Questões de Concurso Sobre linguística
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Disponível em: <http://pt-br.monica.wikia.com/wiki/Categoria:Turma_do_Chico_Bento>. Acesso em: 05 set. 2017.
De acordo com Saussure, “é ponto de vista que cria o objeto”, assim uma concepção gramática é consequência do olhar que se tem sobre a língua.
Partindo dessa afirmação, assinale a alternativa que caracteriza a concepção de língua e, consequentemente, de
gramática apresentada no texto.
I) Na linguística, as duas unidades formais no nível de análise morfológica são a palavra e o morfema. Uma das questões centrais no estudo da morfologia é decidir se a abordagem será pela perspectiva do morfema ou se a partir da palavra, da formação e da classificação das palavras. A peculiaridade da morfologia é estudar as palavras observando para elas isoladamente e não dentro da sua participação na frase ou período.
II) O termo morfologia vem da palavra morfema e, de acordo com a definição do dicionário Aurélio, é o elemento que confere o aspecto gramatical ao semantema, relacionando-o na oração e delimitando sua função e seu significado. E o semantema, por sua vez, é o elemento que encerra o significado de um sintagma. Por exemplo: agrad-, no caso de agradar, agradável, agradecido, agrado, agradavelmente. É definido também como o “radical” da palavra, a raiz, a parte imutável da palavra. Dessa forma, o termo que encerra uma palavra ou sucede o seu radical é o responsável por nos informar a respeito de gênero, número, tempo, modo, pessoa e classe gramatical.
III) A morfologia é o estudo da estrutura, da formação e da classificação dos sintagmas. A morfologia está agrupada em dez sintagmas, denominadas classes de palavras ou classes gramaticais. São elas: Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral, Pronome, Verbo, Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição.
A resposta CORRETA é:
1. Os gêneros do discurso resultam em formas-padrão “relativamente estáveis” de um enunciado determinadas sócio historicamente. 2. Só nos comunicamos, falamos e escrevemos por meio de gêneros do discurso. 3. Os sujeitos têm um limitado repertório de gêneros e, muitas vezes, nem se dão conta disso. 4. Até na conversa mais informal, o discurso é moldado pelo gênero em uso. Tais gêneros nos são dados quase da mesma forma com que nos é dada a língua materna a qual dominamos livremente até começarmos o estudo da gramática. 5. À semelhança do enunciado, palavra e oração são desprovidas de “endereçamento”; não são ditas para alguém, não pertencem e nem se referem a ninguém, carecem de qualquer tipo de relação com o dizer do outro.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Indique abaixo o nome do autor que concebeu a definição de polifonia acima.
Analise as afirmações a seguir e marque aquela que representa uma assertiva incorreta.
Ensinar língua materna com foco no ensino da gramática demanda atentar-se ao fato de que há diferentes tipos de gramática. Assim, cada tipo específico de gramática que é trabalhado em sala de aula resulta em atividades distintas e atendem a objetivos diferentes de ensino. Sobre os diferentes tipos de gramática, relacione as colunas a seguir e assinale a alternativa que representa a sequência correta.
(1) Gramática histórica
(2) Gramática gerativa
(3) Gramática cognitivo-funcional
(4) Gramática tradicional
( ) Surge a partir dos estudos de Chomsky na década de 50. Ela analisa a estrutura gramatical das línguas, percebendo a linguagem como reflexo de um conjunto de princípios inatos.
( ) Amplia o escopo dos estudos linguísticos para além da estrutura, incluindo também o evento de fala. Ela analisa a estrutura gramatical e também a situação de comunicação.
( ) Também chamada de gramática normativa, é comumente utilizada nas escolas e dedica-se ao estudo da norma culta de uma língua.
( ) Volta-se para o estudo da sequência de fases evolutivas de uma língua, portanto acompanha as fases de desenvolvimento de uma língua desde sua origem.
Assinale a alternativa que corresponde a uma afirmativa correta.
Na mesma obra citada na questão anterior, Azenha Jr. expõe as implicações dos aspectos culturais à prática da tradução. Ele cita o que Schmitt chama de “incongruências conceituais condicionadas por problemas de interculturalidade”, que se referem aos “casos em que as denominações não são equivalentes, pois os conceitos por ela designados não coincidem, já que são culturalmente condicionados” (p. 78)
Dentre as seguintes categorias de condicionantes, selecione a alternativa que traz exemplos dessas incongruências condicionadas por diferenças culturais.
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Fonte: Lya Luft, Revista Veja, 03-fev-2016 – texto adaptado
I. Ambiguidade é a indeterminação de sentido que certas palavras ou expressões apresentam, que dificultam a compreensão do enunciado. II. A ambiguidade lexical está relacionada ao uso de um vocábulo, cujo referente encontra-se extratexto, promovendo, assim, a permissão do autor em relação à interpretação a ser dada pelo leitor em relação ao enunciado. III. A ambiguidade estrutural está relacionada ao posicionamento de determinada palavra ou expressão em um enunciado, promovendo dificuldade de compreensão de um texto.
Quais estão corretas?
Como e por que as línguas mudam
Segundo Saussure, a língua possui duas características aparentemente contraditórias entre si: a imutabilidade e a mutabilidade. Para ele, a língua é dada aos falantes como uma realidade que nenhum indivíduo pode transformar por sua própria vontade; a língua é fruto de uma convenção social, e mudá-la exigiria o consenso social. Além disso, é uma instituição herdada de gerações anteriores e não um contrato firmado entre os falantes no presente. Saussure insiste na arbitrariedade dos signos linguísticos (as palavras) como uma escolha e, ao mesmo tempo, uma coerção. Por outro lado, a mutabilidade dos signos – e, portanto, da língua – está ligada à própria inconsciência que os falantes têm das leis que regem o sistema, assim como à própria tensão entre a língua como bem social e os atos de fala individuais, com seu caráter particular e transitório.
Mas, se a língua é produtora e produto da cultura, a diversidade cultural é causa da diversidade linguística e vice-versa. Além da mudança temporal, decorrente da evolução histórica, há também a diversidade geográfica, em que os diferentes habitats condicionam diferentes formas de cultura. Assim, a separação dos grupamentos humanos no tempo e no espaço conduz à sua diferenciação. Mais ainda, em sociedades complexas e extremamente heterogêneas como as pós-industriais, estratificadas pela organização política e a especialização das atividades econômicas, a classe social, o grupo profissional e a própria situação de comunicação levam à diferenciação.
Existem, portanto, quatro fatores responsáveis pela mudança linguística: o tempo histórico, o espaço geográfico, a divisão das classes sociais e a variedade das situações de discurso, entendidas como os diferentes ambientes sociais, ligados às diversas práticas profissionais, religiosas, recreativas, culturais, etc., que condicionam diferentes formas de expressão do pensamento (isto é, diferentes escolhas de vocabulário e construção sintática), como é o caso dos discursos científico, político, jurídico, jornalístico, publicitário, dos jargões e das gírias específicas de cada grupo social (os médicos, os economistas, os surfistas...).
Na mudança histórica, o aspecto que mais chama a atenção é a mutação fonética. A alteração da pronúncia ao longo do tempo pode, muitas vezes, ser mascarada pela grafia: o português cozer era pronunciado na Idade Média como codzer, distinguindo-se perfeitamente de seu hoje homófono coser. Uma alteração de pronúncia pode implicar mudança no sistema de sons distintivos da língua, os fonemas, pelo acréscimo, supressão ou reorganização das relações entre as unidades. Uma mudança ao nível dos fonemas pode, por sua vez, acarretar alterações em categorias morfológicas, como no caso da flexão de número em latim. Frequentemente, a mudança histórica se dá não apenas na pronúncia, mas também no significado. É assim que muitas palavras, independentemente da conservação ou mutação de sua forma fonética ou gráfica, adquirem novos significados, podendo manter ou não os antigos. Finalmente, novas palavras são introduzidas na língua, fruto de criação interna ou de empréstimo, enquanto outras caem em desuso e desaparecem.
A mudança espacial é resultado da diferente evolução temporal da língua em comunidades linguísticas separadas geograficamente. A distância geográfica, responsável pela falta de comunicação entre dois grupos de falantes de uma mesma língua, produz em cada um dos grupos uma evolução histórica independente, que, a longo prazo, poderá resultar na não intercompreensão entre os grupos. As migrações humanas também são outro fator que conspira a favor da mudança espacial. Ocorre assim o fenômeno da dialetação, que pode, com o tempo, fazer surgirem novas línguas.
A separação entre classes sociais, tanto do ponto de vista físico quanto em termos do modo de vida, faz com que indivíduos pertencentes a classes sociais distintas se expressem de formas diferentes e reproduzam visões de mundo parcialmente diversas. Surgem então os socioletos, ou formas de expressão particulares de cada classe social. Finalmente, os diferentes grupos sociais (grupos profissionais, religiosos, etários, etc.) existentes numa sociedade complexa tendem a produzir discursos privativos desses grupos. Temos aí os vários idioletos e tecnoletos de uma sociedade.
(Aldo Bizzocchi – Revista Língua Portuguesa – Editora Escala. Adaptado.)
Segundo Saussure,
