Questões de Concurso
Sobre aspectos da filosofia contemporânea em filosofia
Foram encontradas 205 questões
I. O termo Antropoceno mantém uma distância produtiva em relação à ideia de “Homem”, que é uma construção moderna. “Homem” não significa apenas humanos, mas um tipo específico de ser formulado pelo Iluminismo e por processos de modernização e regulação estatal. Foi esse “Homem” que produziu o estado atual do mundo. Incorporar essa dimensão no termo Antropoceno pode permitir refletir sobre a contradição de buscar soluções no mesmo agente que produziu os problemas. Compartilho das preocupações quanto ao Antropoceno como uma forma de arrogância de que o mundo atual seria resultado da ação de uma única espécie. Ao mesmo tempo, o conceito contém uma contradição produtiva que pode ser explorada. Justamente por ainda ser múltiplo e indefinido, o Antropoceno mantém um potencial.
Adaptado de TSING, Anna. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene. Ethnos, vol. 81:3, 2016, p. 541.
II. Designar o período atual como Antropoceno significa dizer a todas as demais disciplinas que a tarefa de articular “antropologia física” e “antropologia cultural” já não é mais exclusiva da antropologia. Todos estão agora convergindo para enfrentar a mesma experiência que a antropologia vivenciou desde o início do século XIX: como fazer coexistir ossos e divindades. Poder-se-ia objetar que não há motivo para entusiasmo diante da repetição do antigo e desgastado embate entre dimensões “físicas” e “sociais” na definição da evolução e da existência humana. Concordo. No entanto, o conceito de Antropoceno introduz um terceiro elemento com potencial para subverter esse quadro: ao afirmar que a agência humana se tornou a principal força geológica que molda a Terra, coloca-se a questão da responsabilidade.
Adaptado de LATOUR, Bruno. Anthropology at the Time of the Anthropocene - a personal view of what is to be studied. Lecture in American Association of Anthropologists, 2014, pp.3-4.
Com base nos trechos, assinale a opção que apresenta corretamente as interpretações dos autores sobre o conceito de Antropoceno.
Jean-Paul Sartre. O existencialismo é um humanismo. 1978, p. 16, apud Gilberto Cotrim. Moderna superação: Filosofia. São Paulo: Moderna, 2021, p. 143 (com adaptações).
À luz do texto precedente, é correto afirmar que, segundo Sartre, um dos valores fundamentais da condição humana é
Leia o excerto a seguir:
"O avanço técnico-científico, ao ampliar a capacidade de intervenção humana sobre a realidade social, tende a deslocar decisões que afetam a coletividade para esferas especializadas, frequentemente inacessíveis ao debate público. Nesse contexto, torna-se fundamental assegurar que as normas e decisões sejam legitimadas não apenas por sua eficácia, mas por sua possibilidade de justificação racional em processos de comunicação livre de coerções."
HABERMAS, Jürgen. Adaptado.)
Considere a situação hipotética a seguir:
Sistemas de inteligência artificial vêm sendo incorporados à gestão educacional, incluindo avaliação de desempenho estudantil, definição de trajetórias formativas e alocação de recursos. Embora esses sistemas apresentem elevada capacidade de processamento de dados, surgem questionamentos quanto à opacidade dos critérios utilizados, à reprodução de vieses e à exclusão de professores e estudantes dos processos decisórios.
Assinale a alternativa que corretamente preenche a lacuna no excerto a seguir:
À luz da filosofia de Jürgen Habermas, a análise crítica desse cenário exige a retomada do/da __________ como fundamento da legitimidade, garantindo que as decisões possam ser discutidas, problematizadas e aceitas racionalmente pelos sujeitos envolvidos.
Hannah Arendt. A condição humana. 2007, p. 15.
Partindo do excerto acima e das ideias de Hannah Arendt, uma aula de filosofia na qual se problematizem os meios de produção e consumo, vinculando-os aos modos de vida, possibilita
Texto 5A2-V
Distanciemo-nos, enfim, do hábito de representar o elemento técnico apenas tecnicamente, isto é, a partir do ser humano e de suas máquinas. Ouçamos o apelo cujo alvo em nossa época não é apenas o ser humano, mas tudo o que é, natureza e história, sob o ponto de vista de seu ser.
Mas a que apelo nos referimos? Toda a nossa existência se sente — em toda parte, uma vez por diversão, outra vez por necessidade, ou incitada ou forçada — provocada a se dedicar ao planejamento e cálculo de tudo. O que fala nessa provocação? Ela emana apenas de um capricho arbitrário do ser humano? Ou nisso nos aborda já o próprio ente e justamente de tal modo que nos interpela na perspectiva de sua planificabilidade e calculabilidade? Então até mesmo o ser estaria sendo provocado a manifestar o ente no horizonte da calculabilidade? De fato. E não só isso. Na mesma medida que o ser, o homem é provocado, quer dizer, chamado à razão para abrigar em segurança o ente que se dirige a ele, como a base substancial de seu planificar e calcular, realizando indefinidamente essa exploração.
Martin Heidegger. O princípio da identidade. In: Conferências e escritos filosóficos.
Tradução de Ernildo Stein. São Paulo: Abril Cultural, 1973 [1957], p. 382 (com adaptações)
eorg Wilhelm Friedrich Hegel. Cursos de Estética, v. I. Tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo: EDUSP, 2001, p. 28.
Tendo como referência o fragmento de texto precedente e o contexto no qual ele aparece na obra de Hegel, assinale a opção correta.
Gadamer emprega o conceito de história efetiva para indicar os efeitos da história na compreensão. “A compreensão é, essencialmente, um evento efetuado historicamente.” Nossa consciência é, assim, uma consciência efetuada historicamente no sentido amplo que significa que, tenhamos consciência disso ou não, nossos preconceitos herdados sempre constituem o pano de fundo e a base a partir da qual compreendemos.
Lawrence K. Schmidt. Hermenêutica. Tradução de Fábio Ribeiro.
Petrópolis: Vozes, 2012, p. 153 (com adaptações).
A partir desse fragmento de texto, é correto afirmar que a concepção gadameriana do conceito de “história efetiva” refere-se
Texto 5A2-I
A crença na inspiração. Os artistas têm interesse em que se creia nas intuições repentinas, nas chamadas inspirações; como se a ideia da obra de arte, do poema, o pensamento fundamental de uma filosofia, caísse do céu como um raio de graça. Na verdade, a imaginação do bom artista ou pensador está produzindo sem parar, sejam coisas boas, medíocres ou ruins, mas o seu julgamento — altamente aguçado e exercitado — rejeita, seleciona, combina; como vemos nas anotações de Beethoven, que, aos poucos, juntou as melodias mais esplêndidas e de certo modo as retirou de múltiplos esboços. Quem separa menos rigorosamente e confia de bom grado na memória imitativa pode se tornar, em certas condições, um grande improvisador; mas a improvisação artística está muito abaixo do pensamento artístico selecionado com seriedade e dedicação. Todos os grandes foram grandes trabalhadores, incansáveis não apenas no inventar, mas também no rejeitar, escolher, remodelar e ordenar.
Friedrich Nietzsche. Humano, demasiado humano (aforismo 155). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2020 [1878], p. 111 (com adaptações).
Assinale a alternativa que apresenta a definição kantiana de gosto.
Nesse sentido, como Popper define a teoria científica?
Como Kuhn define ciência a partir dessa visão?
A velha marquesa de Quentin Massys (1466-1530). Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/36/Quentin_Matsys_-A_Grotesque_old_woman.jpg. Acesso em: 31 jan. 2026.
A pintura A Velha Marquesa (ou Uma Velha Grotesca), atribuída a Quentin Massys, retrata uma senhora idosa com traços exageradamente envelhecidos e vestimenta aristocrática, provocando no espectador uma reação ambígua que oscila entre o estranhamento, o humor e a contemplação estética.
Considerando-se os quatro momentos do juízo de gosto analisados por Kant na Crítica da Faculdade do Juízo, diante de uma obra como A Velha Marquesa, de Quentin Massys, o juízo sobre a pintura, para ser esteticamente puro, deve
Nesse contexto, assinale a alternativa que conceitua a Escola de Frankfurt.
I. Ambos rejeitam a ideia de que a ciência começa com observações neutras e generaliza indutivamente teorias. Para Popper, a observação é sempre orientada por teorias, e, para Kuhn, os paradigmas determinam o que é observado.
II. Para Kuhn, a ciência avança por um processo de conjecturas e refutações. Teorias são propostas, testadas e, se falseadas, substituídas por melhores.
III. Para Popper, a ciência alterna períodos de “ciência normal” (solução de quebra-cabeças dentro de um paradigma) com “crises” que levam a “revoluções científicas” (substituição de paradigmas).
verifica-se que está/ão correta/s
Foucault denomina esses dois tipos de poder, respectivamente, de