Questões de Concurso
Sobre aspectos da filosofia contemporânea em filosofia
Foram encontradas 212 questões
Durante uma aula sobre Sartre, os estudantes afirmam que, se o ser humano é livre, então a presença dos outros não tem qualquer relevância para sua existência. O professor percebe que a turma ainda não compreendeu adequadamente a relação entre liberdade e alteridade no pensamento do filósofo e decide aprofundar essa explicação.
Considerando os aspectos do pensamento de Sartre que devem ser esclarecidos, analise os itens a seguir.
I. Confirmar a conclusão da turma, definindo a liberdade como a plena independência do sujeito em relação aos demais.
II. Analisar uma situação em que alguém, surpreendido sob o olhar alheio, descobre-se também como objeto para outrem.
III. Mostrar que a presença do outro afeta o modo como o sujeito se apreende, sem por isso suprimir sua liberdade.
Assinale a opção que identifica os itens compatíveis com a intervenção pedagógica do professor.
“Nascido em 1902, estudante de Matemática, Física e Filosofia na Universidade de Viena, Popper manteve contatos estreitos com os membros do Círculo [de Viena], sofrendo influência principalmente de Carnap, o que não impediu que recusasse muitas das teses mais características do Empirismo Lógico”. Luís dos Santos in POPPER, Karl. A lógica da investigação científica. Tradução de Pablo Mariconda e Paulo de Almeida. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. VI.
Na perspectiva de Karl Popper, o que distingue teorias científicas das pseudocientíficas é:
I. O termo Antropoceno mantém uma distância produtiva em relação à ideia de “Homem”, que é uma construção moderna. “Homem” não significa apenas humanos, mas um tipo específico de ser formulado pelo Iluminismo e por processos de modernização e regulação estatal. Foi esse “Homem” que produziu o estado atual do mundo. Incorporar essa dimensão no termo Antropoceno pode permitir refletir sobre a contradição de buscar soluções no mesmo agente que produziu os problemas. Compartilho das preocupações quanto ao Antropoceno como uma forma de arrogância de que o mundo atual seria resultado da ação de uma única espécie. Ao mesmo tempo, o conceito contém uma contradição produtiva que pode ser explorada. Justamente por ainda ser múltiplo e indefinido, o Antropoceno mantém um potencial.
Adaptado de TSING, Anna. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene. Ethnos, vol. 81:3, 2016, p. 541.
II. Designar o período atual como Antropoceno significa dizer a todas as demais disciplinas que a tarefa de articular “antropologia física” e “antropologia cultural” já não é mais exclusiva da antropologia. Todos estão agora convergindo para enfrentar a mesma experiência que a antropologia vivenciou desde o início do século XIX: como fazer coexistir ossos e divindades. Poder-se-ia objetar que não há motivo para entusiasmo diante da repetição do antigo e desgastado embate entre dimensões “físicas” e “sociais” na definição da evolução e da existência humana. Concordo. No entanto, o conceito de Antropoceno introduz um terceiro elemento com potencial para subverter esse quadro: ao afirmar que a agência humana se tornou a principal força geológica que molda a Terra, coloca-se a questão da responsabilidade.
Adaptado de LATOUR, Bruno. Anthropology at the Time of the Anthropocene - a personal view of what is to be studied. Lecture in American Association of Anthropologists, 2014, pp.3-4.
Com base nos trechos, assinale a opção que apresenta corretamente as interpretações dos autores sobre o conceito de Antropoceno.
Vladimir Safatle. Sobre vampiros e capital. Cult, 2023, apud Maria Lucia Arruda Aranha, Moderna Plus: Filosofia, São Paulo: Moderna, 2024, p. 115.
O exemplo apresentado por Safatle no texto precedente permite a problematização da inteligência artificial a partir da noção de imaginação técnica, que pode ser compreendida como
Leandro Calbente Câmara e Natália Leon Nunes. Filosofia por toda parte, São Paulo: FTD, 2024, p. 282 (com adaptações).
A partir do fragmento de texto precedente, é correto afirmar, de acordo com Sartre, que
(BERKOWITZ, Roger. Solidão total: Hannah Arendt e os fundamentos do totalitarismo. Cadernos Arendt, v. 2, n. 3, p. 113, 2021.)
A partir do texto, assinale a alternativa correta:
Leia o excerto a seguir:
"O homem nada mais é do que aquilo que faz de si mesmo. Tal é o primeiro princípio do existencialismo. É também o que se chama subjetividade, e é isso que nos acusam sob esse mesmo nome. Mas o que queremos dizer com isso senão que o homem tem uma dignidade maior do que uma pedra ou uma mesa? Pois queremos dizer que o homem começa por existir, encontra-se, surge no mundo, e só depois se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, se não é definível, é porque, no começo, ele não é nada. Ele só será depois, e será aquilo que fizer de si mesmo."
(SARTRE, J.-P. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural. Adaptado.)
A partir do excerto e considerando o conceito de "liberdade" em Sartre, analise as afirmativas a seguir:
I.A "liberdade", em Sartre, implica que o ser humano está condenado a construir a si mesmo por meio de suas escolhas, não possuindo uma essência pré-determinada.
II.A singularidade humana decorre da estrutura do "ser-para-si", que se caracteriza pela transcendência em relação à facticidade e pela abertura às possibilidades.
III.A condição humana, em Sartre, implica responsabilidade radical, uma vez que, ao escolher a si mesmo, o indivíduo projeta uma imagem de humanidade, conferindo dimensão ética à "liberdade".
É correto o que se afirma em:
"A ideia de que os brancos podem tudo e que os outros povos têm que se adaptar a esse mundo é uma violência permanente. Não somos todos iguais, e essa ideia de humanidade homogênea é uma ficção. Os povos indígenas têm outras formas de habitar a Terra, outras formas de se relacionar com a vida, com o tempo, com os rios, com as montanhas. Talvez seja hora de suspender o céu que está caindo sobre nós e reconhecer que existem muitos mundos dentro deste mundo. Adiar o fim do mundo é também reconhecer a pluralidade das existências e respeitar outras maneiras de viver."
(KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras. Adaptado.)
A partir do excerto e considerando a filosofia brasileira e latino-americana, especialmente no que se refere às perspectivas decoloniais e às cosmovisões indígenas, analise as afirmativas a seguir:
I.A crítica à ideia de humanidade homogênea implica reconhecer a pluralidade de modos de existência e questionar paradigmas universalizantes.
II.A cosmovisão indígena, conforme apresentada, propõe uma relação integrada entre seres humanos e natureza, rompendo com a separação moderna entre sujeito e objeto.
III.A perspectiva apresentada sustenta a superioridade epistemológica do pensamento ocidental como fundamento para o diálogo intercultural.
É correto o que se afirma em:
Hannah Arendt. A condição humana. 2007, p. 15.
Partindo do excerto acima e das ideias de Hannah Arendt, uma aula de filosofia na qual se problematizem os meios de produção e consumo, vinculando-os aos modos de vida, possibilita
Texto 5A2-V
Distanciemo-nos, enfim, do hábito de representar o elemento técnico apenas tecnicamente, isto é, a partir do ser humano e de suas máquinas. Ouçamos o apelo cujo alvo em nossa época não é apenas o ser humano, mas tudo o que é, natureza e história, sob o ponto de vista de seu ser.
Mas a que apelo nos referimos? Toda a nossa existência se sente — em toda parte, uma vez por diversão, outra vez por necessidade, ou incitada ou forçada — provocada a se dedicar ao planejamento e cálculo de tudo. O que fala nessa provocação? Ela emana apenas de um capricho arbitrário do ser humano? Ou nisso nos aborda já o próprio ente e justamente de tal modo que nos interpela na perspectiva de sua planificabilidade e calculabilidade? Então até mesmo o ser estaria sendo provocado a manifestar o ente no horizonte da calculabilidade? De fato. E não só isso. Na mesma medida que o ser, o homem é provocado, quer dizer, chamado à razão para abrigar em segurança o ente que se dirige a ele, como a base substancial de seu planificar e calcular, realizando indefinidamente essa exploração.
Martin Heidegger. O princípio da identidade. In: Conferências e escritos filosóficos.
Tradução de Ernildo Stein. São Paulo: Abril Cultural, 1973 [1957], p. 382 (com adaptações)
eorg Wilhelm Friedrich Hegel. Cursos de Estética, v. I. Tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo: EDUSP, 2001, p. 28.
Tendo como referência o fragmento de texto precedente e o contexto no qual ele aparece na obra de Hegel, assinale a opção correta.
Gadamer emprega o conceito de história efetiva para indicar os efeitos da história na compreensão. “A compreensão é, essencialmente, um evento efetuado historicamente.” Nossa consciência é, assim, uma consciência efetuada historicamente no sentido amplo que significa que, tenhamos consciência disso ou não, nossos preconceitos herdados sempre constituem o pano de fundo e a base a partir da qual compreendemos.
Lawrence K. Schmidt. Hermenêutica. Tradução de Fábio Ribeiro.
Petrópolis: Vozes, 2012, p. 153 (com adaptações).
A partir desse fragmento de texto, é correto afirmar que a concepção gadameriana do conceito de “história efetiva” refere-se
Texto 5A2-I
A crença na inspiração. Os artistas têm interesse em que se creia nas intuições repentinas, nas chamadas inspirações; como se a ideia da obra de arte, do poema, o pensamento fundamental de uma filosofia, caísse do céu como um raio de graça. Na verdade, a imaginação do bom artista ou pensador está produzindo sem parar, sejam coisas boas, medíocres ou ruins, mas o seu julgamento — altamente aguçado e exercitado — rejeita, seleciona, combina; como vemos nas anotações de Beethoven, que, aos poucos, juntou as melodias mais esplêndidas e de certo modo as retirou de múltiplos esboços. Quem separa menos rigorosamente e confia de bom grado na memória imitativa pode se tornar, em certas condições, um grande improvisador; mas a improvisação artística está muito abaixo do pensamento artístico selecionado com seriedade e dedicação. Todos os grandes foram grandes trabalhadores, incansáveis não apenas no inventar, mas também no rejeitar, escolher, remodelar e ordenar.
Friedrich Nietzsche. Humano, demasiado humano (aforismo 155). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2020 [1878], p. 111 (com adaptações).
Assinale a alternativa que apresenta a definição kantiana de gosto.
Nesse sentido, como Popper define a teoria científica?
Como Kuhn define ciência a partir dessa visão?
A velha marquesa de Quentin Massys (1466-1530). Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/36/Quentin_Matsys_-A_Grotesque_old_woman.jpg. Acesso em: 31 jan. 2026.
A pintura A Velha Marquesa (ou Uma Velha Grotesca), atribuída a Quentin Massys, retrata uma senhora idosa com traços exageradamente envelhecidos e vestimenta aristocrática, provocando no espectador uma reação ambígua que oscila entre o estranhamento, o humor e a contemplação estética.
Considerando-se os quatro momentos do juízo de gosto analisados por Kant na Crítica da Faculdade do Juízo, diante de uma obra como A Velha Marquesa, de Quentin Massys, o juízo sobre a pintura, para ser esteticamente puro, deve