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“Em 1979, o senador da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) Francelino Pereira perguntava a uma nação que enveredava pelo tortuoso e difícil caminho da abertura: ‘que país é este?’. A indagação, que induz perplexidade, questionamento e reflexão, foi retomada literalmente no ano seguinte por Affonso Romano de Santana na obra do mesmo nome. Sem maior indagação sobre os condicionamentos pessoais ou políticos que levaram o senador piauiense a pronunciar frase tão instigante, a questão ressurge com força quando se pensa que a República brasileira [...]: que país é este? Qual República? Não se trata em absoluto de enveredar pelo caminho do endosso da lendária e controversa expressão atribuída a De Gaulle de que este não seria um ‘país sério’.”
(PESAVENTO, Sandra Jatahy. O cotidiano da república: elite e povo na virada do século. Porto Alegre: EdUFRGS, 1995. p. 7.)
A trajetória republicana brasileira tem sido interpretada como resultado de continuidades e rupturas envolvendo instituições políticas, grupos sociais e projetos de desenvolvimento. Com base nessa problemática, assinale a afirmativa correta.
“Um dos líderes da célebre Insurreição de Queimado ocorrida em 1849 foi Elisário, juntamente com outros, como Chico Prego, João Pequeno, João da Viúva e Corcunda. Segundo depoimentos da época, o total de envolvidos no evento passou de duzentos. A rebelião foi logo sufocada. Não chegou a durar dois dias, tendo sido rapidamente contida. Dos líderes presos, muitos condenados à forca. Alguns conseguiram fugir, como foi o caso de Elisário. Essa insurreição causou alvoroço na Capital da província e em sua vizinhança. O presidente provincial, Antonio Joaquim de Siqueira, chegou mesmo a pedir socorro ao Governo Imperial, que enviou armas, munições e 31 soldados com o objetivo de dar segurança à população.”
(Adpt. FRANCO, Sebastião Pimentel. História do Espírito Santo. Vitória: UFES/SED, 2015. pp. 38-39.)
No debate historiográfico sobre formas de resistência no Brasil oitocentista, movimentos locais frequentemente são analisados também como expressões de expectativas políticas, negociações e disputas. Considerando essa abordagem e a relevância da temática para a história do Espírito Santo, é correto afirmar que a denominada ‘Insurreição do Queimado’, ocorrida em 1849:
“Podemos dizer que, até 1975, as indústrias que se estabeleceram no Espírito Santo surgiram em razão dos incentivos fiscais ou por iniciativa de pequenos capitais locais. A partir dessa data, entra em vigor o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), que foi criado objetivando que regiões menos desenvolvidas tivessem a possibilidade de se desenvolver e pudessem exportar produtos de interesse nacional. A partir da inserção do Espírito Santo no PND, instalam-se aqui complexos siderúrgicos [...]. Essas empresas situaram-se na região da Grande Vitória, enquanto outras empresas foram instaladas em regiões interioranas.”
(FRANCO, Sebastião Pimentel. História do Espírito Santo. Vitória: UFES/SED, 2015. p. 70.)
A partir da década de 1970, a economia capixaba passou por consideráveis transformações industriais e de infraestrutura vinculadas às estratégias nacionais de desenvolvimento. Considerando tais mudanças, assinale a afirmativa correta.
“Tendo sido proclamada a República no Rio de Janeiro, no dia 15 de novembro de 1889, a notícia só chegou ao Espírito Santo no dia seguinte, por telegrama, cujo teor foi divulgado pelo jornal A Província do Espírito Santo. A proclamação, segundo cronistas da época, não foi muito comemorada na capital, Vitória, reação diferente do que ocorreu em Cachoeiro de Itapemirim, onde foram promovidas festivas passeatas. Em outras localidades [...] também houve comemorações com bandas de músicas e foguetório. No dia 16 de novembro, a Assembleia Legislativa foi dissolvida. Os republicanos reunidos escolheram um chefe do Governo Provisório. O eleito foi Afonso Cláudio e sua posse ocorreu no dia 21 de novembro.”
(FRANCO, Sebastião Pimentel. História do Espírito Santo. Vitória: UFES/SED, 2015. pp. 75-76.)
A passagem do Império para a República implicou reconfigurações políticas que afetaram diferentes regiões brasileiras de maneira particular. Acerca da experiência capixaba nesse contexto, assinale a afirmativa correta.
“A grande novidade na economia brasileira das primeiras décadas do século XIX foi o surgimento da produção do café para exportação. A introdução do cafeeiro no Brasil deveu-se a Francisco de Melo Palheta, que em 1727 trouxe para o Pará as primeiras sementes da planta. Utilizado no consumo doméstico, o café chegou [...] por volta de 1760, misturando-se aos pequenos cultivos de pomares e hortas dos arredores da capital da Colônia.”
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp/FDE, 1995. p. 186.)
A expansão da cafeicultura transformou profundamente a economia e a sociedade capixabas ao longo dos séculos XIX e XX. Considerando seus impactos históricos, assinale a afirmativa correta.
“Os lotes (capitanias) em que se dividiu o país somavam quinze. Doze eram, porém, os donatários. Capistrano de Abreu, para descrever a divisão das capitanias, valeu-se de M. d’Avezac [...]. Eis a concisa descrição, conforme a traduziu o autor de Capítulos de História Colonial: ‘[...] a Capitania do Espírito Santo, outorgada a Vasco Fernandes Coutinho, cujo linde ulterior era marcado pelo Mucuri, que a separava da Capitania de Porto Seguro, atribuída a Pero de Campo Tourinho [...].”
(OLIVEIRA, José Teixeira de. História do Estado do Espírito Santo. Vitória: APEES/SECULT, 2008. p. 14.)
A implantação das capitanias hereditárias não produziu resultados homogêneos ao longo da América portuguesa. A trajetória da capitania do Espírito Santo evidencia limites e possibilidades do projeto colonizador português durante o século XVI. Considerando esse contexto, assinale a afirmativa correta.
“Na capitania e depois província do Espírito Santo, inúmeros povos indígenas com trajetórias muito variadas e em conjunturas diversas interatuaram entre si e com outros grupos étnicos e sociais, influenciando consideravelmente os processos históricos nos quais se envolveram. [...] Ideia tão fundamental e por vezes ainda esquecida de que as ações dos povos subalternos também movimentam e alteram o curso da história.”
(MOREIRA, Vânia Maria Losada. Espírito Santo indígena: conquista, trabalho, territorialidade e autogoverno dos índios, 1798-1860. Vitória: APEES, 2017. p. 12.)
A dinâmica de ocupação do território capixaba entre os séculos XVI e XIX foi marcada por condicionantes geográficos, interesses estratégicos da Coroa portuguesa e permanentes interações com diferentes populações indígenas. A respeito desse processo histórico, assinale a afirmativa correta.
“O início da ocupação econômica do território brasileiro é em boa medida uma consequência da pressão política exercida sobre Portugal e Espanha pelas demais nações europeias. Nestas últimas prevalecia o princípio de que espanhóis e portugueses não tinham direito senão àquelas terras que houvessem efetivamente ocupado.”
(FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2003. p. 12.)
A historiografia da formação econômica brasileira tem produzido interpretações distintas acerca das relações entre colonização, mercado externo, organização do trabalho e acumulação de riquezas. Em diferentes perspectivas analíticas, discutem-se os condicionantes da inserção do território colonial na economia atlântica, bem como seus impactos sobre a estrutura social e política que se consolidou ao longo do tempo. Considerando esse debate historiográfico, assinale a afirmativa correta.