Homem, de 55 anos, com miocardiopatia chagásica com fração ...

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Q3510219 Medicina
Homem, de 55 anos, com miocardiopatia chagásica com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 25%, entra em serviço de emergência por sensação de pré-síncope e intensa fadiga. Faz restrição hídrica e tratamento farmacológico otimizado para insuficiência cardíaca, com boa aderência terapêutica. Pressão arterial: 95 x 55 mmHg; frequência cardíaca: 88 bpm. Pulsos filiformes, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Ausculta pulmonar normal e ausência de edema de membros inferiores.

Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Insuficiência cardíaca descompensada com hipoperfusão sem congestão (“perfil frio e seco”), em paciente com miocardiopatia chagásica e pressão limítrofe. Objetivo imediato: restaurar débito cardíaco sem agravar a hipotensão.

Alternativa correta: C — Dobutamina + redução de 50% da dose do betabloqueador.

Justificativa clínica: Sinais de baixo fluxo (pulsos filiformes, TEC 4s) com PA sistólica 95 mmHg e sem congestão pulmonar indicam necessidade de inotrópico. A dobutamina (agonista β1) aumenta a contratilidade e o débito, melhorando perfusão. Como o paciente usa betabloqueador, reduzir 50% da dose diminui o bloqueio β e melhora a resposta inotrópica, evitando a retirada abrupta (que pode causar rebote simpático e piora clínica). Vasopressor não é de rotina pois a PAS é ≥90 mmHg, sem choque.

Estratégia para a prova: 1) Classifique o perfil hemodinâmico (frio/quente; seco/congesto). 2) Note o limiar de vasopressor: use noradrenalina se PAS <90 mmHg/choque. 3) Nos “frios” com PAS ≥90, prefira inotrópico. 4) Betabloqueador: manter se estável; reduzir/suspender se hipotensão/hipoperfusão, evitando suspensão total salvo choque/bradiarritmia.

Análise das alternativas incorretas:

A) Noradrenalina + dobutamina + manutenção do betabloqueador: Noradrenalina é para choque (PAS <90 ou hipoperfusão refratária). Manter betabloqueador blunta o efeito da dobutamina e pode perpetuar a hipoperfusão.

B) Dobutamina + suspensão do betabloqueador: Suspensão total aumenta risco de rebote adrenérgico e arritmias; recomenda-se redução, não retirada abrupta, exceto em choque.

D) Noradrenalina + levosimendana + manutenção do carvedilol: Noradrenalina desnecessária. Levosimendana pode ser útil em uso de betabloqueador, mas tem início mais lento e pode piorar a hipotensão; não é a melhor escolha inicial com PAS limítrofe. Manter carvedilol mantém bloqueio β.

E) Noradrenalina + dobutamina + redução de 50% do carvedilol: Redução do betabloqueador é adequada, porém noradrenalina não é indicada sem choque (PAS ≥90).

Fisiopatologia resumida: Na miocardiopatia chagásica há disfunção sistólica acentuada; o baixo débito gera hipoperfusão periférica. A dobutamina aumenta o inotropismo; a noradrenalina é vasopressor para manter PAM em choque, não sendo de primeira linha aqui.

Referências essenciais: Diretriz ESC de IC aguda (2021); AHA/ACC/HFSA 2022 Heart Failure Guideline; Diretriz Brasileira de IC SBC 2021; UpToDate – Management of acute decompensated heart failure with hypotension.

Gabarito: C

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