Questões de Concurso
Sobre a política em filosofia
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2023).
Sobre a Filosofia do Materialismo Histórico e Dialético, é CORRETO afirmar:
“O direito é ao mesmo tempo: um sistema de saber e um sistema de ação; ele pode tanto ser entendido como um texto repleto de proposições e interpretações normativas quanto como uma instituição, isto é, como um complexo de regulamentações da ação” (HABERMAS, Jürgen. Facticidade e validade. São Paulo: Unesp, 2020).
Habermas busca, em “Facticidade e validade”, solucionar o paradoxo da geração da legitimidade jurídica baseada na legalidade. Para realizar essa tarefa, o autor utiliza-se de uma:
“Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra” (ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007).
Considerando o trecho apresentado, são atividades humanas fundamentais que correspondem à condição humana da pluralidade e que, por conseguinte, constituem-se como a condição de toda vida política:
I. Labor.
II. Trabalho.
III. Ação.
Quais estão corretas?
“Não desconheço que muitos têm tido, e têm, a opinião de que as coisas do mundo são governadas pela fortuna e por Deus, de modo que a prudência dos homens não as poderia corrigir nem lhes ofertaria algum remédio. Dessa maneira, poder-se-ia pensar que ninguém deve se importar muito com elas, deixando-se simplesmente reger pela fortuna. Essa opinião é muito aceita na nossa época, pela grande variação das coisas, o que se percebe diariamente, fora de toda conjuntura humana. Em algumas ocasiões, quando considero o assunto, tendo a aceitá-lo. Apesar disso, e uma vez que nosso livre-arbítrio permanece, acredito poder ser verdadeiro o fato de que a fortuna arbitre metade de nossas ações, mas que, mesmo assim, ela nos permita governar a outra metade quase inteira” (MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Nova Cultural, 2000).
O trecho apresentado sintetiza a visão de mundo do autor, de modo a entender que:
“A ideia do socialismo é uma filha espiritual da industrialização capitalista. Ela nasceu quando ficou demonstrado que as suas exigências de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa não passavam de promessas vazias para uma grande parte da população, estando, portanto, muito longe de se concretizar na sociedade”(WOODCOCK, George. Os grandes escritos anarquistas. Porto Alegre: L&PM, 2019).
O anarquismo é uma das correntes socialistas surgidas após os eventos históricos que o historiador britânico Eric Hobsbawn definiu como a dupla revolução: de um lado, a Revolução Industrial, que se origina na Inglaterra ao fim do século XVIII; de outro, a Revolução Francesa, que irrompe no ano de 1789. Assinale a alternativa que apresenta apenas pensadores anarquistas.
“O término do Antigo Regime (ou das monarquias absolutistas) se consuma quando a teoria política consagra a propriedade privada como direito natural dos indivíduos, desfazendo a imagem do rei como marido da terra, senhor dos bens e das riquezas do reino, decidindo segundo sua vontade e seu capricho quanto a impostos, tributos e taxas” (CHAUÍ, Marilena. Iniciação à filosofia. São Paulo: Ática, 2014).
O trecho acima refere-se a um momento crucial do desenvolvimento histórico europeu, que teve repercussões no mundo inteiro. Considerando o fragmento, esse momento marca também o fortalecimento de uma corrente de pensamento ou escola filosófica que terá enorme impacto social ao longo de todo o século XIX. Essa corrente de pensamento é o(a):
I. Para ele, um bom líder deve se ater a duas constantes: virtude (virtú) e fortuna.
II. O ideal de um líder é ser amado (para manter a lealdade) e temido (para evitar desafios ou revoltas).
III. Enquanto as propostas políticas anteriores a ele buscavam uma abordagem realista e pragmática, Maquiavel buscava um ideal de política.
IV. Sua obra O Príncipe é considerada um manual de conselhos para governantes conquistarem e manterem o poder.
É correto o que se afirma em:
I. Arendt acredita que a liberdade é um conceito puramente individual e que as ações políticas não têm relevância na realização da liberdade humana.
II. No que diz respeito à educação, Arendt afirma que as crianças devem conhecer e se apropriar do legado que será entregue a elas. Nesses termos, ela sustenta que a educação, em princípio, se volte para o passado, introduzindo, assim, os mais novos em um mundo que os antecede e que é mais interessado em que eles.
III. Em seu livro Eichmann em Jerusalém, Arendt discorre sobre pensar, querer e julgar e constata que pode haver pessoas muito inteligentes que, contudo, não pensam. Conhecimentos e habilidades, ciência e tecnologia, podem, portanto, ser despojados da reflexão que procura compreender o sentido de atos e acontecimentos.
IV. Na obra A Vida do Espírito, Arendt distingue o pensar do conhecer e afirma que o pensar, em um sentido estrito, não diz respeito nem à ciência, nem à tecnologia.
V. Segundo Arendt, o pensar é algo como uma resposta às nossas experiências do mundo. Portanto, pensar parte da experiência concreta, mas necessita se distanciar de tal experiência para submetê-la à reflexão.
É correto o que se afirma em:
I. O pensador desenvolve o conceito de necropolítica para descrever a capacidade dos estados e de outras autoridades de ditar quem pode viver e quem deve morrer, utilizando a morte como uma forma de exercer o poder.
II. Mbembe nos diz que as experiências contemporâneas de destruição humana sugerem que é possível desenvolver uma leitura da política, da soberania e do sujeito diferente da herdada do discurso filosófico moderno. Logo, no lugar de considerar a razão e a verdade do sujeito, é possível olhar para outras categorias fundadoras menos abstratas e mais palpáveis, como a vida e a morte.
III. Segundo Mbembe, o conceito de necropolítica expressa a abolição de todas as formas de violência e a promoção de políticas exclusivamente pacifistas.
IV. Mbembe utiliza o conceito de necropolítica para descrever como os estados contemporâneos empregam tecnologias biológicas avançadas.
É correto o que se afirma em:
“Homens e adolescentes da geração Z são mais prováveis de achar que o feminismo é mais prejudicial do que benéfico para a sociedade, aponta pesquisa publicada nesta quinta-feira (1º/2) pelo Instituto Global para a Liderança das Mulheres da Universidade King's College de Londres. O estudo ouviu 3.716 pessoas acima de 16 anos, entre homens e mulheres de diferentes gerações.
De acordo com o levantamento, um a cada quatro homens britânicos entre 16 a 29 anos, faixa etária que forma a geração Z, acredita que é mais difícil ser homem do que mulher. Além disso, os homens da geração Z são os que mais acreditam que o feminismo fez mais mal do que bem para a sociedade — são 16%, contra 15% dos homens entre 30 a 59 anos e 13% de homens acima de 60 anos.”
STANGA, Isabela. Homens da geração Z acham feminismo mais prejudicial do que os das anteriores. Correio Braziliense, Brasília, 01 de fev. de 2024. Disponível em: <https://tecnoblog.net/responde/referencia-site-abnt-artigos/>. Acesso em: 20 mai. 2024.
O trecho dessa reportagem mostra como a discussão em torno do feminismo, bem como sua popularização entre os membros das gerações mais novas, têm levado a problematização sobre a questão da relação entre os gêneros no conjunto da vida social. Também aqui há muitos ruídos e desinformação sobre o significado e o sentido do Feminismo. Surgido no contexto do Iluminismo e das revoluções burguesas, o Feminismo
“Quem inventou a fome são os que comem.”
Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo. São Paulo, Ática, 2020.
Não é possível falar em democracia sem falarmos da cidadania e dos direitos cívicos e dos direitos sociais do cidadão. Uma das críticas à democracia brasileira é que esta tem aspectos formais que caracterizam uma sociedade democrática, mas é insuficiente em seus aspectos substanciais. Em seus aspectos político, social, econômico e jurídico, a democracia brasileira
“Examinemos, agora, mais além, como esse conceito de trabalho alienado deve expressar-se e revelar-se na realidade. Se o produto do trabalho me é estranho e enfrenta-me como uma força estranha, a quem pertence ele? Se minha própria atividade não me pertence, mas é uma atividade alienada, forçada, a quem ela pertence? A um ser outro que não eu. E quem é esse ser?”
MARX, Karl. Manuscritos Econômicos-Filosóficos. In: FROMM, Erich. O Conceito Marxista de Homem. 8ª ed., Rio de Janeiro: Zahar, 1983, p. 98.
O trecho de Marx citado tematiza a questão do trabalho alienado. A concepção de alienação em Marx tem várias interpretações. Entre essas, destaca-se a interpretação que considera a alienação como uma relação social. No trecho, Marx questiona quem é o "outro" como o qual o trabalhador se relaciona e nessa obra esclarece que este é a