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O atendimento a pessoas em situação de violência sexual no S...

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Q4192637 Direito Sanitário
O atendimento a pessoas em situação de violência sexual no Sistema Único de Saúde exige uma atuação interdisciplinar que integre cuidados clínicos imediatos, suporte psicossocial e observância de marcos éticos e legais. Com base na Norma Técnica “Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes (2012)”, do Ministério da Saúde, considerando as diretrizes para a profilaxia de agravos e a organização da rede de atenção, assinale a alternativa correta e em conformidade com as orientações técnicas vigentes.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Ministério da Saúde. Norma Técnica "Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes" (3. ed., 2012): "A imunoprofilaxia para a hepatite B está indicada em casos de violência sexual em que o autor é sabidamente ou presumivelmente portador do HBV, e a mulher não esteja imunizada ou sua condição vacinal não seja conhecida. Nesses casos, recomenda-se o uso associado da vacina e da imunoglobulina humana anti-hepatite B." Aplicando ao caso, a alternativa C é a única compatível com essa diretriz, pois admite a imunoglobulina anti-hepatite B para vítima não imunizada, em consonância com o parâmetro técnico indicado na base.

Tema central: Profilaxia na violência sexual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cria requisito inexistente para o abortamento previsto em lei. O Decreto-Lei nº 2.848/1940 (Código Penal), art. 128, II, dispõe literalmente: "Não se pune o aborto praticado por médico: [...] II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal." Portanto, não há exigência de alvará judicial nem de autorização expressa da autoridade policial.
B
Errada
Está errada porque transforma o boletim de ocorrência em condição para o atendimento em saúde, o que a base afasta. A Lei nº 12.845/2013, art. 3º, III, trata de "facilitação do registro da ocorrência e encaminhamento ao órgão de medicina legal e às delegacias especializadas", ou seja, o registro policial é facilitado e orientado, não exigido como requisito de acesso ao atendimento no SUS ou ao abortamento legal.
C
Certa
A alternativa C está correta porque coincide com o núcleo técnico exigido pela questão: a imunoglobulina humana anti-hepatite B é admitida para vítimas não imunizadas ou com situação vacinal desconhecida, nas hipóteses indicadas pela norma técnica do Ministério da Saúde, e o parâmetro temporal máximo apontado pela base para sua administração é de até 14 dias após a exposição. É esse conjunto — indicação clínica e prazo técnico — que torna a alternativa compatível com as orientações vigentes.
D
Errada
Está errada por indicar prazo técnico incorreto para a PEP do HIV. A base é expressa em afirmar que a quimioprofilaxia pós-exposição ao HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, no máximo em 72 horas. O prazo de 5 dias não é o parâmetro aplicável.
E
Errada
Está errada porque inverte a orientação técnica sobre anticoncepção de emergência. Segundo a base, o método de Yuzpe não é a primeira escolha e não tem menor incidência de efeitos colaterais; ao contrário, o levonorgestrel é o método preferido por maior eficácia e menor ocorrência de náuseas e vômitos.
Pegadinha da questão
A banca misturou prazos e requisitos de institutos diferentes: o prazo de até 14 dias vale para a imunoglobulina anti-hepatite B quando indicada, mas não para a PEP do HIV; além disso, tentou induzir o candidato a exigir boletim de ocorrência ou autorização judicial, exigências que a base rejeita.
Dica para questões semelhantes
  • Separe os prazos por agravo: hepatite B tem lógica própria de imunoprofilaxia; HIV exige início da PEP em até 72 horas.
  • Em violência sexual, não aceite como requisito de atendimento ou abortamento legal aquilo que a base trata apenas como facilitação ou encaminhamento, como o boletim de ocorrência.
  • Quando a alternativa falar em abortamento decorrente de estupro, confira se ela acrescenta exigências além do consentimento da gestante ou do representante legal, porque isso a torna incorreta.
  • Na anticoncepção de emergência, desconfie de enunciados que apresentem o método de Yuzpe como primeira escolha ou como opção com menos efeitos adversos.

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