Questões de Concurso
Comentadas sobre estratificação e desigualdade social em sociologia
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Considere a excerto a seguir:
“Vale ressaltar que a maioria das crianças negras, nas escolas de primeiro grau, são vistas como indisciplinadas, dispersivas, desajustadas ou pouco inteligentes. De um modo geral, são remetidas aos postos de saúde mental para que psiquiatras e psicólogos as submetam a testes e tratamento que as tornem ajustadas. Se refletirmos um mínimo sobre essa questão, não teremos dificuldades em perceber o que o sistema de ensino destila em termos de racismo: livros didáticos, atitudes dos professores em sala de aula e nos momentos de recreação, apontam para um processo de lavagem cerebral de tal ordem que, a criança que continua seus estudos e que por acaso chega ao terceiro grau, já não mais se reconhece como negra. E são exatamente essas exceções que, devidamente cooptadas, acabam por afirmar a inexistência do racismo e de suas práticas. Quando se dá o caso oposto, isto é, de não aceitação da cooptação e de denúncia do processo de superexploração a que o negro é submetido, surge imediatamente a acusação de racismo às avessas.”
(GONZALEZ, Lélia. Primavera para rosas negras. Salvador: Diáspora Africana, 2018, p. 70).
Com base na descrição da antropóloga Lélia Gonzalez e a partir do tema estratificação social, podemos concluir que:
“O que torna a dominação de classe, ou o imperialismo, especificamente capitalista é a predominância da coerção econômica, que se distingue da coerção ‘extraeconômica’ – política, militar ou judicial – direta. Ainda assim não quer dizer, de forma alguma, que o imperialismo capitalista possa abrir mão da força extraeconômica. [...] Porque essa coerção opera não pela intervenção direta na relação entre capital e trabalho, [...] mas de forma indireta pela sustentação do sistema de compulsões econômicas, do sistema de propriedade e da operação dos mercados. Mesmo quando se aplica força direta na luta entre as classes – como quando a polícia prende grevistas – a natureza da transação tende a ser obscurecida pela neutralidade clara do poder coercitivo. [...] Hoje quando governos poderosos lançam operação militares contra outros mais fracos, somos levados a entender que a força não opera imperialmente, mas com ‘neutralidade’ no interesse da ‘comunidade internacional’.”
(WOOD, Ellen. O império do capital. São Paulo: Boitempo, 2014, p. 17-18).
A partir do excerto de Wood e com base no tema dominação social, é correto concluir que:
I. É o estado de plena igualdade entre as pessoas independentemente de raça; cor; ou, etnia.
II. A democracia racial é inexistente haja vista que há um grande abismo que segrega populações negras, indígenas e aborígenes da população branca.
III. A Constituição da República Federativa Brasileira de 1988 enfatiza o estabelecimento de direitos iguais entre pessoas independentemente de qualquer elemento distintivo. O Art. 5º desta normativa denota que “todossão iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
IV. Os Estados Unidos e a África do Sul mantêm sistemas legais de integração racial garantindo a efetiva democracia racial.
Está correto o que se afirma em
(Conselho Federal de Nutricionistas.)
Em relação à fome no Brasil, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) As secas severas favorecem o aumento da insegurança alimentar.
( ) Se deve à desigualdade socioeconômica e à má distribuição de renda.
( ) A subnutrição e a desnutrição são as principais consequências da fome, podendo causar doenças e levar até mesmo a morte.
( ) As políticas públicas implantadas têm sido suficientes para a erradicação da fome.
A sequência está correta em
(Trecho da obra: Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Lima Barreto.)
No que tange às acepções racistas no cenário atual do Brasil, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) As taxas de homicídios de negros crescem a cada ano.
( ) Há políticas de ações afirmativas na educação através da reserva de vagas para estudantes negros. Essas ações existiam, em algumas instituições de ensino superior, desde 2001.
( ) A Lei de Cotas, Lei nº 12.711/2012, reserva 20% das vagas em concursos para administração pública federal direta e indireta, para autarquias, agências reguladoras, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União.
( ) O Brasil é o país com a maior população negra fora da África em números absolutos.
A sequência está correta em
( ) Ação afirmativa é todo programa, público ou privado, que tem por objetivo conferir recursos ou direitos especiais para membros de um grupo social desfavorecido, com vistas a um bem coletivo.
( ) O entendimento do texto sobre ação afirmativa não se restringe a ações de cunho étnico-raciais, pois o critério para definição do grupo beneficiado pode ou não ser dessa natureza.
() De acordo com o texto, ação afirmativa é uma forma de discriminação positiva.
( ) Quando a ação afirmativa utiliza a varidvel de renda como proxy para classe social, o número de beneficiários potenciais provenientes de grupos desfavorecidos aumenta significativamente, ao passo que o número de potenciais beneficiários pertencentes a grupos que não são discriminados cai.
( ) Estudos realizados nas universidades públicas brasileiras mais seletivas revelam que infelizmente a taxa de evasão dos beneficiários de ações afirmativas é maior que a dos não beneficiários.
A ordem correta de preenchimento dos parénteses, de cima para baixo, é:
(Fonte: g1.globo.com)
Sobre o racismo no Brasil, assinale a alternativa INCORRETA
I. A decolonialidade é uma corrente de pensamento radical crítica à modernidade, ao eurocentrismo e às formas de dominação do capitalismo.
II. O conceito de raça é um elemento central na discussão decolonial, pois, sociologicamente, não interfere nos sistemas de diferenciação social.
III. Nas relações de Estado, em uma perspectiva decolonial, há bases para diálogos horizontais entre os diversos setores da sociedade, a fim de valorizar suas particularidades e demandas.
IV. Afirmar a identidade social, por parte dos povos subalternizados, é um ato político de combate à estrutura universalizante colonial capitalista.
V. As estruturas decoloniais foram superadas a partir do momento em que os Estados nacionais passaram por seus processos de independência e deixaram de ser colônias.
A sequência correta sobre as características da decolonialidade é:
“Ainda que hoje seja quase um lugar-comum a afirmação de que a antropologia surgida no início do século XX e a biologia – especialmente a partir do sequenciamento do genoma – tenham há muito demonstrado que não existem diferenças biológicas e culturais que justifiquem um tratamento discriminatório entre seres humanos, o fato é que a noção de raça ainda é um fator político importante, utilizado parta naturalizar desigualdades e legitimar a segregação e o genocídio de grupos sociologicamente considerados minoritários.” (ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo Estrutural. São Paulo: Sueli Carneiro; Polén, 2019, p. 31)
Tendo em vista que a raça, sob o ponto de vista biológico, não explica as diferenças entre as sociedades humanas, sabemos que, sob um ponto de vista sócio-antropológico, a raça e o racismo operam um sistema de classificações sociais construídos historicamente, conforme analisa Silvio Almeida. Nesse sentido, julgue os itens a seguir em V (Verdadeiro) e F (Falso) e marque a alternativa que indica a sequência correta acerca do que significa racismo estrutural tratado pelo referido autor:
I. É entendido como parte da estrutura de funcionamento das relações sociais. É reproduzido pelas diversas instituições sociais, e que movimenta um sistema de subalternidades e privilégios.
II. É uma percepção social que entende as ações discriminatórias, com base na raça, como fruto da ação individual de quem a pratica e que, muitas vezes, ocorre de maneira não intencional, mas que as estruturas sociais dispõem de mecanismos para combatê-la.
III. Refere-se a um sistema de classificação social que, embora não exista no plano científico, contribui para o entendimento das diferenças étnico-sociais e dos processos de constituição de suas identidades na estrutura social.
IV. Como está presente na estrutura, o racismo não precisa de intenção para acontecer e se desdobra em processos políticos (ligados às relações de poder e dominação) e ideológicos (de manutenção da dominação através das escolas, universidades, meios de comunicação, por exemplo).
(DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016, p. 12-13)
Acerca da noção de interseccionalidade entre os conceitos de classe, raça e gênero abordados, no texto acima, é correto afirmar que:
I. São processos produtivos adequados a formas autogestionárias de organização do trabalho (e que superam a desigualdade de gênero e racial);
II. Projeção das tecnologias com incorporação de conhecimentos tradicionais e científicos, com aproveitamento, quando necessário, da tecnologia convencional;
III. Apropriação das tecnologias pelos setores mais vulneráveis da classe trabalhadora de forma a estimular um processo de desenvolvimento com desconcentração de renda, fundamental aos países periféricos;
IV. Priorização do valor de uso da mercadoria produzida e da tecnologia que a produz (meio de produção) em detrimento do valor de troca (desmercantilização);
Das afirmativas acima:
Texto 1
É com efeito à sua autonomia relativa que o sistema de ensino tradicional deve o fato de poder trazer uma contribuição específica à reprodução da estrutura das relações de classe já que lhe é suficiente obedecer às suas regras próprias para obedecer ao mesmo tempo aos imperativos externos que definem sua função de legitimação da ordem estabelecida, isto é, para preencher simultaneamente sua função social de reprodução das relações de classe, assegurando a transmissão hereditária do capital cultural e sua função ideológica de dissimulação dessa função, inspirando a ilusão de sua autonomia absoluta.
(BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A Reprodução. Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992. p. 208.)
Texto 2
Aí maloqueiro! Aí maloqueira! Levanta essa cabeça (Vem) Enxuga essas lágrimas, certo? (É você “memo”) Respira fundo e volta a correr (Vai) ´Cê vai sair dessa prisão (Aham) ´Cê vai atrás desse diploma com a fúria da beleza do sol, entendeu? (É isso) Faz isso por nós, faz essa por nós (Vai) Te vejo no pódio Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.
(EMICIDA. AmarElo. São Paulo: Laboratório Fantasma, 2019. 8min53)
Sobre as reflexões acerca da escola propostas pelos autores dos textos 1 e 2, considere as afirmativas a seguir.
I. Bourdieu e Passeron identificam que a escola legitima as relações de classe. Emicida aponta que o que impede o sucesso escolar é o alto índice de encarceramento de jovens.
II. Bourdieu e Passeron indicam que a autonomia do sistema de ensino é relativa, pois cabe à escola reproduzir as relações de classe existentes na sociedade. Emicida identifica a marginalização social das classes identificadas como “maloqueiros”.
III. Bourdieu e Passeron apontam que, por meio da transmissão do capital cultural, a escola legitima as relações de classe na sociedade. Emicida acredita que a conquista do diploma simboliza a vitória de todos os indivíduos que são socialmente marginalizados.
IV. Bourdieu e Passeron observam que a escola obedece às pressões externas para a definição do currículo que transmite. Emicida entende que existem obstáculos impostos pela sociedade e que devem ser superados para a conquista de um diploma escolar.
Assinale a alternativa correta.
Com base no enunciado e nos conhecimentos sobre as desigualdades sociais presentes nas grandes cidades, assinale a alternativa correta.