Questões de Concurso Sobre análise do discurso em linguística

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Q4428558 Linguística

A questão refere ao texto reproduzido a seguir.



O Pai, o Chefe, o Rei


    VELHINHO TRABALHADOR, João bebe demais, aos gritos até hora perdida da noite.


    Sóbrio é manso e de boa sombra, o chapéu humilde na mão. Com idade, fraco da cabeça, embriagase fácil; sempre a faquinha na cinta, ameaça espetar os outros. Assanhado, persegue as moças na estrada.  


    Em casa, olho branco de boi bêbado, atropela a mulher e os sete filhos. Muito calma, a velha não discute, ganha o terreiro com o menor no colo.  


    João bate a garrafa na mesa, esmurra a parede, afinal aquieta-se. Maria e os filhos vão-se chegando à porta, espiam de longe, desconfiados. A velha traz a gamela de água esperta e, enquanto ele molha os pés, serve o viradinho com torresmo.   


    João se diverte a azucrinar a pobre:  


    — Tenho outra mais moça.


    Chega da roça o André, quebrou milho o dia inteiro. As crianças deitadas, a mãe come de pé ao lado do fogão, no meio da algazarra:


    — Epa, vaca velha!  


    O moço, desafiado pelo pai, bebe meio litro de cachaça.


    — Pai, deixe a mãe em paz.  


    — Filho meu não pode comigo.  


   — O senhor está bêbado, pai.  


    O velho nega ao filho o direito:  


    — Aqui não sou nada? Não mando na minha casa?  


    — E pra ter sossego hei de sangrar alguém?  


    A dona pede ao marido não grite e ao filho não responda. João insiste, um pouco alegre, mas não bêbado.


O moço não pode assim falar com o pai e chefe da casa: 


    — Você é bandido? Quer me sangrar?


    Não provoque, repete o moço, bem nervoso. Em seguida derruba a cadeira e espatifa a garrafa. 


    — Vai me esfolar, valentão?  


André alcança na parede a espingarda. O velho desfere soco na mesa:


— Se for macho atire. — Outro murro mais forte. — Atire, que mata um homem.


    O moço bate no joelho do pai, sentado no banquinho, a sombra do chapéu no olho: 


    — Quer provar? Mostro o que é homem.


    — Filho meu não pode comigo.  


    André carrega um cartucho no cano direito.  


    — Não é macho, seu moço. 


    Mãos na cabeça, a velha brada por todos os santos do céu. 


    — Já que pede eu te mato — e André aperta o gatilho. 


    João cai do banquinho, geme, a mulher acuda. Pegam-no o filho e a dona, deitado na cama.  


    — Ele me duvidou — diz o moço — eu atirei.  


    — Atirou no pai, no chefe, no rei. Não é mais ninguém. 


O velho dá uns gritos, logo se arruína, espuma no canto da boca. Erguendo a mão fechada, pragueja o filho, e morre.


TREVISAN, Dalton. Guerra Conjugal. 12 ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.   

A partir da construção discursiva do texto, avalie as assertivas abaixo.


I. André constitui-se como sujeito a partir da identificação que mantém com o discurso de seu pai.  


II. André constitui-se como sujeito a partir do distanciamento do comportamento de seu pai.


III. A ausência de falas da mãe e o seu comportamento em relação ao marido contribuem para a construção discursiva de uma mulher subserviente.


IV. André e João são vítimas das relações de poder, fruto de uma sociedade marcadamente machista.


V. A ausência de papeis bem definidos na família de André provoca a falta de laços afetivos e materiais que unem as pessoas.


Das afirmativas, estão corretas

Alternativas
Q4426514 Linguística

K ENTRE NÓS


     Gesiel, desculpe te escrever assim, uma carta aberta, no meio do jornal. Sei que talvez cause algum transtorno: comentários de vizinhos, brincadeiras de colegas, parentes ligando, atravancando sua quarta-feira, mas não se preocupe, alguém já disse que “a crônica produz a notoriedade e garante o esquecimento”: hoje, somos famosos, amanhã, estaremos Vasconcellos Prata. Não nos conhecemos. Meu nome é Antônio de Góes. O seu é Gesiel Mariano de Barros – pelo menos, é o que está escrito na correspondência bancária que recebo aqui em casa, todo mês. É estranho, pois moro em Cotia e você, segundo sugerem os envelopes, em Duque de Caxias. Mais estranho ainda é que aí em Duque de Caxias haja uma rua com o mesmo nome da minha, uma casa com o mesmo número, num bairro quase homônimo: Residencial Par, o seu, Residencial Park, o meu – mas, se o correio não repara nem que vivemos em cidades diferentes, imagina se vai notar esse minúsculo K, perdido na vastidão do Brasil?


     Pois eu reparo, todo mês. Pego a correspondência, vejo seu nome no envelope, penso “ih, carta pro Gesiel, de novo...” e digo a mim mesmo: de hoje não passa! Vou ligar pro banco, avisar do equívoco, resolver a situação – mas sou um fraco, Gesiel. Quantas vezes não digo que vou começar uma natação, um romance, abrir uma previdência privada? Pobres de minhas artérias, de minha produção, de minha velhice. Pobre de você, cujas cartas vão parar na fruteira da sala, uma fruteira que nunca viu mangas ou carambolas e vive abarrotada de folhetos de dedetizadoras, cardápios de pizzarias, clipes, tampas de Bic e dois anos de seus – suponho, pois nunca abri – extratos bancários.


     Dois anos que sofro um pouquinho, toda noite, antes de dormir, pensando em você aí, no Residencial Par, em Duque de Caxias, brigando com o banco, pelo telefone. “O mais importante e bonito do mundo”, contudo, como disse um amigo, outro dia, citando Guimarães Rosa, “é que as pessoas ainda não foram terminadas. (...) Afinam ou desafinam”. Pois, semana passada, resolvi afinarme um pouquinho. Tive um desses surtos civilizatórios: arrumei gavetas, mandei fazer barra nas calças, chamei o homem pra ver a infiltração do banheiro, peguei suas cartas na fruteira e, finalmente, liguei para o banco.


     Sabe o que me disseram? Que para regularizar a situação, só com o seu CPF. “Moça, como eu vou ter o CPF do Gesiel?! Eu não conheço o Gesiel! Vocês conhecem! Ele tem conta aí: Gesiel Mariano de Barros, é só conferir!”. Ela resmungou, disse que ia ver o que dava para fazer, mas pelo jeito, não viu: ontem chegou mais uma de suas cartas, só me restando, portanto, escrever esta crônica e torcer para que, antes de forrar obra ou cobrir defunto, ela passe por você.


     Vamos torcer. Ah, e se por acaso estiverem chegando aí cartas para um certo Antônio, favor mandar para seu mesmo endereço, só que em Cotia e colocando um K depois do Par. Sem pressa: não sei como está sua situação bancária, mas com este que vos escreve, pelo menos, você tem 24 meses de crédito. Abraço, Gesiel, e boa Páscoa.


Antônio Prata, Folha de São Paulo Online, 27/03/2013.

“Sei que talvez cause algum transtorno...”


O trecho realçado, no período em evidência, indica uma modalização discursiva do tipo:

Alternativas
Q4423057 Linguística
Uma turma acompanha dois usos de uma sequência de dança: em um encontro comunitário, participantes a ensinam para acolher novos integrantes; em um vídeo publicitário, os mesmos gestos são associados à apresentação de uma marca. As entrevistas e os registros confirmam essas finalidades. Ao comparar forma gestual e significação social, qual conclusão é sustentada pelos materiais?
Alternativas
Q4419115 Linguística
Halden, a utopia

Uma cadeia que impressionaria estrangeiros é a de Halden, no sul da Noruega, perto da fronteira com a Suécia.
Em 2014, uma TV finlandesa levou o ex-diretor de prisões de Nova York, James Conway, a uma visita a Halden.
“Não acho que seja possível ser mais progressista e liberal, a não ser que entreguem as chaves da prisão aos presos”, foi sua avaliação após conhecer o lugar.
O programa de TV mostra a oficina onde os presos trabalham, cheia de serras e de objetos metálicos, além de facas afiadas que ficam na cozinha.
“Não é preciso mais fazer um bolo para levar esses objetos para uma prisão”, brinca Conway.
No estúdio musical - onde há guitarras, teclados e uma bateria -, o funcionário americano se pergunta se não é um pouco “além do limite” oferecer todas essas comodidades aos condenados.
"Isso é a utopia das prisões. É a melhor prisão que possa imaginar, caso seja um detento, claro”, acrescentou.
Mesmo que seja uma prisão de segurança máxima, rodeada por um muro, Halden está longe de ser um presídio convencional.
E a maioria dos prisioneiros noruegueses vivem, ao menos no começo de suas condenações, em instalações que a maioria reconheceria como cadeias: espaços com grades nas janelas em que os prisioneiros passam a maior parte do dia fechados em celas.

Reabilitação

“A maioria dos presos começa a cumprir suas penas em prisões de alta segurança”, explicou Jan-Erik Sandlie, subdiretor do sistema prisional da Noruega.
“Logo se considera uma transferência a uma prisão de menor segurança, com a ideia de criar uma transição gradual da prisão à liberdade”, acrescentou.
E até o final da sentença os presos também podem ser transferidos a casas de adaptação, que permitem uma existência mais parecida com a vida normal. Nesta fase os detentos podem ter algumas “concessões”, como viagens para casa.
“Queremos que todos os presos tenham a maior preparação possível para uma vida comum quando sejam colocados em liberdade”, disse Tom Eberhardt, da prisão de Bastoey.

Críticas

O sistema tem sido alvo de críticas, pois muitos o consideram demasiadamente brando. Mas é difícil argumentar que não funcione.
Quando os presos deixam a cadeia, a maioria se mantém fora das grades. A taxa de reincidência criminal na Noruega é de 20%, a mais baixa do mundo.
Em outros países, como o Reino Unido, chega a 46%, e nos EUA, 76% das pessoas que deixam a prisão voltam nos cinco anos seguintes.
Há ainda a economia que significa não ter tantas pessoas em cadeias.
“Autoridades dos EUA e do Reino Unido talvez deveriam se perguntar o que aconteceu com milhões de dólares e de libras esterlinas que gastaram trancando gente atrás de todas essas cercas e muros”, afirmou Eberhardt.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160317_prisoes_noruega_tg. Acess
“Queremos que todos os presos tenha mamaior preparação possível para uma vida comum [...]”
Considerando o emprego do verbo destacado no período antecedente e seu efeito de sentido produzido no discurso, assinale a alternativa correta a seguir.
Alternativas
Q4405507 Linguística
Uma intérprete produziu uma versão fragmentada de uma palestra escolar, presa a frases isoladas. Para melhorar a fidelidade e a precisão da interpretação, a supervisora orientou que o discurso fosse compreendido do sentido mais amplo para os elementos mais específicos. Considere os níveis de organização abaixo:
(1) Unidades de sentido. (2) Finalidade geral do discurso. (3) Detalhes. (4) Objetivos específicos.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem CORRETA desses níveis, do mais abrangente ao mais específico: 
Alternativas
Q4399064 Linguística
'I felt lighter, more open': Why you are never too old for therapy


We assume therapy belongs to youth, yet older people may be particularly likely to benefit from psychological support.

Maurizio is 70. He recently began therapy in the hope of better understanding a physical pain he had carried since childhood. He has suffered migraines since the age of seven and wanted to explore what might lie behind them.

Over the years he had consulted different doctors and sought multiple opinions – therapy was another attempt to trace the origins of the problem. But he continued even after realising he might never find a single cause. "The process itself became something meaningful, a space for introspection that helped me understand my life more clearly," Mauizio says. (We have omitted the surnames of the therapy clients quoted within this piece to preserve their privacy.)

Antonio, 73, and his wife Gigliola, 68, turned to therapy hoping to save their relationship after years marked by disappointments and unspoken tensions. "After some time, I realised I felt lighter, more open," Antonio says.

"Looking within ourselves and bringing out what we could never say before perhaps helped us," Gigliola adds.

Their stories challenge a common assumption: that therapy is only for the young. And a growing body of evidence suggests that many older people could benefit from the same kind of help.

Therapy in later life

The potential for therapy to treat mental illness and enhance our overall wellbeing is now well-established, yet it is relatively rare for older people to access these services.

According to the World Health Organization, around 14% of people over 70 live with a mental health disorder, most commonly anxiety and depression, and 17% of all suicides occur in people of in this age range. A study published in 2024, however, found that only around 4% of US adults aged 65 and over received psychological therapy, compared with 12% of those aged 18-24 and 8% among those aged 35-64.

This is despite there being no evidence that therapy is any less effective or useful as we get older, according to Pim Cuijpers, professor of clinical psychology at the Vrije Universiteit Amsterdam in the Netherlands. "Therapies work across the whole adult age," he says.

Cuijpers recently published a review on psychotherapy for depression across different age groups. "What surprised me is that there is quite a lot of research in older people who are above 75 and we didn't find any indication that psychotherapies differ in that age group either," he says.

Older people may find that therapy helps to target some of the specific concerns that come with ageing, including social isolation and chronic illness, with widespread benefits. Many report improvements in overall wellbeing, renewed motivation and increased social participation. In this way therapy can function as a bridge: helping older adults reconnect with themselves and the wider world. The strongest responses, according to a 2025 review, may be found in group-based interventions, which makes sense, since they offer a structured means of relating with others.

And despite lower levels of initial access, completion rates among older participants can reach up to 54%, often surpassing those of younger adults. This demonstrates that older patients are frequently highly committed to therapy and capable of sustaining the work required for meaningful change.

"We don't know the reasons but we could imagine that when older adults are willing to seek help, they are also more motivated to do that," says Cuijpers.

Barriers to care

Financial difficulties help explain part of the gap in older people beginning therapy in the first place: their health insurance may not cover therapy, and they may not be able to afford to pay for it independently.

A world of therapy options

Therapy comes in many different forms and can be tailored to different needs. A few that may be worth considering trying are:

• Cognitive behavioural therapy (CBT) focuses on identifying and changing unhelpful thought patterns.

• Psychodynamic therapy has an emphasis on how past experiences shape present emotions and behaviours.

• Family therapy is for those who want to work beyond an individual focus (such as in Antonio and Gigliola's case) and looks at relationships and dynamics within the family as a whole.

• Group therapy creates opportunities to share experiences with people facing similar medical diagnoses and to feel more understood and less alone.

But another barrier can arise within the healthcare system itself. The journey into therapy often depends on a referral from a primary care physician, yet some research suggests that older adults are referred to psychological treatments less frequently, even when they present with symptoms of anxiety or depression. Their distress may be seen as a natural response to ageing or physical decline, rather than as a mental health condition that warrants treatment.

Part of this prejudice comes from Sigmund Freud, the founder of psychoanalysis, who argued that therapy stopped working after 40 or 50 years, says Rossana De Beni, professor and senior researcher in experimental psychology at the University of Padua, Italy. In On Psychotherapy (1905), a brief technical paper on the practice of psychoanalysis, Freud noted that above a certain age "the elasticity of the mental processes, on which the treatment depends, is as a rule lacking".

But that is "absolutely not true", says De Beni. In fact, "studies show the opposite".

Clinicians need to see the older person for who they truly are, De Beni points out, not simply as "an old person", but as a multi-faceted individual. Unfortunately, our ageist prejudices are often "deeply entrenched", she says.

Some of the ageism may be internalised by the potential patients themselves. Beliefs such as the idea that mental health problems are simply a normal part of ageing are among the most frequently cited obstacles to accessing care. This is especially problematic, since ageism can itself predispose someone to greater anxiety and depression.

The simple truth is that positive transformation is possible across the lifespan. "Ageing, right to the very end, is a stage of life marked by change," De Beni says. "People become more fully themselves in a process of continuous transformation, learning and flexibility that never truly ends."

Maurizio certainly identifies with this sentiment. "There are three moments when therapy helped me: in dealing with my marital separation, in working through certain conflicts with my children, and in navigating the transition from active work to a pre-retirement phase, where I had to find new ways to socialise," Maurizio says. "I never thought it could be too late for anything."

He hopes that he has set an example for others to follow. "I think it may have planted a small seed: not today, not tomorrow, but perhaps the day after, they will bring it out and water it," he says.



https://www.bbc.com/future/article/20260609-mental-health-and-ageingwhy-you-are-never-too-old-for-therapy
Several discourse markers in the article organize relations among claims rather than merely connecting sentences grammatically. Their interpretation requires attention to whether the writer is signaling concession, contrast, reinforcement, or a consequence drawn from previous information.
Match the markers in Column 1 with their discourse functions in Column 2.
Column 1
1.Despite. 2.However. 3.In fact. 4.In this way.
Column 2
(__)Introduces an interpretive consequence derived from the preceding discussion.
(__)Reinforces or corrects a previous claim by presenting stronger supporting information.
(__)Introduces a circumstance that might be expected to prevent the proposition that follows.
(__)Marks a contrastive transition between propositions or stages of an argument.



Select the alternative containing the correct sequence, from top to bottom:
Alternativas
Q4398272 Linguística

Sobre a Análise do Discurso, segundo Luis Carlos Cagliari em Alfabetização e Linguística:



I. A Linguística moderna percebeu que só poderia explicar adequadamente a linguagem se levasse em consideração a maneira como as frases se combinam numa unidade maior, chamada texto ou discurso linguístico.


PORQUE


II. Tradicionalmente, muitas pessoas estudavam uma língua apenas por meio da gramática normativa e do dicionário, reduzindo-a a uma lista de palavras e regras sintáticas.



Assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q4396141 Linguística
Leia o texto a seguir:

A cigarra e a formiga

    A cigarra, tendo cantado todo o verão, viu-se completamente sem provisões quando o inverno chegou. Não tinha nenhum pedacinho de inseto ou de larva. Foi então queixar-se da falta de alimentos na casa da formiga, sua vizinha, pedindo-lhe que lhe emprestasse alguns grãos para subsistir até a primavera.
    – Palavra de animal, eu lhe pagarei juros e principal, antes da próxima colheita.
    A formiga não empresta nada. Este é seu menor defeito.
    – Que é que você fazia no verão, diz ela à que deseja tomar emprestado.
    – Não se aborreça, todos os dias e noites eu cantava.
     – Estou muito bem. Você cantava; pois bem; agora dance.

(Fábula de La Fontaine, extraída de José Luiz Fiorin, Elementos de análise do discurso, 1990)

De acordo com José Luiz Fiorin, na fase de manipulação no nível narrativo, “um sujeito age sobre outro para levá-lo a querer e/ou dever fazer alguma coisa”. Na fábula de La Fontaine, a manipulação feita pela cigarra ocorre por meio de
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Q4393629 Linguística
No último quadrinho, a resposta de Mamu ("Claro que não! Coloquei o seu.") configura um ato de fala que altera a percepção do leitor sobre os eventos anteriores. Do ponto de vista da pragmática, essa fala exerce uma função:
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Q4357908 Linguística
No fim da tarde de 7 de junho de 1926, um senhor com cabelo e barba longos foi atropelado por um bonde em Barcelona. Ele usava roupas remendadas e estava coberto de sangue. Quem presenciou o acidente pensou se tratar de uma pessoa em situação de rua. O socorro levou horas; e o reconhecimento, um dia inteiro. Três dias depois, o homem morreu no hospital, aos 73 anos. Era Antoni Gaudí, o arquiteto que idealizou uma das obras mais ambiciosas e reconhecidas do mundo. Quando foi atropelado, Gaudí fazia o seu trajeto rotineiro para assistir a uma missa após o trabalho, a oito quarteirões de sua obra-prima inacabada: a Sagrada Família, à qual ele havia dedicado suas últimas quatro décadas. https://super.abril.com.br/historia/enfim-a-mais-alta-a-historia-e-os-simbolismosda-basilica-da-sagrada-familia/
Em uma aula sobre recursos linguísticos e discursivos, o professor destaca as expressões “um senhor”, “ele”, “uma pessoa em situação de rua” e “o homem”.  Ao relacioná-las à revelação “Era Antoni Gaudí”, espera-se que os estudantes reconheçam que essa sequência foi empregada para 
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Q4357886 Linguística
A frase é uma estrutura linguística caracterizada por relações sintáticas e uma significação, enquanto o enunciado é uma frase a que se adicionam informações retiradas da situação em que ela é enunciada. Isso quer dizer que uma frase pode corresponder a vários enunciados. Por exemplo, na frase A linha amarela do metrô está parada, a significação poderia ser O serviço de trens subterrâneos entre o ponto x e o ponto y está fora de funcionamento. Essa frase poderia corresponder a enunciados como Vamo-nos atrasar, Precisamos pegar um táxi, O serviço de manutenção está precário. FIORIN, J. L. Argumentação. São Paulo: Contexto, 2018. p. 32.
Os enunciados apresentados ao final do texto não constituem paráfrases da significação da frase tomada como exemplo. Eles evidenciam que
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Q4357883 Linguística
O sentido da linguagem está no contexto de interação verbal e não no sistema linguístico. A língua possui, por meio do discurso, uma função social, sendo um processo dinâmico e conflituoso de produção de significados sobre a realidade que se dá em qualquer contexto social. Para Bakhtin (1999), as relações sociais ganham sentido pela palavra e sua existência se concretiza no contexto da enunciação.
SANTOS, C. G. O ensino de Língua Estrangeira/Adicional pelo viés discursivocontrastivo. In.: DURÃO, A. B. de A. B.; DURÃO, A. B.; ANDRADE, O. G. de. (Orgs). Linguística Contrastiva: homenagem a Emilio Ridruejo Alonso. Coleção Calepino - vol. 2. Campinas: Pontes, 2019. p. 160.
O excerto revela uma das principais dimensões da linguagem: a social. 
Nesse sentido, é correto pressupor que, no âmbito escolar, as aulas de Língua Portuguesa devem 
Alternativas
Q4353979 Linguística
Os estudos da linguagem oferecem diferentes perspectivas para a compreensão dos usos linguísticos e das relações estabelecidas nas práticas sociais. No ensino de Língua Portuguesa, esses conhecimentos contribuem para a análise de situações variadas de uso da língua (FIORIN, 2016; JAKOBSON, 2010).
Considerando a enunciação e os elementos constitutivos da comunicação, associe a Coluna 1 à Coluna 2. 

Coluna 1
1.Enunciador 2.Enunciatário. 3.Mensagem. 4.Código. 5.Canal.
Coluna 2

(__)Sistema de signos e convenções compartilhado pelos participantes e empregado na construção do que é comunicado.
(__)Sujeito discursivo responsável pela produção do dizer, identificado pelas marcas que sua posição deixa no enunciado, sem correspondência obrigatória com a pessoa que realiza o ato concreto de fala.
(__)Meio físico ou técnico utilizado para estabelecer o contato necessário à circulação do que é produzido entre os participantes. 
(__)Conteúdo organizado por signos e transmitido no processo comunicativo, constituindo aquilo que circula entre os participantes por determinado meio.
(__)Sujeito discursivo ao qual o dizer se dirige, considerado na organização do enunciado e nas escolhas realizadas por quem assume a posição de produção.

Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4352058 Linguística
Acerca dos propósitos gerais ou específicos do texto, é correto afirmar que o professor Júlio Araújo: 
Alternativas
Q4348683 Linguística
Students analyze a poster produced for a school water-saving campaign. It includes the sentence: "As the city campaign reminds us, 'Every drop counts.' At our school, every action counts too."
Analyze the assertions below.
I.The poster shows intertextuality and the presence of more than one discursive voice because it incorporates a statement from another campaign and recontextualizes it for a new communicative situation.
BECAUSE
II.Intertextuality and polyphony occur only when a text reproduces another source through an explicit and formally identified quotation.
Choose the correct alternative.
Alternativas
Q4348226 Linguística
Históricamente, la enseñanza de lenguas adicionales ha pasado de un enfoque formalista basado en enunciados descontextualizados al debate contemporáneo centrado en los géneros discursivos. Lea las siguientes afirmaciones y considérelas desde la perspectiva de la Lingüística Aplicada Crítica. 

I - Llamamos géneros discursivos a los enunciados más o menos estables, que se constituyen dentro de las diversas prácticas sociales y con finalidades lingüísticas y comunicativas específicas.
II - Al tratar los géneros discursivos como prácticas sociales e ideológicas, la enseñanza trasciende la técnica. Se cuestiona el acceso a los distintos géneros, cómo determinados géneros contribuyen al mantenimiento del poder y cómo los estudiantes pueden usar el lenguaje para resistir y ejercer su agencia.
III - Los géneros discursivos son instancias dinámicas y fluidas que se transforman según los cambios en las prácticas sociales, permitiendo la mezcla de estilos y la constante renegociación de sentidos entre el autor y su audiencia.

¿Cuáles caracterizan correctamente el constructo de género discursivo? 
Alternativas
Q4337364 Linguística
Students compare two messages about the same school event.

Text A: "The science laboratory will remain closed on Friday while ventilation equipment is being inspected. Scheduled activities will take place in Room 18."

Text B: "Lab's shut Friday - Room 18 instead. Tell your group!"

Source: Original texts prepared exclusively for this assessment.

Considering genre, audience, register, and communicative situation, select the appropriate interpretation.
Alternativas
Q4334816 Linguística

Leia o texto a seguir e responda à questão.



Texto II



Como escrita à mão beneficia o cérebro e ganha nova chance em escolas



    A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão novamente tendo de aprender a escrever em letra cursiva.

    Essa escrita à mão havia saído do currículo californiano em 2010, mas agora está de volta — movimento semelhante ao que ocorre em mais de 20 Estados americanos, em diferentes graus.

    A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis do caderno — chegou a ser vista como uma técnica moribunda nos EUA.

    Agora, a decisão na Califórnia reacende debates educacionais e científicos a respeito do valor da escrita à mão, bem como dos benefícios ao cérebro e das implicações globais se essa técnica acabar caindo no esquecimento.

    A neurocientista Claudia Aguirre, que mora na Califórnia, diz que "mais e mais pesquisas sustentam a ideia de que escrever letras em cursivo, especialmente em comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem".

    Karin James, professora de Ciências Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana (EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6 anos.

    Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento da leitura.

    Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger (Universidade de Washington), também mostrou que a escrita cursiva, os materiais impressos e a digitação usam funções cerebrais relacionadas, porém diferentes.

    Além disso, no caso da digitação em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos para qualquer tecla de letra. Como consequência, se apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão a chance de desenvolver habilidades obtidas ao compreenderem e dominarem a capacidade de escrever.

    Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da cursiva a alunos de primeiro ano pode melhorar as habilidades de leitura.

    A despeito disso, o ensino da letra cursiva para crianças pequenas vinha se tornando mais raro. Em vários países, essa técnica não é mais obrigatória.

    Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz desafios aos professores.

    "Mais de 20 Estados acrescentaram a suas diretrizes educacionais a exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos", explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretora-executiva do Colaborativo de Escrita à Mão, organização que ensina boas práticas nessa área. "Mas essa exigência não é imposta nem recebe financiamento, então o ensino da escrita à mão não é endereçado de forma consistente."

    Dessa forma, professores californianos terão agora de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.

    Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como benéfica, num momento pós-pandemia em que se buscam formas de ensinar habilidades que reduzam a dependência das telas entre crianças.

    "Temos visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos estão tendo dificuldades na escola, que não foram ensinados a escrever porque usam principalmente computadores e outros aparelhos", diz Kelsey Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).

    A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na Europa Ocidental, em particular em países como Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. [...]

    O Canadá tentou descartar a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023. O Ministério de Educação da província de Ontário restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora está virando uma espécie de laboratório para outras regiões que tentam entender quais as melhores práticas para esse ensino, quanto tempo devem durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.

    Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas ressaltam que não há lado negativo em aprender letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente causais, alguns educadores temem que o abandono da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos em sua capacidade de ler textos.

    Além disso, o mero ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado de palavras.

    "É importante achar um equilíbrio para garantir que os alunos tenham habilidades que sejam obtidas sem o uso da tecnologia", opina a especialista Voltz-Poremba.



Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c88n5klj0peo. Texto adaptado. Excerto. Acesso em 03/06/2026

O texto afirma que não há necessariamente uma relação causal entre escrever à mão e melhoria na leitura. Contudo, apresenta, ao longo de toda a sua extensão, diversas pesquisas que associam as duas práticas. Essa aparente tensão revela uma estratégia discursiva que consiste em:
Alternativas
Q4333213 Linguística
“A ______________ ultrapassa os limites da frase e busca compreender o que está envolvido na estruturação do texto, oral ou escrito, e o que faz pessoas diferentes produzirem textos diferentes. Rompe com o conceito de língua como sistema e introduz a noção de sujeito e de situação de produção, considerando a língua como discurso.”. A partir dos estudos linguísticos, pode-se dizer que preenche o espaço acima o campo de estudo apontado em:
Alternativas
Q4309146 Linguística
De acordo com Bakhtin, os três elementos do gênero discursivo são: 
Alternativas
Respostas
1: A
2: C
3: D
4: A
5: E
6: C
7: A
8: B
9: C
10: C
11: E
12: C
13: A
14: B
15: C
16: E
17: B
18: D
19: C
20: C