Questões de Concurso
Comentadas sobre estilística em literatura
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Leia o texto para responder à questão.
É São Paulo construída sobre sete colinas, à feição tradicional de Roma, a cidade cesárea, “capita” da Latinidade de que provimos; e beija-lhe os pés a grácil e inquieta linfa do Tietê. As águas são magníficas, os ares tão amenos quanto os de Aquisgrana ou de Anverres, e a área tão a eles igual em salubridade e abundância, que bem se poderá afirmar, ao modo fino dos cronistas, que de três AAA se gera espontaneamente a fauna urbana.
Cidade é belíssima, e grato o seu convívio. Toda cortada de ruas habilmente estreitas e tomadas por estátuas e lampiões graciosíssimos e de rara escultura; tudo diminuindo com astúcia o espaço de forma tal, que nessas artérias não cabe a população. Assim se obtém o efeito dum grande acúmulo de gentes, cuja estimativa pode ser aumentada à vontade, o que é propício às eleições que são invenção dos inimitáveis mineiros; ao mesmo tempo que os edis dispõem de largo assunto com que ganhem dias honrados e a admiração de todos, com surtos de eloquência do mais puro estilo e sublimado lavor.
(Mário de Andrade, Macunaíma. Em: Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015)
I- “Eu venho da minha terra / da casa branca da serra / e do luar do sertão; / venho da minha Maria / cujo nome principia / na palma da minha mão.” Guilherme de Almeida. (Rima pobre).
II- “Não sei se amei o que era em mim desejo / de me ver no outro refletido / sei que amei sempre amei e vejo / que de amar tenho hoje o coração endurecido.” Carlos Felipe Moisés. (Rima rica).
III- “Eu que era branca e linda, eis-me medonha e escura / inspiro horror...Ó tu que espias urdidura / da minha teia, atenta ao que o meu palpo fia”. Manuel Bandeira. (Rima rara).
IV- “Oh vem, de branco – do imo da folhagem! / Os ramos, leve, a tua mão aparte / Oh vem! Meus olhos querem desposar-te / refletir-se virgem a serena imagem.” Camilo Pessanha. (Rima preciosa).
Em relação aos trechos transcritos, constatam-se, correta e respectivamente, estilo de
No caso dos versos de Quental e de Quintana, fica evidente nas estrofes transcritas o recurso a
Leia o poema a seguir e analise as assertivas a seu respeito:
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
I. Trata-se de um poema formado por seis estrofes, cada uma delas, um quarteto.
II. Os versos do poema são todos heptassílabos.
III. Trata-se de um poema formado somente por versos brancos.
Quais estão corretas?
A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir.
Os doze versos do poema sugerem o percurso de um relacionamento até o seu fim.
A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir.
No poema, a anáfora marca o ritmo dos versos e assume um sentido diferente em cada ocorrência.
A respeito de aspectos estilísticos do poema apresentado, julgue o item a seguir.
Apesar de não apresentarem esquema de rimas, os versos têm métrica regular, medida pelas repetições.
Julgue o próximo item, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.
No trecho “meu aluno de Neuilly-sur-Seine se interessou pela poesia brasileira, pinçou esse poema belíssimo e cabeludo do João Cabral de Melo Neto” (segundo período), o autor contrasta poesia e poema, uma vez que, em sentido literário, poesia é entendida como gênero de produção textual, de estrutura variada, que usa palavras como matéria-prima, ao passo que poema aponta obra específica da poesia, caracterizada por sua forma fixa, relativamente aos versos e às sílabas dos versos.
I. Versos Livres são versos que apresentam um padrão em sua forma.
II. Todo POEMA é um SONETO.
III. RIMAS IMPERFEITAS são rimas que ocorrem quando há apenas correspondência PARCIAL dos sons.
IV. VERSOS SOLTOS são aqueles que obrigatoriamente possuem RIMAS.
A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.
TEXTO 4
De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.
Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.
E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.
Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.
CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.
TEXTO 5
– Qual é a sua profissão?
– Estudante.
– Estudante?
– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.
– Qual estudante, qual nada!
A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:
– Então você é estudante?
Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:
– Sou, sim, senhor!
BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161
TEXTO 6
Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.
O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...
ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado