Em um paciente hemodinamicamente estável com trauma de cólon...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo do trauma de cólon penetrante, escolhendo entre reparação primária, ressecção com anastomose ou derivação (colostomia). Fatores-chave: estabilidade hemodinâmica, tempo até a cirurgia, grau de contaminação, extensão da lesão e necessidade de transfusão.
Gabarito: A
Justificativa da alternativa correta (A): Em lesão colônica por arma de fogo com acometimento extenso (≈60% do segmento), trata-se de lesão destrutiva, cuja conduta é ressecção do segmento lesado. Em paciente hemodinamicamente estável, com apresentação precoce (~2h) e sem fatores de alto risco, a anastomose primária é recomendada. Diretrizes atuais (WSES 2022; EAST) e revisões do UpToDate mostram que, em baixo risco, a anastomose primária após ressecção tem taxas de fístula e complicações comparáveis à derivação, com menor morbidade global (sem estoma e sua reversão). Estratégia prática: “estável + precoce + sem contaminação maciça” favorece anastomose primária.
Análise das alternativas incorretas:
- B) Lavagem e dreno sem tratar o cólon: Conduta inadequada. Lesões colônicas penetrantes devem ser reparadas ou ressecadas; apenas drenar mantém foco de contaminação fecal e aumenta risco de peritonite/sepse. Contraria WSES/EAST.
- C) Colostomia temporária: Indicada quando há alto risco de deiscência: choque, transfusão maciça (>4–6 U), contaminação fecal grosseira, atraso cirúrgico prolongado (p.ex., >8–12 h), lesões associadas graves ou comorbidades importantes. No caso, o paciente é estável e precoce, portanto a derivação não é a melhor escolha.
- D) Ressecção subtotal do cólon: Reservada para isquemia/desvascularização extensa ou múltiplas lesões não reparáveis, ou em damage control com instabilidade. Atingir ~60% de um segmento não justifica abordagem radical, que eleva morbidade.
Como interpretar a questão (estratégia de prova): Identifique as palavras-guia: hemodinamicamente estável, 2 horas (precoce), lesão extensa do cólon. Em lesões destrutivas, se o doente é estável e a abordagem é precoce, pense em ressecção + anastomose primária. Evite a “armadilha” de indicar colostomia apenas pela extensão da lesão, sem considerar a fisiologia.
Referências essenciais: WSES Guidelines for Management of Colorectal Injuries (2022); EAST Practice Management Guideline – Penetrating Colon Injuries; UpToDate – Management of colon trauma; princípios do ATLS para estabilização inicial.
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