos versos de Quental e de Quintana, fica evidente nas estrofes transcritas o recurso a
Leia o poema a seguir e analise as assertivas a seu respeito:
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
I. Trata-se de um poema formado por seis estrofes, cada uma delas, um quarteto.
II. Os versos do poema são todos heptassílabos.
III. Trata-se de um poema formado somente por versos brancos.
Quais estão corretas?
A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir.
Os doze versos do poema sugerem o percurso de um relacionamento até o seu fim.
A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir.
No poema, a anáfora marca o ritmo dos versos e assume um sentido diferente em cada ocorrência.
A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir.
Apesar de não apresentarem esquema de rimas, os versos têm métrica regular, medida pelas repetições.
Julgue o próximo item, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.
No trecho “meu aluno de Neuilly-sur-Seine se interessou pela poesia brasileira, pinçou esse poema belíssimo e cabeludo do João Cabral de Melo Neto” (segundo período), o autor contrasta poesia e poema, uma vez que, em sentido literário, poesia é entendida como gênero de produção textual, de estrutura variada, que usa palavras como matéria-prima, ao passo que poema aponta obra específica da poesia, caracterizada por sua forma fixa, relativamente aos versos e às sílabas dos versos.
SILVA, V. M. A. Teoria da Literatura. 8. ed. Coimbra: Almedina, 2018. p. 764 (adaptado).
Considerando essa abordagem, assinale a opção que apresenta um trecho da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, em que se encontra essa voz dual por meio do discurso indireto livre.
I. Versos Livres são versos que apresentam um padrão em sua forma.
II. Todo POEMA é um SONETO.
III. RIMAS IMPERFEITAS são rimas que ocorrem quando há apenas correspondência PARCIAL dos sons.
IV. VERSOS SOLTOS são aqueles que obrigatoriamente possuem RIMAS.
A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.
TEXTO 4
De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.
Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.
E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.
Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.
CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.
TEXTO 5
– Qual é a sua profissão?
– Estudante.
– Estudante?
– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.
– Qual estudante, qual nada!
A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:
– Então você é estudante?
Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:
– Sou, sim, senhor!
BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161
TEXTO 6
Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.
O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...
ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado
I- Rica: entre palavras de diferentes classes gramaticais.
II- Pobre: entre palavras com a mesma classe gramatical.
III- Externa: ocorre no final dos versos.
IV- Interna: rima entre a palavra final de um verso e outra do interior do mesmo verso, ou do seguinte.
Atividade: Explorando "Macabéa: Flor de Mulungu” de Conceição Evaristo como releitura de "A Hora da Estrela” de Clarice Lispector
Objetivo: Analisar as obras "Macabéa: Flor de Mulungu” e "A Hora da Estrela" sob diferentes perspectivas criticas, considerando aspectos estruturais, estilísticos, discursivos e culturais, e estabelecer conexões com o contexto contemporâneo.
Materiais necessários: Textos "Macabéa: Flor de Mulungu", de Conceição Evaristo; e "A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector; acesso a recursos para pesquisa (opcional), caderno ou meio digital para registro das respostas.
Passo a passo:
1.Introdução as obras e as autoras:
-Apresentar aos alunos as autoras Conceição Evaristo e Clarice Lispector, destacando suas contribuições para a literatura brasileira.
-Explicar brevemente as obras "Macabéa: Flor de Mulungu" e "A Hora da Estrela”, contextualizando-as dentro do movimento literário e social em que foram produzidas.
2.Comparagao estrutural e estilística:
-Distribuir trechos selecionados de ambas as obras para os alunos.
-Pedir para os alunos compararem a estrutura narrativa, o estilo de escrita, os recursos literários utilizados (como narrador, tempo narrativo e linguagem) em cada uma das obras.
-Orienta-los a fazer anotações sobre semelhanças e diferenças perceptíveis na forma como as histórias são contadas e desenvolvidas.
3.Análise de aspectos discursivos e culturais:
-Promover uma discussão em grupo sobre os temas abordados nas obras, como identidade, marginalização social, condição da mulher na sociedade, entre outros.
-Explorar como as personagens principais (Macabéa em "Macabéa: Flor de Mulungu" e Macabéa em "A Hora da Estrela") são retratadas e como suas histórias refletem visões de mundo especificas.
4.Dialogo com o contexto de produção:
-Incentivar os alunos a pesquisar sobre o contexto histórico e cultural em que cada obra foi escrita.
-Discutir como essas obras dialogam com movimentos estéticos e culturais da época, como o modernismo, o pós-modernismo, o feminismo, o movimento negro, entre outros.
5.Produgéo textual:
-Pedir aos alunos para escreverem um ensaio comparativo entre "Macabéa: Flor de Mulungu" e "A Hora da Estrela", destacando suas análises sobre estrutura, estilo, aspectos discursivos e culturais.
-Eles devem incluir reflexões sobre como as obras dialogam com questões contemporâneas, como questões de identidade, representação e justiça social.
6.Apresentação e discussão final:
-Finalizar a atividade com uma sessão de apresentação dos ensaios produzidos pelos alunos.
-Promover uma discussão final sobre as descobertas e insights obtidos durante a análise das obras, incentivando os alunos a compartilharem suas perspectivas e conclusões.
Avaliação: Avaliar os alunos com base na profundidade da análise realizada no ensaio comparativo, na capacidade de estabelecer conexões significativas entre as obras e seu contexto, na clareza da argumentação e na habilidade de expressar ideias de forma crítica e fundamentada.
Assinale a alternativa que apresenta a habilidade indicada no Ensino de Língua Portuguesa no Ensino Médio que mais coerentemente seria alcançada com a prática apresentada:
I) A métrica refere-se à contagem das sílabas poéticas, sendo o decassílabo um dos tipos mais comuns na poesia em língua portuguesa, caracterizado pela predominância de 12 sílabas poéticas em cada verso.
II) A rima pode ser classificada de acordo com sua posição e sua combinação dentro de uma estrofe, podendo ocorrer de forma alternada, emparelhada ou interpolada, e contribui para a sonoridade do poema.
III) O ritmo em um poema é determinado pelo arranjo de acentos e pausas que produzem uma cadência ao longo dos versos, independente da métrica e da rima, sendo mais evidente na leitura oral do poema.
IV) Na poesia clássica, a rima era um recurso indispensável para garantir a musicalidade e harmonia dos versos, enquanto na poesia moderna, o ritmo é priorizado, dispensando frequentemente a rima e até mesmo a métrica fixa.
Assinale a alternativa correta:
Leia a seguir a estrofe do poema de Manuel Bandeira – “Os sinos”:
Sino de Belém, como soa bem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão… Por meu pai?… –Não!
Não!
Sino da paixão bate bão-bão-bão.
As figuras de linguagem fonéticas também são reconhecidas como recursos estilísticos utilizados especialmente na literatura. Acerca da estrofe apresentada, pode-se afirmar que: