Questões Militares Para médico clínico

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Q835771 Português

SEGURANÇA


        O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.

         Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.

      Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.

      Mas os assaltos continuaram.

      Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordem de atirar para matar.

      Mas os assaltos continuaram.

      Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.

      Mas os assaltos continuaram.

      Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle de saídas. Para sair, só com exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.

      Mas os assaltos continuaram.

      Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.

          E ninguém pode sair.

      Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades de sua casa, olhando melancolicamente para a rua.

       Mas surgiu outro problema.

       As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.

       A guarda tem sido obrigada a agir com energia. 


VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola; RJ: Objetiva,2001. 

Em relação à sequência dos fatos e ao processo de organização das ideias, no texto, é CORRETO afirmar:
Alternativas
Q835770 Português

SEGURANÇA


        O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.

         Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.

      Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.

      Mas os assaltos continuaram.

      Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordem de atirar para matar.

      Mas os assaltos continuaram.

      Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.

      Mas os assaltos continuaram.

      Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle de saídas. Para sair, só com exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.

      Mas os assaltos continuaram.

      Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.

          E ninguém pode sair.

      Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades de sua casa, olhando melancolicamente para a rua.

       Mas surgiu outro problema.

       As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.

       A guarda tem sido obrigada a agir com energia. 


VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola; RJ: Objetiva,2001. 

Dentre as alternativas abaixo, assinale a que pode ser comprovada por informações explícitas no texto “Segurança”.
Alternativas
Q737298 Medicina
É comum, nos dias atuais, a participação do médico no meio publicitário, sendo que o profissional deve respeitar o que é preconizado pelo Código de Ética Médica com relação à publicidade. A respeito da publicidade médica, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. ( ) É vedado ao médico consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação de massa. ( ) É permitido ao médico deixar de incluir, em anúncios profissionais de qualquer ordem, o seu número de inscrição no Conselho Regional de Medicina. ( ) É permitido ao médico participar de anúncios de empresas comerciais qualquer que seja sua natureza, valendo-se de sua profissão. ( ) É vedado ao médico permitir que sua participação na divulgação de assuntos médicos, em qualquer meio de comunicação de massa, deixe de ter caráter exclusivamente de esclarecimento e educação da sociedade.
Alternativas
Q700252 Medicina
Pneumonias são doenças inflamatórias agudas de causa infecciosa que acometem os espaços aéreos e são causadas por vírus, bactérias ou fungos. Em relação a esse tema, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q700249 Medicina
O diagnóstico clínico da asma é sugerido por um ou mais sintomas, como dispneia, tosse crônica, sibilância, opressão ou desconforto torácico, sobretudo à noite ou nas primeiras horas da manhã. Em relação a essa doença, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q700247 Medicina
A febre de origem obscura é definida como a febre maior ou igual a 38,3°C em diversas ocasiões, com duração maior que três semanas e que possui diagnóstico incerto após uma semana de investigação hospitalar, de acordo com a classificação de Petersdorf e Beeson em 1961. Nesse sentido, assinale a alternativa que não contém uma causa clássica de febre de origem obscura segundo essa classificação.
Alternativas
Q700245 Medicina
A endocardite infecciosa é uma infecção microbiana da superfície endocárdica do coração, que vem sendo classificada como “aguda” ou “subaguda”, com base no tempo, na severidade da apresentação clínica e na progressão para doença intratável. De acordo com o exposto, assinale a alternativa que consiste em um fenômeno embólico apresentado na endocardite infecciosa.
Alternativas
Q700244 Medicina
A pielonefrite é uma infecção aguda, geralmente bacteriana, dos rins e pelve renal. Sobre essa doença, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q700242 Medicina
A Febre Amarela é uma doença febril aguda, de curta duração e de gravidade variável, cujo agente etiológico é um arbovírus do gênero Flavivirus. Em relação a essa doença, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q700241 Medicina
A dengue é uma doença transmitida pelo mosquito A. aegypti e causa grandes problemas em território nacional. Em relação à classificação das formas de apresentação da dengue, assinale a alternativa que não indica gravidade.
Alternativas
Q700239 Medicina
Analise as afirmativas abaixo, marque (V) para as afirmativas que correspondem a critérios diagnósticos para o diabetes e (F) para as que não fazem parte de tais critérios. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. ( ) Glicemia de jejum maior ou igual a 126mg/dl. ( ) Glicemia duas horas pós-TOTG maior ou igual a 200mg/dl. ( ) Hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%. ( ) Glicemia maior ou igual a 200mg/dl em um paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia ou crise hiperglicêmica.
Alternativas
Q700235 Medicina
A terapia medicamentosa depende do tipo de dislipidemia. De acordo com o exposto, associe corretamente o tipo de dislipidemia a seu respectivo tratamento. (1) Reduzir LDL-c                                         (2) Reduzir triglicerídeos                            (3) Elevar HDL-c                                        ( ) Exercício físico, vinho, ácido nicotínico, fibratos. ( ) Dieta, fibratos, ácido nicotínico, ácido ômega-3. ( ) Estatinas, ezetimibe, resinas de troca. 
A sequência correta é
Alternativas
Q700234 Medicina
“Arsênio, 80 anos, negro, hipertenso há 30 anos, dá entrada no pronto-socorro devido a uma crise convulsiva. O acompanhante refere que o paciente fazia uso de quatro anti-hipertensivos, mas que há 12 dias parou de tomar os medicamentos. Após a suspensão, não vinha se sentindo bem, com queixas de náuseas, vertigem, dificuldade para enxergar e cefaleia. Ao exame físico, apresenta-se torporoso, pupilas fotorreagentes, com ausência de sinais neurológicos focais. Ausência de rigidez de nuca, Kernig negativo, Brudzinski negativo. Corado, hidratado, acianótico, anictérico e afebril. PA = 258 x 164mmHg, FC = 88bpm, RR2T, presença de B4, bulhas normofonéticas sem sopros. FR = 17irpm, MV presente universalmente, abdômen inocente e MMII sem alterações.” Qual a principal hipótese diagnóstica?
Alternativas
Q700231 Medicina
“Tayson, 10 anos, apresenta um quadro de hematúria dismórfica, edema, hipertensão arterial e oligúria. A mãe relata que há cinco semanas seu filho apresentou impetigo na face. Exames complementares apresentaram ASLO negativo, Anti-DNAse B positivo e queda de complemento (C3).” Diante do caso, qual o provável diagnóstico?
Alternativas
Q700230 Medicina
Na criança portadora de Síndrome Nefrótica por Lesão Mínima, é necessário buscar a causa dessa alteração, que pode ser uma doença grave em estágio inicial. Qual das alternativas abaixo apresenta uma condição associada à Síndrome Nefrótica por Lesão Mínima?
Alternativas
Q700228 Medicina
“Dona Cidinha, 55 anos, é uma paciente com queixas de dor crônica. Na consulta para acompanhamento de sua polimialgia reumática, estava febril e sentindo-se cansada, além de ter perdido peso nas últimas semanas. Relata também que vinha sentindo uma dor de cabeça que a incomodava e uma dor ao mastigar. O médico solicitou VHS, que se apresentava aumentado.” Nesse sentido, qual o provável diagnóstico de dona Cidinha?
Alternativas
Q700227 Medicina
“Pedro, 40 anos, procurou atendimento médico por apresentar um quadro febril agudo acompanhado de cefaleia. Ao exame físico, percebeu-se rigidez de nuca e sinais de Kernig e Brudzinski positivos. Suspeitando de meningite, foi realizado punção liquórica que apresentou diplococos gram-positivos.” Sobre a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q699686 Português

Texto II para responder à questão.

Os astrônomos

    O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler. [...]

    Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?

    Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse como os outros, bem; mas era bruto em demasia, todos me achavam bruto em demasia.

    Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. [...] Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?

    Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor? E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente.

    Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.

(Graciliano Ramos (1892/1953). “Os astrônomos”, in: Infância. Rio de Janeiro: Record, 2006. Adaptado.)

Confrontando a fala presente na imagem abaixo com o conteúdo do texto em análise, é correto afirmar que

Imagem associada para resolução da questão

(Disponível em: http://blog.crb6.org.br/artigos-materias-e-entrevistas/tirinha-mafalda/.)

Alternativas
Q699683 Português

Texto II para responder à questão.

Os astrônomos

    O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler. [...]

    Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?

    Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse como os outros, bem; mas era bruto em demasia, todos me achavam bruto em demasia.

    Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. [...] Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?

    Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor? E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente.

    Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.

(Graciliano Ramos (1892/1953). “Os astrônomos”, in: Infância. Rio de Janeiro: Record, 2006. Adaptado.)

De acordo com as características predominantes que caracterizam o texto quanto à tipologia textual, indique o fragmento a seguir que não possui a mesma classificação.
Alternativas
Q699682 Português

Texto II para responder à questão.

Os astrônomos

    O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler. [...]

    Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?

    Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse como os outros, bem; mas era bruto em demasia, todos me achavam bruto em demasia.

    Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. [...] Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?

    Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor? E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente.

    Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.

(Graciliano Ramos (1892/1953). “Os astrônomos”, in: Infância. Rio de Janeiro: Record, 2006. Adaptado.)

“Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes [...]” (6º§). Nas alternativas a seguir, os vocábulos acentuados do trecho anterior foram colocados em pares com palavras também acentuadas graficamente. Dentre os pares formados, indique o que apresenta igual justificativa para tal evento.
Alternativas
Respostas
921: B
922: C
923: D
924: C
925: B
926: D
927: D
928: A
929: C
930: B
931: D
932: D
933: C
934: D
935: D
936: A
937: A
938: C
939: B
940: B