Questões de Concurso Sobre estratificação e desigualdade social em sociologia

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Q2087822 Sociologia

Observe a imagem a seguir:



(A mulher no mercado de trabalho: Representação da mulher atual. Disponível em: mulher-mercado-trabalho.blogspot.com.)

A partir dos anos 1990, principalmente com a ampliação do debate sobre globalização e seus efeitos, os estudos sobre gênero e trabalho se diversificaram ainda mais. Tendo em vista a análise do gráfico e a realidade brasileira ao longo do tempo em relação à democratização do mercado de trabalho e da sociedade, assinale a afirmativa correta.

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Q2087816 Sociologia
Castas na Índia
      Durante séculos, as castas ditaram todos os aspectos da sociedade indiana. Porém, nos anos 50, uma nova Constituição foi feita, proibindo que os dalits fossem discriminados e criando cotas para que as castas inferiores fizessem parte de cargos governamentais. Nesse momento, é rompido – supostamente – a cultura de segregação milenar na Índia. Porém, após 70 anos desse decreto, a violência provida deste sistema ainda é uma realidade que está longe de ser erradicada. Mesmo que nas últimas décadas, graças à urbanização e ao aumento do ensino laico nas escolas, cada vez mais é visto o casamento entre castas e a interferência tem diminuído um pouco. Ainda assim, o governo indiano garante que o sistema não existe mais no país, sendo que ele nunca de fato chegou ao fim e a esquerda indiana continua lutando para que a Constituição seja realmente aplicada. (Disponível em: https://falauniversidades.com.br/entenda-como-se-deu-ofim-das-castas-na-india. Acesso em: 09/01/23.)
Um dos problemas que se coloca, por excelência, à sociologia é o das diferenças sociais. Na concepção weberiana, elas podem ter vários princípios explicativos. Um dos critérios de classificação mais relevantes é dado pela dominância, em determinada unidade histórica, de uma forma de organização, ou pelo peso particular que cada uma das diversas esferas da vida coletiva possa ter. Em relação especificamente à questão das castas, Weber:
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Q2083832 Sociologia
A pobreza e a extrema pobreza têm efeitos terríveis para a dignidade das pessoas e, no caso de crianças e adolescentes, trazem consequências irreparáveis. A situação compromete irreversivelmente seu desenvolvimento, condenando-os ao estado perpétuo de vulnerabilidade. Crianças criadas em um ambiente de privação e violência não conseguem crescer, estudar e trabalhar, o que dificulta que se tornem adultos independentes, perpetuando o ciclo de pobreza.
Imagem associada para resolução da questão


A partir da análise do gráfico e dos estudos sobre a desigualdade social no Brasil, podemos concluir que:
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Q2063667 Sociologia
“Todo mundo sabe onde está colocada a honra da mulher. Não é segredo para ninguém que a honra da mulher, o seu caráter, o seu idealismo, a sua consciência, todos os sentimentos, enfim, que a distinguem da vaca ou da cadela, foram colocados, por convenção dos homens, justamente na parte do corpo que mais a aproxima desses animais. Os homens, no afã de conseguirem um meio prático de dominar a mulher, colocam-lhe a honra entre as pernas”.
Virgindade Anti-higiênica: Preconceitos e Convenções hipócritas, (1924).
O trecho exemplifica a produção intelectual de
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Q2063659 Sociologia
“Contra a ideologia carismática segundo a qual os gostos, em matéria de cultura legítima, são considerados um dom da natureza, a observação científica mostra que as necessidades culturais são o produto da educação. A pesquisa estabelece que todas as práticas culturais (frequência aos museus, concertos, exposições, leituras) e as preferências em matéria de literatura, pintura ou música, estão estreitamente associadas ao nível de instrução e, secundariamente, à origem social. A hierarquia socialmente reconhecida das artes - e, no interior de cada uma delas -, dos gêneros, escolas ou épocas, corresponde à hierarquia social dos consumidores. Eis o que predispõe os gostos a funcionar como marcadores privilegiados da ‘classe’”.
 Adaptado de BOURDIEU, Pierre. A Distinção. Crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre: Zouk, 2007, p. 9.
Do ponto de vista teórico-metodológico, as proposições de Pierre Bourdieu tiveram enorme impacto no uso da arte no ensino de sociologia, ao
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Q2063652 Sociologia
Em uma das primeiras aulas de sociologia no Ensino Médio, o docente propõe um exercício de desnaturalização da instituição escolar, partindo da leitura do trecho a seguir sobre a escola:
“É provavelmente por um efeito de inércia cultural que continuamos tomando o sistema escolar como um fator de mobilidade social, segundo a ideologia da “escola libertadora”, quando, ao contrário, tudo tende a mostrar que ele é um dos fatores mais eficazes de conservação social, pois fornece a aparência de legitimidade às desigualdades sociais, e sanciona a herança cultural e o dom social tratado como dom natural.”
BOURDIEU, P. A escola conservadora: As desigualdades frente à escola e à cultura. In: BOURDIEU, P. Escritos de Educação. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 41.
Com base no trecho, os alunos concluem que, para o autor, a educação escolar é um instrumento de
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Q2063651 Sociologia
Em sala de aula, o docente apresenta o conceito de interseccionalidade, explicando que ele permite investigar como a sobreposição de identidades sociais, particularmente das identidades minoritárias, está relacionada a sistemas de dominação e de discriminação. Na sequência, analisa com os alunos o relato a seguir:
“Em 1851, Sojouner Truth, abolicionista e ativista para os direitos das mulheres, discursou na Convenção para os Direitos das Mulheres de Ohio (Estados Unidos), interpelando de forma eloquente o feminismo branco e tornando-se um ícone dos estudos raciais. No fim de seu discurso, Sojouner indagou: ‘Eu pari treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a escravidão, e quando eu clamei com a minha dor de mãe, ninguém a não ser Jesus me ouviu! E não sou uma mulher?’” 
Adaptado de HOLLANDA, Heloisa Buarque (org.). Pensamento Feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019, p. 14.
As afirmativas a seguir apresentam interpretações coerentes do trecho à luz da categoria analítica de interseccionalidade, à exceção de uma. Assinale-a.
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Q2063650 Sociologia
Segundo a filósofa Judith Butler, o gênero é performático.
“Esses atos, gestos e realizações são performativos no sentido de que a essência ou a identidade que pretendem afirmar são invenções fabricadas e preservadas mediante signos corpóreos e outros meios discursivos. O fato de que o corpo com gênero seja performativo mostra que não tem uma posição ontológica distinta dos diversos atos que conformam sua realidade”.
Adaptado de BUTLER, J. El género en disputa. El feminismo y la subversión de la identidad. Barcelona: Paidós, 2007, p. 266.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir a respeito do conceito de “performatividade de gênero” e assinale F para a falsa e V para a verdadeira.
( ) Questiona a suposição de existir uma essência para os gêneros e refuta a adoção de modelos substancialistas de identidade. ( ) Sustenta a edificação do gênero mediante a repetição de atos regulados por uma normatividade que pressupõe uma continuidade entre gênero, sexo e desejo. ( ) Afirma que homens e mulheres se comportam de modo específico em função de sua natureza masculina e feminina, para marcar a própria subjetividade por gestos, falas e comportamentos.
Assinale a opção que indica a sequência correta, na ordem apresentada. 
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Q2063649 Sociologia
“Aprendemos que inscrever as mulheres na história implica necessariamente a redefinição e o alargamento das noções tradicionais do que é historicamente importante, para incluir tanto a experiência pessoal e subjetiva quanto as atividades públicas e políticas. Não é exagerado dizer que tal metodologia implica não só em uma nova história das mulheres, mas em uma nova história que se pergunte: Como é que o gênero funciona nas relações sociais humanas? Como é que o gênero dá um sentido à organização e à percepção do conhecimento histórico?”.
Adaptado de GORDON Ann D.; BUHLE Mari Jo; e SHROM Nancy Dye, “The Problem of Women’s History”, Urbanna, 11, p.89.
Com base no trecho, assinale a afirmativa correta a respeito da contribuição teórico-metodológica dos estudos de gênero para as ciências sociais.
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Q2063646 Sociologia
Caitlyn Jenner na capa da revista Vanity Fair após assumir sua identidade feminina (2015).
39.png (389×242) 
Algumas pessoas não se identificam com o sexo com o qual nasceram, como no caso da cartunista Laerte e da ex-atleta Caitlyn Jenner, por exemplo. Para abordar sociologicamente este fenômeno, é necessário conhecer os conceitos básicos que envolvem o debate sobre gênero.
Assinale a afirmativa que caracteriza corretamente um dos conceitos envolvidos no debate sobre identidade de gênero.
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Q2063643 Sociologia
Esse conceito indica categorias de pessoas que ocupam posições semelhantes no sistema de produção e realização do capital. O processo de formação dessas categorias de pessoas é produto de uma dupla articulação entre estruturas e lutas, ou seja, essa categoria de pessoas resulta do processo de lutas, as quais, por sua vez, são estruturadas pelas relações sociais objetivas.
No trecho, a expressão “categoria de pessoas” se refere ao conceito sociológico de 
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Q2063601 Sociologia
A contínua elevação dos índices de violência contra a mulher e a privação de direitos legais demonstram que ainda é grande a necessidade de uma política pública de igualdade de gênero no Brasil que trate de forma desigual aos desiguais, na medida de suas desigualdades. Leia as afirmações abaixo:
I. “Pobreza menstrual” é um conceito que compreende desde a falta de absorventes higiênicos, até a falta de conhecimento sobre o ciclo menstrual e de infraestrutura sanitária necessária à higiene íntima. II. Um dos pilares dos Movimentos pela Igualdade de Gênero em todo o mundo é a reinvindicação por isonomia salarial. No Brasil, apesar da garantia de igualdade estar disposto em lei desde 1952 ainda se verifica, em 2022, que mulheres recebem, em média, 22% à menos do que os homens. III. A população LGBTQIA+ têm sido historicamente vítima de discriminação estrutural, estigmatização, violência e violação de seus direitos fundamentais. Com o intuito de minimizar o constrangimento e possibilitar o direito à construção de identidade, o uso do Nome Social está garantido em lei desde 2016.

Assinale a alternativa que não apresenta o entendimento correto sobre política pública de igualdade de gênero.
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Q2063600 Sociologia
A questão indígena ganhou uma relevância internacional nos últimos anos. No Brasil, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, os povos indígenas tiveram reconhecidos seus direitos à propriedade da terra que ocupam historicamente, a manutenção de suas culturas, incluindo hábitos e línguas. A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) é o órgão da administração federal brasileira responsável pela gestão da política indigenista. Entre suas atribuições está a de monitorar as flutuações demográficas destas populações; através deste trabalho verificou-se um aumento significativo (da ordem de 10,8% aa) na população indígena registrada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Analise as afirmativas a seguir e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).

( ) O aumento das garantias constitucionais incentivou uma maior parcela da população indígena, não residente em áreas protegidas, a autodeclararem-se pertencentes a etnias originárias. ( ) A melhoria das condições materiais e a maior integração civilizatória das populações indígenas foi o principal fator motivador deste aumento populacional. ( ) A pressão de grupos extrativistas, como madeireiros e garimpeiros, sobre as populações indígenas, provoca um aumento na mortalidade destas populações, tanto pelo aumento da criminalidade, como pela piora nas condições médico-sanitárias. ( ) Costumes e tradições indígenas como “pajelança”, “rituais de passagem” e a caça de animais silvestres são fatores que demonstram uma menor evolução civilizatória destes povos quando comparados aos povos europeizados.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo
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Q2063599 Sociologia
O processo de formação da sociedade brasileira, afirma Gilberto Freyre, em seu livro “Casa-grande & senzala”, desenvolveu-se sob a égide do patriarcalismo familiar. Na leitura que Jessé Souza realiza do clássico Freyriano, identifica que “a família patriarcal reunia em si toda a sociedade. Não só o elemento dominante, formado pelo senhor e sua família nuclear, mas também os elementos intermediários, constituídos pelo enorme número de bastardos e dependentes, além da base de escravos domésticos.” (Jessé Souza, 2019). Na visão de Jessé, essa ampliação do núcleo familiar está ligada ao surgimento de qual extrato social no Brasil Colônia. Diante do exposto, assinale a alternativa correta. 
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Q4155741 Sociologia
Leia o texto a seguir.
O procurador de Justiça do Ministério Público do Pará (MPPA) destilou ódio em um discurso para alunos de uma faculdade particular de Direito em Belém. ‘Problema da escravidão no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje’, disse, para justificar o holocausto negro que aconteceu no Brasil durante mais de 300 anos .
Disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2020. (Adaptado)
A afirmação do procurador reproduz estereótipos construídos historicamente acerca das populações indígenas no Brasil, associados a uma narrativa 
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Q4155737 Sociologia
Leia o texto a seguir.
Por classe, entendo um fenômeno histórico, que unifica uma série de acontecimentos díspares e aparentemente desconectados, tanto da matéria-prima da experiência como na consciência. Ressalto que é um fenômeno histórico que traz consigo a noção de relação histórica. Como qualquer outra relação, é algo fluido que escapa à análise ao tentarmos imobilizá-la num dado momento e dissecar sua estrutura.
THOMPSON, Edward Palmer. A formação da classe operária inglesa. Parte I – A árvore da liberdade. 3v. Coleção Oficinas da História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. (Adaptado)
De acordo com o texto, a categoria teórico-metodológica classe social é definida, principalmente, por
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Q4152882 Sociologia

Observe o gráfico a seguir. 


Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/01/18/Qual-operfil-da-popula%C3%A7%C3%A3o-carcer%C3%A1ria-brasileira>. Acesso

em: 23 mar. 2022.



Comparando os gráficos, conclui-se que os dados sobre a população carcerária no Brasil indicam o seguinte problema:

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Q4152880 Sociologia

Observe a figura a seguir. 


Imagem associada para resolução da questão


Os dados apresentados na figura fazem referência 

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Q4138825 Sociologia
As preocupações sobre a expansão na educação superior no período atual, têm como ponto de partida a percepção da grande distância entre o Brasil e os demais países com situação econômica similar quando se trata de acesso à educação superior. O Brasil se posiciona atrás da maioria dos países de renda média e fica atrás também quando comparado com a maioria dos países latino-americanos (NEVES, 2012). Sobre o assunto, marque a alternativa correta.
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Q4102276 Sociologia
O 20 de novembro e o negro no Brasil de hoje

De todos os africanos transportados para as Américas através do tráfico atlântico entre os séculos XVI e XIX, cerca de 40% deles tiveram o Brasil como país de destinação. De acordo com os resultados do último censo populacional realizado pelo IBGE em 2010, a população negra, isto é, preta e parda, constitui hoje cerca de 51% da população total, ou seja, 100 milhões de brasileiros e brasileiras em termos absolutos. O que faz do Brasil o maior país da população negra das Américas, e mesmo em relação à África dita Negra, o Brasil só perde da Nigéria, que é o país mais populoso da África Subsaariana.

Mas qual é o lugar que essa população negra ocupa no Brasil de hoje depois de 130 anos da abolição da escravatura? Responderia que este lugar entrou no processo afirmativo de sua construção somente a partir dos últimos vinte anos no máximo. Se depois da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, o Brasil oficial tivesse desde já iniciado o processo de inclusão dos ex-escravizados africanos e seus descendentes no mundo livre e no mercado de trabalho capitalista nascente, a situação do negro no Brasil de 2018 seria certamente diferente em termos de inclusão social. Nada foi feito, pois o negro liberto foi abandonado à sua própria sorte e as desigualdades herdadas da escravidão se aprofundaram diante de um racismo sui generis encoberto pela ideologia de democracia racial. Trata-se de um quadro de desigualdades raciais acumuladas nos últimos mais de trezentos anos que nenhuma política seria capaz de aniquilar em apenas duas ou três décadas de experiência de políticas afirmativas. Por isso, a invisibilidade do negro, ou melhor, sua sub-representação em diversos setores da vida nacional que exigem comando e responsabilidade vinculados a uma formação superior, ou universitária e técnica, de boa qualidade é ainda patente. 

Era preciso começar a partir de algum momento, em vez de ficar eternamente preso ao mito de democracia racial que congelou a mobilidade social do negro nesses 130 anos da abolição. O início é como todos os inícios, geralmente lento, pois encontra em seu caminho hesitações, resistências e inércia das ideologias anteriores. Mas, de qualquer modo, se começou sem recuo, como se pode perceber hoje em algumas áreas como a Educação. As universidades que adotaram políticas de cotas para ingresso de negros e indígenas tiveram nos últimos dez anos um número de alunos negros e indígenas proporcionalmente superior ao de todos os negros que ingressaram em suas escolas durante quase um século da criação da universidade brasileira. Dizer que essas políticas são paliativas, como ouvi tantas vezes, não condiz com o progresso de inclusão observável e inegável. Certo, concordamos todos que é preciso melhorar o nível da escola pública, realidade à qual ninguém se contrapõe, apesar da consciência de que a escola pública não melhorará amanhã diante dos lobbys dos donos das escolas privadas e da falta da mobilização da sociedade civil brasileira em todas as suas classes sociais para mudá-la. A data de 13 de maio é sem dúvida uma data histórica importante, pois milhares de pessoas morreram para conseguir essa abolição jurídica, que não se concretizou em abolição material, o que faz dela uma data ambígua. Na versão oficial da abolição, coloca-se o acento sobre o abolicionismo, mas se apaga ao mesmo tempo a memória do que veio antes e depois. Nesse sentido, a abolição está inscrita, mas esvaziada de sentido. A Lei Áurea de 13 de maio de 1888 é apresentada como grandeza da nação, mas a realidade social dos negros depois desta lei fica desconhecida. Visto deste ponto de vista, o discurso abolicionista tem um conteúdo paternalista. A questão do negro tal como colocada hoje se apoia sobre uma constatação: o tráfico e a escravidão ocupam uma posição marginal na história nacional. No entanto, a história e a cultura dos escravizados são constitutivas da história coletiva como o são o tráfico e a escravidão. Ora, a história nacional não integra ou pouco integra os relatos de sofrimento, da resistência, do silêncio e participação.

A abolição da escravatura é apresentada como um evento do qual a República pode legitimamente se orgulhar. Mas a celebração da data até hoje tenta fazer esquecer a longa história do tráfico e da escravidão para insistir apenas sobre a ação de certos abolicionistas e marginalizar as resistências dos escravizados. A mim me parece que a celebração acompanha-se de uma oposição sempre atualizada de duas memórias: memória da escravidão negativamente associada aos escravistas e a memória da abolição positivamente associada à nação brasileira. No entanto, as duas memórias deveriam dialogar para se projetar no presente e no futuro do negro, ou se constituindo numa única memória partilhada. A proposta de transformar 20 de novembro em data da consciência negra partiu da iniciativa do saudoso poeta Oliveira Silveira, do Grupo Palmares, do Rio Grande do Sul, e virou uma iniciativa do Movimento Negro como um todo a partir do início da década de 70. Através do trabalho das entidades negras, essa proposta ganhou força em todo o País, e gradativamente passou a ser reconhecida pela mídia e pela sociedade em geral. Zumbi dos Palmares foi reconhecido oficialmente, a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, como herói negro dos brasileiros. Hoje, o dia 20 de novembro é comemorado universalmente em todo o País, sendo considerado feriado oficial em vários estados e dezenas de municípios. Em vez de comemorar 13 de maio, data em que a princesa Izabel assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravatura, o Movimento Negro prefere simbolicamente se concentrar na data de 20 de novembro, que tem a ver com a luta para a segunda e verdadeira abolição da escravatura. Por isso, novembro se transformou nacionalmente em mês da Consciência Negra. Ninguém se ilude ao acreditar que todos os problemas da população negra se resolvem em 20 de novembro, mas trata-se de um mês que tem um profundo sentido simbólico e político no processo de sensibilização, politização e conscientização sobre as práticas racistas e as consequentes desigualdades que dificultam a plena inclusão do Segmento Negro na sociedade brasileira.

MUNANGA, Kabengele. Jornal da USP, 14 nov. 2018.


Disponível em: <https://jornal.usp.br/artigos/o-20-denovembro-e-o-negro-no-brasil-de-hoje/>. Acesso em: 20 dez. 2018. 
Observe a seguinte frase: "A mim me parece que a celebração acompanha-se de uma oposição sempre atualizada de duas memórias: memória da escravidão negativamente associada aos escravistas e a memória da abolição positivamente associada à nação brasileira." A respeito desse trecho, é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
881: C
882: C
883: C
884: E
885: B
886: D
887: B
888: A
889: E
890: B
891: E
892: E
893: A
894: D
895: A
896: X
897: A
898: B
899: B
900: B