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Q1008399 Medicina
Um paciente de 54 anos é diagnosticado com fibrilação atrial paroxística; utilizando-se o score CHA2DS2 - VASc, foi considerado de baixo risco de acidente vascular encefálico. Nesse caso, a conduta mais adequada é
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Tema central: Esta questão aborda o manejo de fibrilação atrial (FA) em pacientes considerados de baixo risco para acidente vascular cerebral (AVC) segundo o escore CHA₂DS₂-VASc. Esse escore é essencial na prática cardiológica para estratificação do risco tromboembólico e decisão sobre anticoagulação.

Justificativa da alternativa correta – E) observação clínica sem anticoagulação:

O CHA₂DS₂-VASc é um instrumento validado para estimar o risco anual de AVC em portadores de fibrilação atrial não valvar. Cada fator de risco soma pontos (congestão cardíaca, hipertensão, idade, diabetes, AVC prévio, doença vascular, sexo feminino), e sua soma orienta a conduta:

  • 0 pontos: risco baixo (<1%/ano): não indicar anticoagulação.
  • 1 ponto: risco intermediário: avaliar risco-benefício individualmente.
  • ≥2 pontos: risco elevado: anticoagulação está indicada.

Segundo o Protocolo Assistencial de Fibrilação Atrial do HCor, seção “Estratificação de risco e indicação de terapia anticoagulante”:
“Nos casos de CHA₂DS₂-VASc = zero, não há indicação de terapia anticoagulante.”

Evidências científicas, como publicações na base UpToDate e revisões do European Heart Journal, reafirmam: em pacientes com escore 0, os riscos de hemorragia superam os potenciais benefícios da anticoagulação.

Análise crítica das alternativas incorretas:

  • A) Exclusivamente inibidor de vitamina K: Anticoagulação formal, desnecessária no CHA₂DS₂-VASc zero. Pode expor a risco de sangramento sem benefício comprovado.
  • B) Ácido acetilsalicílico: Antiplaquetário não reduz adequadamente o risco de AVC na FA e também não é recomendado quando o escore é zero.
  • C) Varfarina com INR 1,5-2,5: Além de a meta habitual ser INR 2,0-3,0 (exceto situações especiais), neste paciente a anticoagulação está contraindicada.
  • D) AAS + clopidogrel: Combinação antitrombótica indicada em situações específicas, não na profilaxia de AVC em baixo risco, pois aumenta o risco de sangramento sem evidência de redução de eventos.

Estratégia para prova: O candidato deve buscar no enunciado dados que permitam aplicar a estratificação de risco. Termos como “baixo risco” ou “CHA₂DS₂-VASc = 0” indicam NÃO iniciar anticoagulação ou antiagregante. É uma pegadinha comum associar diagnóstico de FA à indicação automática de anticoagulante, o que não é verdade em todos os casos.

Resumo prático:

Pacientes com fibrilação atrial + CHA₂DS₂-VASc = 0: observar clinicamente, sem anticoagulação.

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A resposta correta é a alternativa E - observação clínica sem anticoagulação. A fibrilação atrial é um fator de risco importante para o acidente vascular encefálico, porém, o escore CHA2DS2-VASc é utilizado para avaliar o risco individual de cada paciente. Nesse caso, o paciente apresenta baixo risco de desenvolver um acidente vascular encefálico, e portanto, não é necessário anticoagulação. A escolha da conduta terapêutica deve ser individualizada para cada paciente, levando em consideração o seu risco de sangramento e outras comorbidades.

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