Questões de Concurso
Sobre história geral em história
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(…) Essas são as histórias contadas por persas e fenícios. Eu mesmo não tenho nenhuma intenção de afirmar que esses eventos ocorreram dessa ou daquela maneira. Mas eu sei quem foi o primeiro homem a cometer atos injustos contra os gregos. Eu o identificarei e então prosseguirei com minha história, falando igualmente das cidades grandes e pequenas dos homens. Pois muitos estados que foram grandes uma vez agora se tornaram pequenos e aqueles que eram grandes na minha época tinham sido pequenos antes. Sabendo, portanto, que a prosperidade humana nunca continua no mesmo lugar, eu mencionarei ambos igualmente. (…)
HERÓDOTO. História. I, 5. Brasília: UnB, 1993.
Analise as afirmativas abaixo em relação ao assunto.
1. Cada historiador grego da antiguidade poderia expressar os aspectos elencados acima de forma diferente, de acordo com seu próprio pensamento, estilo e propósito.
2. Cada historiador grego da antiguidade poderia expor suas opiniões e suas razões de uma forma específica, ciente de que estava se dirigindo a uma audiência crítica que testaria suas opiniões em relação a outras opiniões, princípios e ideias.
3. Cada historiador grego da antiguidade, na sua própria maneira, tentaria criar um espaço privilegiado que legitimasse seu direito de falar e de ser ouvido.
4. Os comentários de Heródoto sobre a plausibilidade dos eventos que está narrando e as críticas acerca da confiabilidade de suas fontes são fornecidos para a audiência como um convite para que ela própria se torne crítica e participe de sua jornada investigativa, tal como quando ele se recusa a escolher entre versões alternativas.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Werner Jaeger, autor do clássico “Paideia: A formação do homem grego”, refere-se à educação grega nos tempos de Homero; fala de um código de nobreza cavalheiresca, regendo a vida do “homem nobre que, na vida privada como na guerra, rege-se por normas certas de conduta, alheias aos comuns dos homens.” (JAEGER, 1986, p. 20). Nesse sentido, como princípio formativo da Paidéia grega, o conceito de Arete referia-se, em termos gerais, a um ideal de excelência humana, o qual deveria ser alcançado nas diferentes ações desenvolvidas pelos homens.
O sentido do dever é, nos poemas homéricos, uma característica essencial da nobreza, que se orgulha por lhe ser imposta uma medida exigente. A força educadora da nobreza reside no fato de despertar o sentimento do dever em face do ideal, que deste modo o indivíduo tem sempre diante dos olhos.
JAEGER, Werner. Paideia: A formação do homem grego. São Paulo:
Martins Fontes, 1986. p.20.
Analise as afirmativas abaixo em relação ao assunto.
1. O homem grego primitivo cultivava a “ânsia de se distinguir e a aspiração à honra” - era aí que começava o valor: “honrar os deuses e os homens pela sua Arete”.
2. Arete e Paideia são conceitos inseparáveis na cultura helênica, ambos os conceitos tratam de um ideal utópico a ser alcançado; no entanto, são impraticáveis.
3. Os conceitos Arete e Paideia evoluíram com o tempo, mas conservando sempre os sentidos de nobreza e de formação.
4. Os conceitos Arete e Paideia assinalavam uma
educação de espectro integral e tridimensional, a qual visava a formação harmônica entre
mente, corpo e coração (uma formação intelectual, física e virtuosa).
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
De certo modo, o passado já não nos dizia e precisava ser reinterrogado a partir de novos olhares e problematizações, por meio de outras categorias interpretativas, criadas fora da estrutura falocêntrica especular.
Margareth Rago. Epistemologia feminista, gênero e história. In: Joana Pedro e Mirian Grossi (Org.). Masculino, feminino, plural. Florianópolis: Mulheres, 1998. (com adaptações).
A respeito do tema tratado no fragmento apresentado, assinale a opção correta.
Adaptado de BOEING, R.; ABREU, R. “Memória e música nas tradições expressivas do Congado mineiro”, in Portuguese Literary & Cultural Studies, 2021.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre a relação de alteridade estabelecida pelos congadeiros com o passado colonial.
I. Na ação cultural dos congadeiros, a alteridade afrodescendente é positivada e torna-se oportunidade de manifestação de memórias e experiências da riqueza da própria herança cultural e da força de sua resistência sociopolítica.
II. As tradições expressivas do Congado reinterpretam o catolicismo com base em um sistema de crenças e cosmovisão próprios das culturas da África Centro-Ocidental, presentes nas estruturas rituais e elementos simbólicos.
III. Nos cantos, ritmos e danças que louvam Nossa Senhora do Rosário e demais entidades, os congadeiros afirmam a sua interpretação do mundo e do passado colonial brasileiro, reelaborando simbolicamente a escravidão, o racismo e as desigualdades sofridas.
Está correto o que se afirma em
“Com a nova configuração cultural aberta pela Revolução Francesa, o discurso patrimonial se confundiu com a luta contra o vandalismo e se tornou um compromisso para a manutenção do status quo. Na operação de apagamento da cultura do Antigo Regime, mediante a eliminação de seus objetos de memória e civilidades, configuram-se novas relações com a coletividade, ao longo do século XIX, marcadas pelo predomínio do vínculo da nação com a conservação. A maioria dos objetos ‘que contam’, e cuja beleza pertence a todos torna-se a encarnação do ‘espírito’ de uma coletividade particular. Ao longo do século XX, a noção de conservação engaja claramente uma representação da historicidade: o princípio de precaução contém uma conservação dita ‘preventiva’ definida de forma estrita, enquanto as reflexões administrativas não cessam de afirmar que o patrimônio é ‘um presente do passado’.”
Adaptado de POULOT, D. “A razão patrimonial na Europa, do século XVIII ao XXI”, in Revista do Patrimônio, IPHAN, 34, 2012, p. 31-32.
As afirmativas a seguir descrevem corretamente os sentidos atribuídos ao gesto patrimonial na tradição ocidental, a partir das considerações de Dominique Poulot, à exceção de uma. Assinale-a.
Georges Duby. Introdução. Idade Média, idade dos homens. Do amor e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
A questão historiográfica que inquietou o autor, e o princípio metodológico utilizado para responder a ela são, respectivamente:
Fonte 1
“Deixai para lutar contra os infiéis os que outrora combatiam impiedosamente os fiéis, em guerras particulares... Deixai [ir] os que são ladrões, para se tornarem soldados. Deixai [viajar] aqueles que outrora se bateram contra seus irmãos e parentes, para lutarem contra os bárbaros... Deixai [participar do movimento] os que outrora foram mercenários [soldados que lutam em troca de pagamento], muito mal remunerados, para que recebam a recompensa eterna [...].” Papa Urbano II, In: HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. São Paulo: Zahar, 1979. p. 28
Fonte 2
“O cristianismo, tal como era ensinado por Jesus e pelo Novo Testamento (o Evangelho), era uma religião pacífica. Entre os primeiros cristãos, muitos foram perseguidos pelos romanos porque não queriam ir à guerra. Mas, à medida que se tornavam cristãos, os bárbaros introduziram seus costumes guerreiros no cristianismo. Achava-se que a fé podia e até mesmo devia ser imposta, não pela missão ou pela predicação, mas pela força. Houve também o exemplo dos muçulmanos que conquistaram a Espanha no século IX, a quem o Alcorão ensinava, em certos versículos que, para converter, podia-se recorrer à guerra: era o princípio da “jhad” (“guerra santa”) militar. A Europa cristã também se converteu à guerra religiosa, a partir do século XI”. LE GOFF, Jacques. A Idade Média: explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007. p. 86-87.
Sobre as evidências apresentadas pelos textos para a problematização histórica da guerra medieval, julgue as afirmações a seguir.
I - O autor da fonte primária exorta os líderes militares, anteriormente os únicos guerreiros, a integrar ao exército combatentes originários de diferentes grupos sociais no século XI;
II - A fonte secundária indica a permanência das mesmas motivações para a guerra ao longo do tempo, principalmente em diferentes culturas no século XI;
III - As fontes mostram que, no século XI, as motivações, os objetivos e a origem social dos combatentes mudaram o sentido da guerra;
IV - A fonte secundária indica a introdução de costumes diversos como fator de mudança na natureza social e cultural da guerra.
Estão corretas as afirmações que indicam evidências para a problematização histórica da guerra: (A) (B) (C) II e III, apenas. (D) II, III e IV, apenas. (E) II e IV, apenas.
Fonte 1
“[...] Assim falou Péricles. Os atenienses, considerando que ele os estava aconselhando da melhor maneira, votaram como ele pediu e responderam aos lacedemônios de conformidade com sua sugestão quanto aos detalhes, tais como ele os apresentou, e afirmando, quanto ao conjunto, que nada fariam sob compulsão; de acordo com o tratado, estavam prontos a resolver todas as pendências mediante a arbitragem, em base justas e em termos de igualdade. Em seguida, os membros da missão regressaram à sua terra e nenhuma outra foi enviada posteriormente.”
Adaptado de: Tucídides. História da Guerra do Peloponeso – I; 139-146.
Fonte 2
“[...] Quando seus navios foram armados, os jônios apresentaram-se acompanhados pelos eólios que vivem em Lesbos. O total de todas as esquadras atingia 353 embarcações. Tal era a frota dos jônios. Do lado dos bárbaros o número de navios era de 600. Quando sua frota chegou às costas milésias e todo seu exército de terra estava ali, os generais persas informados do número de navios jônios temeram ser incapazes de vencer e tomar Mileto, já que não dominavam o mar – o que lhes fazia correr o risco de fracassar, atraindo sobre eles a cólera de Dario. Estas considerações levaram-nos a convocar os tiranos da Jônia que Aristágoras de Mileto expulsara do poder, e que se haviam refugiado no país dos medos. Eles então faziam parte do exército que atacava Mileto.” Adaptado de Heródoto. Histórias. – VI; 6-12,14,15 18-20.
Fonte 3
“Eu canto as armas e aquele herói que, Banido pelo destino, Foi o primeiro que veio de Tróia À Itália e às margens do Lavínio. Esse herói foi bastante sacudido Em terra e no alto mar Pela força dos deuses do céu, Por causa do ressentimento da cruel Juno; E sofreu muito com a guerra Até que fundou uma cidade E introduziu seus deuses no Lácio, Donde saíram a raça latina E as muralhas da altiva Roma.” Adaptado de: Virgílio – Eneida, Livro I
As fontes 1 e 2 foram produzidas no século V a. C., e a fonte 3 no século I. Considerando essas informações e aquelas como a identificação dos autores e os títulos de cada obra, assinale a alternativa que apresenta corretamente o contexto amplo no qual cada uma foi produzida.
"O imperialismo é filho da industrialização. Nos países ricos, onde o capital abunda e se acumula rápido, onde a indústria se expande de modo constante, ( ... ), onde a agricultura inclusive deve mecanizar-se para sobreviver, as exportações constituem um fator essencial para a prosperidade pública e as oportunidades para o capital e a demanda de mão-deobra refletem a magnitude do mercado externo."
Jules Ferry, Primeiro-Ministro da Franga na década de 1880. Citado por CLOUGH, S. B. e MOODIE, C. G., História Econômica de Europa, Editorial Paidos, pag. 167.. In: AQUINO, R. S. L. de. História das sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais.
I. A expansão de mercados em regiões da Ásia passou, necessariamente, pela superação de barreiras aduaneiras locais; na Índia, esse processo foi marcado pela Revolta dos Sipaios de 1857, quando, sob a liderança sultão Bahadur Shahsendo, soldados indianos ao serviço da Companhia Britânica das Índias Orientais conseguiram suprimir os grupos monopolísticos franceses e chineses que controlavam, sob forte inspiração mercantilista, o comércio local.
II. Diferentemente do colonialismo dos séculos XV ao XVIII, que dependia menos de intercâmbio de matériasprimas e manufaturados entre o Novo e Velho Mundo do que da circulação de moedas, o imperialismo dos séculos XIX e XX orientava-se sobretudo pela busca de mercados consumidores por onde pudessem escoar os produtos industrializados das potências europeias.
III. Processo puramente econômico, sinalizador do processo de acentuada financeirização das economias globais, as incursões dos países europeus na África, Ásia e América Latina prescindiram de justificativas civilizatórias e filantrópicas que, em outros contextos, como o do tráfico atlântico de escravos, forneceram o aporte ideológico para a legitimação da ação europeia.
IV. A abertura do Japão ao imperialismo ocidental foi realizada pelos Estados Unidos, quando, em 1854, uma esquadra comandada por Matthew Perry obrigou o Xogum a conceder aos norte-americanos o direito de comerciar através de portos de Shimada e de Hakodate.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: