Questões de Concurso
Sobre o nascimento da sociologia em sociologia
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“Cerca de 50 mil brasileiros são vítimas de homicídios dolosos, anualmente, dos quais apenas 8%, em média, são esclarecidos e um número bem menor chega a ser julgado e condenado. Portanto, a taxa de impunidade relativa aos crimes mais graves alcança o espantoso patamar de 92%. Somos o segundo país mais violento do mundo, considerando-se os números absolutos referentes aos crimes letais intencionais. Examinando o baixíssimo índice de esclarecimento, um observador poderia ser instado a deduzir que o Brasil é o país da impunidade. Não é verdade. Temos a terceira população prisional do mundo, abaixo apenas da China e dos Estados Unidos, e um dos mais velozes crescimentos da taxa de encarceramento do planeta: havia 160 mil presos em 1995; hoje, são 540 mil.” (SOARES, Luiz Eduardo. Raízes do imobilismo político na segurança pública.)
A respeito dos mecanismos que jazem na raiz do problema da segurança pública, é correto afirmar que:
“Hoje [São Paulo] é uma cidade feita de muros. Barreiras físicas são construídas por todos os lados: ao redor das casas, dos condomínios, dos parques, das praças, das escolas, dos escritórios... A nova estética da segurança decide a forma de cada tipo de construção, impondo uma lógica fundada na vigilância e na distância. (...) Presume-se que as comunidades fechadas sejam mundos separados. As mensagens publicitárias acenam com a promessa de ‘viver plenamente’ como uma alternativa à qualidade de vida que a cidade e seu deteriorado espaço público podem oferecer”. (CALDEIRA, Teresa. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana.)
“Mas existe um terceiro e mais importante motivo de preocupação com a crescente desigualdade na vida americana: um fosso muito grande entre ricos e pobres enfraquece a solidariedade que a cidadania democrática requer. Eis como: quando a desigualdade cresce, ricos e pobres levam vidas cada vez mais distintas. (...) Os mais ricos afastam-se dos logradouros e dos serviços públicos, deixando-os para aqueles que não podem usufruir de outro tipo de serviço. (...) O esvaziamento do domínio público dificulta o cultivo do hábito da solidariedade e do senso de comunidade dos quais depende a cidadania democrática”. (SANDEL, Michael. Justiça. O que é fazer a coisa certa.)
Estas passagens lançam luz sobre alguns dos efeitos perversos da desigualdade: o esgarçamento do sentimento de pertencer a uma mesma trajetória coletiva e o aumento da desconfiança intersubjetiva, com a segregação cívica e sua expressão no espaço público. Um terceiro efeito do aumento da desigualdade está relacionado a:
Considere os seguintes trechos de artigos, escritos a partir das manifestações que varreram as principais cidades brasileiras desde junho passado:
“Estamos diante de um verdadeiro divisor de águas na história do país, deixando para trás as formas anacrônicas do nosso sistema político, que vem hipotecando a expressão do moderno, cuja palavra chave é a autonomia dos seres sociais diante do Estado e do mercado, ao que há de mais retardatário em nossa sociedade. Não à toa ouve-se das ruas o clamor em favor da abertura da esfera pública à participação popular, até então mantida ao largo da deliberação das políticas públicas, capturadas pelo jogo de interesses de grupos econômicos e dos políticos que lhes servem”. (VIANNA, Luiz Werneck. “As mobilizações de junho e julho”.)
“Em termos muito singelos, o despotismo indireto é a representação política tornada incapaz de se exercer no interesse dos representados, mas voltada exclusivamente ao dos próprios representantes. No fundo, é o fracasso da ideia mesma de representação, que só teria como funcionar em nível adequado se gerasse, nas palavras certeiras de Nadia Urbinati, um “processo contínuo de circulação” entre sociedade e Estado, durante e entre os embates eleitorais. (...) Eis o ponto que gostaríamos de destacar: estamos falando de um conceito que resguarda o potencial semântico de lidar com experiências que vão além do campo do autoritarismo, podendo envolver regimes democráticos. Isto é, regimes que, apesar de conservarem os direitos e as liberdades democráticas típicas, além do sufrágio universal, têm suas práticas de representação degradadas por um processo sutil de autorreferencialidade, vale dizer, de fechamento para a voz dos representados.” (ARAÚJO, Cícero. “A representação política no Brasil e o despotismo indireto”.)
A reivindicação pela reforma do sistema representativo com vistas a abrir novos canais de participação popular na política esteve no cerne dos recentes protestos no Brasil.
No que diz respeito à possibilidade de sua implementação concreta, tal reivindicação pode ser considerada:
Leia com atenção as seguintes abordagens de análise do poder:
1) “Pode-se conceber o ‘poder’ – ‘influência’ e ‘controle’ são sinônimos úteis – enquanto capacidade de um ator fazer algo afetando outro ator, que muda o provável padrão de futuros acontecimentos específicos. Isto pode ser divisado mais facilmente numa situação de tomada de decisão”. (DAHL, Robert. Who Governs?)
2) “É claro que o poder é exercido quando A participa da tomada de decisões que afeta B. Mas o poder também é exercido quando A devota suas energias na criação ou no reforço de valores sociais e políticos e de práticas institucionais que limitam o escopo do processo político submetido à consideração pública de apenas aqueles temas que são comparativamente inócuos para A. Na medida em que A obtém sucesso em fazer isso, impede-se que B, para todos os propósitos práticos, leve a público quaisquer temas que possam em sua decisão ser seriamente prejudiciais para o conjunto de preferências de A”. (BACHRACH, Peter e BARATZ, Morton. Duas faces do poder.)
3) “Não é o supremo e mais insidioso exercício do poder evitar que as pessoas tenham qualquer tipo de queixas ao moldarem suas percepções, conhecimentos e preferências, de tal modo que aceitem seu papel na existente ordem das coisas, seja porque não possam ver ou imaginar alternativas para ela, ou porque a vejam como natural e imutável, ou porque a valorizem como divinamente ordenada e benéfica? Pressupor que a ausência de queixas equivale a um genuíno consenso, é apenas excluir a possibilidade de consenso falso, ou manipulado por decreto consensual”. (LUKES, Steven. O Poder.)
4) “Sendo esta a linha geral de análise, algumas precauções metodológicas impunham-se para desenvolvê-la. Em primeiro lugar: não se trata de analisar as formas regulamentares e legítimas do poder em seu centro (...). Segunda precaução metodológica: não analisar o poder no plano da intenção ou da decisão (...). Terceira precaução metodológica: não tomar o poder como fenômeno de dominação maciço e homogêneo de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre os outros, de uma classe sobre as outras (...). Quarta precaução metodológica: (...) fazer uma análise ascendente do poder: partir dos mecanismos infinitesimais que têm uma história, um caminho, técnicas e táticas e depois examinar como esses mecanismos de poder foram e ainda são investidos, colonizados, utilizados, subjugados, transformados, deslocados, desdobrados, etc., por mecanismos cada vez mais gerais e formas de dominação globais”. (FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder.)
Acerca destas diferentes maneiras de conceber e analisar a questão do poder, é correto afirmar que:
Com relação às características da Perspectiva Funcionalista da Sociologia, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) Estuda sistemas sociais como um todo, a forma como funcionam, como mudam e as consequências sociais que produzem.
( ) Os efeitos sobre o funcionamento e os valores do sistema só podem ser do tipo disfuncionais, ou seja, que interferem no sistema.
( ) Tem sido criticada por não priorizar o conflito e a mudança social e por supor que todos os aspectos dos sistemas sociais estão ligados às necessidades do sistema.
As afirmativas são, respectivamente,
(LOWI, Michel. Ideologias e Ciencia Social. Sao Paulo: Ed. Cortez, 2006, p. 38.)
Com base nas considerações do autor a respeito do positivismo, assinale V para a conclusão verdadeira e F para a falsa.
( ) Para o positivismo os métodos e procedimentos para conhecer a sociedade são os mesmo que são utilizados para conhecer a natureza.
( ) Para o positivismo a sociedade é regida por leis naturais e a ciência que estuda essas leis naturais da sociedade e do mesmo tipo que a que estuda as leis da Biologia ou da astronomia.
( ) Para o positivismo as ciências da natureza sâo ciências objetivas e explicativas, enquanto as ciências sociais são subjetivas e compreensivas.
As afirmativas são, respectivamente,
Assinale a opção que caracteriza corretamente esta lei, na perspectiva comtiana.
Em relação ao sistema de segurança pública brasileiro em vigor, desenvolvido a partir da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu um compromisso legal com a segurança individual e coletiva no país, é CORRETO afirmar:
A abordagem sociológica do crime tem produzido uma visão deste fenômeno por vezes bastante distinta da que é projetada pela sociedade em geral, que tende a perceber a criminalidade como uma das ameaças mais prementes ao que se considera ser o normal e esperado funcionamento da sociedade.
Da perspectiva sociológica de Émile Durkheim, o crime pode ser encarado das seguintes maneiras, EXCETO como
Em relação ao pensamento sociológico de Max Weber, NÃO é correto afirmar:
O contraste entre a sociologia positivista, na França, e o idealismo, na Alemanha, se expressa nas diferentes maneiras como cada uma dessas correntes da sociologia clássica percebe a história da humanidade.
Em relação ao idealismo, representado por Max Weber, é CORRETO afirmar:
Em relação ao pensamento social de Karl Marx, é CORRETO afirmar:
Na sociologia clássica, existem algumas definições para o conceito de classe social.
Para o filósofo alemão Karl Marx, classe social
Em relação ao pensamento sociológico de Émile Durkheim, NÃO é correto afirmar:
Em relação ao pensamento sociológico de Émile Durkheim, é CORRETO afirmar:
Analise as afirmações a seguir e assinale V ou F, conforme sejam verdadeiras ou falsas.
( ) Durkheim, no livro “Educação e Sociologia”, observa que a natureza da escola é de socialização secundária, sendo que a educação familiar é privilegiada para a inserção do indivíduo moderno no espaço público.
( ) Bourdieu e Passeron, no livro “A Reprodução: elementos para uma teoria do ensino”, expõem que a imposição de uma cultura está na base da educação e da autoridade de um ensino considerado legítimo.
( ) Athusser, em “Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado”, afirma que, no sistema capitalista, a escola é apresentada como um ambiente neutro e laico, mas que, na verdade, é um espaço onde se reproduzem as relações de produção de classe.
A alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é
Com base nas teorias sociológicas sobre o Estado, assinale V ou F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas
( ) Rousseau, o autor de uma teoria contratualista, afirma que o contrato social, que originou o Estado, teve caráter unânime e fundado na igualdade dos homens.
( ) Todas as comunidades e sociedades conhecidas no mundo contemporâneo se articulam com base na formação de um Estado.
( ) Segundo Durkheim, o Estado é uma instituição que surge apenas quando a vida social atinge um complexo grau de diferenciação.
( ) Para Weber, o Estado moderno é uma comunidade humana que reivindica o monopólio legítimo da violência física, dentro dos limites de um território.
A alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é