Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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Nesse sentido, cabe
Seu livro O Retorno de Martin Guerre, de 1983, gerou muitos debates e, ao lado de Montaillou, de Le Roy Ladurie, e O Queijo e os Vermes, de Ginzburg, tem sido elogiado como pertencente à tradição pós-modernista em historiografia. Concorda com essa visão? (Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke. As muitas faces da história – Nove entrevistas)
Essas três obras têm em comum a tendência historiográfica
A “proposta atual de História Política”, segundo Janotti,
Na opinião de Robert Darnton, autor dessas reflexões, o trabalho do historiador precisa ser:
“O presente passou a explicar-se a partir de si mesmo. O perigo de ignorar o passado público pode também acarretar a perda da visão dialética da História e da vontade política que leva à crítica e à construção de projetos futuros.”
Segundo a autora,
De acordo com a posição do autor Peter Burke, o historiador deve
Considere o texto abaixo.
Se concluímos que não existe um fato histórico eterno, mas existe um fato que consideramos hoje um fato histórico, é fácil deduzir que o conceito de documento siga a mesma lógica. Fato e documento histórico demonstram nossa visão atual sobre o passado, num diálogo entre a visão contemporânea e as fontes pretéritas.
(KARNAL, Leandro e TATSCH, Flávia G. “Documento e história: a memória evanescente”. In: PINSKY, Carla e LUCA, Tania de (orgs).O historiador e suas fontes. São Paulo, Contexto, 2009, p. 13)
Segundo o texto,
O objetivo primeiro do conhecimento histórico é a compreensão dos processos e dos sujeitos históricos, o desvendamento das relações que se estabelecem entre os grupos humanos em diferentes tempos e espaços. Os historiadores estão atentos às diferentes e múltiplas possibilidades e alternativas apresentadas nas sociedades, tanto nas de hoje quanto nas do passado, que emergiram da ação consciente ou inconsciente dos homens; procuram apontar para os desdobramentos que se impuseram com o desenrolar das ações desses sujeitos. (BEZERRA, Holien Gonçalves. Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. In. KARNAL, Leandro (Org). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo, 2007. p. 42)
Com relação à definição de conhecimento histórico de Bezerra (2007), o papel o historiador está corretamente sintetizado em:
Quanto ao uso da memória nos estudos históricos, analise as afirmações seguintes.
I - A memória é a lembrança pessoal de um tempo no qual se comemoram eventos.
II - A memória coletiva é o maior interesse na história porque traz uma leitura sobre o tempo vivido.
III - A técnica da história oral faz parte dos estudos da história do tempo presente.
IV - A oralidade foi incorporada pela história na corrente positivista.
V – A oralidade é um recurso pedagógico das aulas de história somente do ensino médio.
VI – História e memória são pensadas principalmente em relação ao patrimônio histórico-cultural.
Estão corretas:
I- No início do século XX, o conceito de história foi pautado na corrente metodológica positivista. II- É a ciência que estuda somente os fatos políticos de uma sociedade. III- A nova história utiliza, como método, ação e reação para analisar os fatos históricos. IV- Na história social, história é a ciência que estuda a ação do homem no tempo. V- No final do século XX, a nova história chegou ao Brasil, modificando as aulas de história. VI -História é a ciência que estuda o passado para compreender o presente e modificar o futuro.
Estão corretas:
Relativamente às transformações pelas quais passou a produção e a escrita do conhecimento histórico a partir das primeiras décadas do século XX, julgue o item seguinte.
O historiador britânico Eric Hobsbawm, que
encontrou no materialismo histórico o suporte
teórico‐metodológico para a elaboração de sua obra,
notabilizou‐se pela publicação de livros referenciais para
a compreensão da contemporaneidade (séculos XIX
e XX).
Relativamente às transformações pelas quais passou a produção e a escrita do conhecimento histórico a partir das primeiras décadas do século XX, julgue o item seguinte.
É provável que as circunstâncias que envolvem a
civilização contemporânea expliquem o fato de que, na
atualidade, historiadores sejam chamados,
crescentemente, a atuar nos mais diversos meios de
comunicação social, como rádio, televisão, jornais e
revistas.
Relativamente às transformações pelas quais passou a produção e a escrita do conhecimento histórico a partir das primeiras décadas do século XX, julgue o item seguinte.
Uma característica marcante da nova história, na esteira
das inovações trazidas pela Escola dos Anais, foi o radical
afastamento da história em relação às demais ciências
humanas e sociais.
A conhecida expressão “toda história é contemporânea” sepulta a ideia de ser o passado objeto de investigação por parte do historiador.
Leia atentamente o seguinte excerto e
responda à questão.
“Pois parece que os colcos são egípcios. Digo isso porque eu mesmo compreendi isso primeiro ou porque ouvi isso de outros; quando tive isso no meu pensamento, perguntei a ambos os povos, e os colcos recordavam mais dos egípcios do que os egípcios dos colcos; e os egípcios disseram que consideravam que os colcos eram os homens do exército de Sesóstris. E eu mesmo comparei as seguintes coisas: também porque eles têm suas peles negras, cabelos crespos (e isso não leva a lugar nenhum; pois são semelhantes aos outros povos), mas há o seguinte, que é o mais importante, porque somente os colcos, os egípcios e os etíopes dentre todos os homens são os que praticam, desde a sua origem, a circuncisão de suas partes pudendas. E ainda os fenícios e os sírios, os que são da Palestina, também estes concordam que aprenderam esse costume com os egípcios, e os sírios, dos que habitam o território em torno do Rio Termodonte e Partênio, também os macrônios, que são vizinhos desses povos, dizem que, recentemente, aprenderam esse costume com os colcos. Pois esses são os únicos dentre os homens que praticam a circuncisão, também estes tornam evidente que praticam isso conforme as práticas dos egípcios. E, dentre os egípcios e os etíopes, não posso dizer que aprenderam esta prática um com o outro; pois de fato, é um costume que parece ser antigo. E compreendi a partir disso que essa prática existe por causa das relações mantidas entre eles, uma grande prova disso para mim está no seguinte: nenhum dos fenícios, que tiveram contato com os helenos, imitam os egípcios quanto à circuncisão das partes pudendas, mas também dentre os seus descendentes, eles não praticam a circuncisão das suas partes pudendas.”
Heródoto. Histórias. Livro II – Euterpe. Tradução Maria Aparecida de Oliveira Silva, São Paulo: Edipro, 2016, p. 80-81.