Questões de Concurso
Comentadas sobre política, poder e estado em sociologia
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No mesmo sentido, no ensaio Brasil, país do futuro de quem?, Calligaris escreve o seguinte: “Se penetramos no Éden, foi como ladrões de frutas”. Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, define a posição do colonizador brasileiro com as palavras “colher o fruto sem plantar a árvore”, situando assim sua tipologia psicológica.” (CALLIGARIS, Contardo. Brasil, país do futuro de quem? IN: Hello, Brasil! E outros ensaios: Piscanálise da estranha civilização brasileira. São Paulo, Fósforo, 2021. Pág. 206)
As questões levantadas por Contardo Calligaris abordam aspectos relacionados à formação e, consequentemente, o tipo de estratificação social que se apresentam no Brasil. Essas mesmas questões também foram estudadas por sociólogos, como por exemplo o sociólogo alemão Max Weber. Muito embora em contextos diferentes, os conceitos weberianos também podem ser utilizados para entender a situação brasileira com relação à estratificação. Sendo assim, de acordo com as ideias weberianas sobre o tema, é correto afirmar que:
Considerando a interação entre os indivíduos, de acordo com a teoria simmeliana, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.
( ) Esses instintos podem ser os eróticos, religiosos ou simplesmente sociais; fins de defesa ou ataque, de jogo ou ganho, de ajuda ou instrução, esses e infinitos outros fazem com que o homem se encontre num estado de convivência com outros homens, com ações a favor deles, em conjunto com eles, contra eles, em correlação de circunstâncias com eles. ( ) A sociação é, assim, a forma, realizada de diversas maneiras, em que os indivíduos constituem uma unidade, dentro da qual se realizam em interesses. E é na base desses interesses – tangíveis ou ideais, momentâneos ou duradouros, conscientes ou inconscientes, impulsionados casualmente ou induzidos teleologicamente – que os indivíduos constituem tais unidades. ( ) Essas interações significam que os indivíduos, nos quais se encontram aqueles instintos e fins, foram por eles levados a se unirem, convertendo-se numa unidade, numa sociedade. ( ) Um Estado é uma unidade, porque entre seus cidadãos existe a correspondente relação de ações mútuas. Mais ainda, o mundo não poderia ser chamado de uno, se cada parte não influísse de algum modo sobre as demais, ou se em algum ponto se interrompesse a reciprocidade das influências.
Assinale a sequência correta
Sobre exemplos de IPs, analise as afirmativas, considerando-as verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas pelo executivo, buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas públicas, disponibilizadas em canais institucionais e que depois são transformadas em políticas públicas setoriais.
( ) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários, entre Estado e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais, contribuindo para o processo de democratização da gestão pública.
( ) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas entre Estado e a sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do orçamento público municipal. Apresenta-se em duas versões: presencial e digital.
( ) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos disponibilizados pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação de serviços, bem como receber demandas diversas.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
Segundo Santos e Avritzer (2005), “as novas democracias devem se transformar em novíssimos movimentos sociais, no sentido de que o estado deve se transformar em um local de experimentação distributiva e cultural. É na originalidade das novas formas de experimentação institucional que podem estar os potenciais emancipatórios ainda presentes nas sociedades contemporâneas. Esses potenciais, para serem realizados, precisam estar em relação com uma sociedade que aceite renegociar as regras da sua sociabilidade, acreditando que a grandeza social reside na capacidade de inventar, e não de imitar.”.
Fonte: SANTOS, B de S.; AVRITZER, L. Introdução: para ampliar o cânone democrático. In: SANTOS, B. de S. (org.). Democratizar a democracia: os caminhos da democracia participativa. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
Partindo dessa concepção, os autores propõem três teses para o fortalecimento da democracia participativa, que são:
I. Fortalecimento da demodiversidade.
II. Fortalecimento da teoria participativa.
III. Potencialização da democracia digital.
IV. Ampliação do experimentalismo democrático.
V. Empoderamento dos cidadãos a partir do compartilhamento do poder.
VI. Fortalecimento da articulação contra hegemônica entre o local e o global.
Está CORRETO o que se afirma em:
1. Dominação Carismática 2. Dominação Tradicional 3. Dominação Legal
( ) A autoridade é sustentada por uma fidelidade em que o governante é o patriarca ou o senhor, os dominados são os súditos e o funcionário é o servidor, como no patriarcalismo, por exemplo. ( ) A obediência não é prestada à pessoa, em virtude de direito próprio, mas à regra, reconhecida como competente para designar a quem e em que extensão se há de obedecer, como na burocracia, por exemplo. ( ) A obediência é obtida em função de qualidades pessoais e a autoridade é imposta graças a uma devoção afetiva que pode ser exemplificada pela crença em profetas ou pelo reconhecimento do heroísmo de líderes em batalha.
Assinale a opção que indica a sequência correta, na ordem apresentada.
São pertinentes ao conceito de microfísica do poder, em Foucault, EXCETO:
“O que torna a dominação de classe, ou o imperialismo, especificamente capitalista é a predominância da coerção econômica, que se distingue da coerção ‘extraeconômica’ – política, militar ou judicial – direta. Ainda assim não quer dizer, de forma alguma, que o imperialismo capitalista possa abrir mão da força extraeconômica. [...] Porque essa coerção opera não pela intervenção direta na relação entre capital e trabalho, [...] mas de forma indireta pela sustentação do sistema de compulsões econômicas, do sistema de propriedade e da operação dos mercados. Mesmo quando se aplica força direta na luta entre as classes – como quando a polícia prende grevistas – a natureza da transação tende a ser obscurecida pela neutralidade clara do poder coercitivo. [...] Hoje quando governos poderosos lançam operação militares contra outros mais fracos, somos levados a entender que a força não opera imperialmente, mas com ‘neutralidade’ no interesse da ‘comunidade internacional’.”
(WOOD, Ellen. O império do capital. São Paulo: Boitempo, 2014, p. 17-18).
A partir do excerto de Wood e com base no tema dominação social, é correto concluir que:
Denis Rosenfield, em seu livro O que é democracia, afirma que:
“A transformação da situação material da sociedade, se não vier acompanhada de uma efetiva democratização dos espaços ocupados pelo aparelho estatal, não modificará as condições políticas que tornaram essa modificação possível. Por exemplo: o direito ao voto, apesar de ser uma das mais importantes conquistas operárias do século XIX, pode se tornar um simples ritual, deixando intacta a estrutura política e social se ele não vier acompanhado de outras formas de intervenção política. [...] O descompasso entre manifestações de rua que exigem soberania popular e a apropriação pelo Estado dos mecanismos de decisão política, pode vir a gerar tanto uma efetiva democratização do país, como sua apropriação formal por uma elite política, sem falar na possibilidade de uma não-transição à democracia.”
(ROSENFIELD, Denis. O que é democracia. São Paulo: Brasiliense, 2003, p. 20-21.)
Tendo por base a reflexão de Rosenfield neste excerto e os conhecimentos sobre as relações políticas e Estado, pode-se concluir que:
Pierre Bourdieu redefine a famosa concepção de Estado moderno de Max Weber ao afirmar que o Estado é o “detentor do monopólio da violência simbólica legítima”.
(BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 146.)
Weber caracterizava o Estado moderno pelo fato de ser o detentor do monopólio legítimo do uso da força física.
Assinale a alternativa que identifica o fenômeno de formação do Estado moderno, sintetizada na definição de Bourdieu.
( ) No tipo de dominação carismática, a autoridade do líder carismático tem por base a devoção afetiva dos dominados e sua obediência por conta das qualidades pessoais atribuídas ao líder.
( ) Weber aponta a burocracia como o tipo mais puro da dominação carismática. O líder carismático institui leis que são seguidas por seus discípulos.
( ) No tipo de dominação tradicional, a autoridade do governante é estabelecida pela tradição. A obediência relaciona-se ao respeito por quem domina e pela fidelidade de súditos ou governados.
( ) Weber aponta o patriarcalismo como o tipo mais puro da dominação carismática. A autoridade do patriarca é estabelecida pelo afeto.
( ) No tipo de dominação racional-legal, a obediência não é dirigida a uma pessoa, mas às regras dispostas em um estatuto. É a regra que estabelece quem domina e quem são os dominados.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Na sociedade há milhares, milhares de relações de poder, e, por conseguinte, relações de forças, e assim, pequenos enfrentamentos, micro lutas por assim dizer.
(FOUCAULT, Michel. Poder e saber (entrevista a S. Hasumi). In: MARÇAL, Jairo (org.) Antologia de Textos Filosóficos. Curitiba: SEED-Pr, 2009. p. 239.)
Em relação ao texto e à concepção de poder em Foucault, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) O poder e a repressão estatal se dão via políticas públicas e vigilância constante dos cidadãos.
( ) A dialética do senhor e do escravo caracteriza as relações socioeconômicas das sociedades modernas.
( ) O poder não se dá via aparelhos estatais, mas no todo social, nas práticas concretas e cotidianas.
( ) Na modernidade, o poder é exercido de maneira mais sutil, no que é denominado “microfísica do poder”.
( ) O poder gera a acumulação de riquezas e exploração do trabalho, resultando nas desigualdades sociais.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.