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Q3255409 Medicina
Mulher de 49 anos apresenta quadro de 2 meses com taquicardia, ansiedade e perda de peso (12%). Relata sensação de areia nos olhos e dor à movimentação ocular. Ela não toma medicamentos, mas é tabagista (1 maço/dia há 10 anos). Ao exame físico: pressão arterial: 146 x 56 mmHg; pulso: 105 bpm; IMC: 22 kg/m2; há proptose bilateral com retração palpebral (> 2 mm), edema periorbital, quemose e diplopia; a tireoide é visível e palpável. Exames séricos: TSH < 0,01 mlU/L (normal: 0,5 a 4,2); T4 livre: 4,2 ng/dL (normal: 0,8 a 1,8); T3 livre: 11,2 pg/mL (normal: 2,3 a 4,2); imunoglobulina estimuladora da tireoide: aumentada; hemograma e bioquímica sem alteração relevante. A utrassonografia mostra aumento da tireoide (80 gramas), sem nódulos.
Além de iniciar propranolol, a conduta mais apropriada para a doença de base inclui: 
Alternativas

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Tema central da questão: O caso descreve uma paciente com Doença de Graves associada à oftalmopatia orbitária ativa. Isso é evidenciado por sintomas típicos de hipertireoidismo (taquicardia, emagrecimento) acompanhados de sinais oculares (proptose, retração palpebral, edema periorbital, diplopia) e exames laboratoriais compatíveis (TSH suprimido, T3/T4 livres elevados e anticorpos aumentados).

Justificativa da alternativa correta – B: A alternativa B propõe atingir o eutireoidismo com antitireoidianos e, em seguida, realizar tireoidectomia. Esta conduta é alinhada com a prática clínica internacional, principalmente quando a paciente possui oftalmopatia ativa e grau moderado a importante. Segundo diretrizes reconhecidas (UpToDate e “Harrison’s Princípios de Medicina Interna”, 20ª Ed., p. 2301), o radioiodo pode exacerbar a oftalmopatia, especialmente em fumantes, como é o caso. A cirurgia torna-se, assim, a opção mais segura após controle metabólico.

Medicamentos antitireoidianos (como metimazol) são fundamentais para normalizar a função tireoidiana e reduzir sintomas, devendo preceder qualquer intervenção cirúrgica, diminuindo riscos perioperatórios. Após eutireoidismo, a tireoidectomia elimina a produção de hormônios e anticorpos, reduzindo a progressão da oftalmopatia.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A – O radioiodo isoladamente, após antitireoidianos, não é indicado no contexto de oftalmopatia ativa, por risco de agravamento (vide recomendação da American Thyroid Association, “Guidelines for the Management of Graves' Disease”, 2016, seção 8.2).

C – Corticosteroides e teprotumumabe são reservados para casos específicos de oftalmopatia moderada a grave, mas o radioiodo está contraindicado em oftalmopatia ativa. Teprotumumabe, inclusive, não está amplamente disponível no SUS ou em diretrizes nacionais.

D – Tomografia é indicada apenas quando há suspeita de compressão de vias aéreas, não demonstrada no caso clínico. Não é medida terapêutica.

E – Cintilografia com radioiodo é diagnóstica, não expressa conduta terapêutica, sobretudo com quadro clínico e imunológico já diagnósticos.

Dica para provas: Fique atento à associação de oftalmopatia + tabagismo e ao risco de radioiodoterapia agravar manifestações orbitárias; nesses casos, a cirurgia prevalece.

Protocolo oficial: “Em pacientes com oftalmopatia ativa e tabagismo, prefere-se controlar o hipertireoidismo com antitireoidianos e, caso haja indicação definitiva, proceder à tireoidectomia.” (UpToDate, seção Management of Graves’ Disease with Ophthalmopathy).

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