Homem, de 55 anos, com miocardiopatia chagásica com fração ...
Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Insuficiência cardíaca descompensada com hipoperfusão sem congestão (“perfil frio e seco”), em paciente com miocardiopatia chagásica e pressão limítrofe. Objetivo imediato: restaurar débito cardíaco sem agravar a hipotensão.
Alternativa correta: C — Dobutamina + redução de 50% da dose do betabloqueador.
Justificativa clínica: Sinais de baixo fluxo (pulsos filiformes, TEC 4s) com PA sistólica 95 mmHg e sem congestão pulmonar indicam necessidade de inotrópico. A dobutamina (agonista β1) aumenta a contratilidade e o débito, melhorando perfusão. Como o paciente usa betabloqueador, reduzir 50% da dose diminui o bloqueio β e melhora a resposta inotrópica, evitando a retirada abrupta (que pode causar rebote simpático e piora clínica). Vasopressor não é de rotina pois a PAS é ≥90 mmHg, sem choque.
Estratégia para a prova: 1) Classifique o perfil hemodinâmico (frio/quente; seco/congesto). 2) Note o limiar de vasopressor: use noradrenalina se PAS <90 mmHg/choque. 3) Nos “frios” com PAS ≥90, prefira inotrópico. 4) Betabloqueador: manter se estável; reduzir/suspender se hipotensão/hipoperfusão, evitando suspensão total salvo choque/bradiarritmia.
Análise das alternativas incorretas:
A) Noradrenalina + dobutamina + manutenção do betabloqueador: Noradrenalina é para choque (PAS <90 ou hipoperfusão refratária). Manter betabloqueador blunta o efeito da dobutamina e pode perpetuar a hipoperfusão.
B) Dobutamina + suspensão do betabloqueador: Suspensão total aumenta risco de rebote adrenérgico e arritmias; recomenda-se redução, não retirada abrupta, exceto em choque.
D) Noradrenalina + levosimendana + manutenção do carvedilol: Noradrenalina desnecessária. Levosimendana pode ser útil em uso de betabloqueador, mas tem início mais lento e pode piorar a hipotensão; não é a melhor escolha inicial com PAS limítrofe. Manter carvedilol mantém bloqueio β.
E) Noradrenalina + dobutamina + redução de 50% do carvedilol: Redução do betabloqueador é adequada, porém noradrenalina não é indicada sem choque (PAS ≥90).
Fisiopatologia resumida: Na miocardiopatia chagásica há disfunção sistólica acentuada; o baixo débito gera hipoperfusão periférica. A dobutamina aumenta o inotropismo; a noradrenalina é vasopressor para manter PAM em choque, não sendo de primeira linha aqui.
Referências essenciais: Diretriz ESC de IC aguda (2021); AHA/ACC/HFSA 2022 Heart Failure Guideline; Diretriz Brasileira de IC SBC 2021; UpToDate – Management of acute decompensated heart failure with hypotension.
Gabarito: C
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