Paciente masculino, 11 anos, apresenta história de episódios...

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Q4194761 Medicina
Paciente masculino, 11 anos, apresenta história de episódios recorrentes de febre alta (até 39–40 °C) desde os 6 anos de idade. As crises duram em média 10 dias e ocorrem geralmente a cada 1 ou 2 meses. Durante os episódios, o paciente apresenta: dor abdominal intensa, mialgia migratória, principalmente, em membros inferiores associada a rash cutâneo eritematoso doloroso, geralmente sobre áreas de mialgia. Edema periorbitário unilateral e artralgia sem artrite evidente. Exames laboratoriais durante as crises mostram: elevação importante de PCR e VHS, leucocitose com neutrofilia. Entre as crises, o paciente permanece assintomático, porém com leve elevação de marcadores inflamatórios.
Com base nesse caso clínico, e na mais provável doença autoinflamatória associada, qual a mutação presente? 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso descreve TRAPS pelo padrão clínico de febre recorrente prolongada, crises em torno de 10 dias, dor abdominal, mialgia migratória com rash eritematoso doloroso sobre as áreas acometidas, edema periorbitário e inflamação persistente entre as crises; essa síndrome se associa a mutações em TNFRSF1A, o que torna a alternativa A a correta.

Tema central: TRAPS e TNFRSF1A
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro é típico de síndrome periódica associada ao receptor do TNF (TRAPS): febre recorrente prolongada, mialgia migratória com exantema doloroso, dor abdominal importante, edema periorbitário e elevação residual de marcadores inflamatórios fora das crises. A mutação clássica relacionada é no gene TNFRSF1A.
B
Errada
MEFV está associado à febre familiar do Mediterrâneo. O padrão do enunciado não é o mais compatível com FMF, porque as crises em geral são mais curtas, tipicamente de 1 a 3 dias, e o caso destaca edema periorbitário e mialgia migratória com rash doloroso, achados mais sugestivos de TRAPS.
C
Errada
CIAS1, nomenclatura antiga para NLRP3, relaciona-se às síndromes CAPS. Nelas, predomina rash tipo urticariforme, podendo haver relação com frio e manifestações neurossensoriais ou neurológicas em alguns subtipos. O enunciado traz um fenótipo diferente, com edema periorbitário e mialgia migratória com exantema doloroso, mais compatível com TRAPS.
D
Errada
MVK está associado à deficiência de mevalonato quinase. O quadro típico inclui crises de 3 a 7 dias, frequentemente com linfadenopatia cervical, diarreia, vômitos e aftas. O caso não segue esse perfil e se encaixa melhor em TRAPS pela duração das crises e pelo edema periorbitário com mialgia migratória.
E
Errada
NOD2 relaciona-se mais à síndrome de Blau e a outros fenótipos inflamatórios, como a Yao syndrome, e não ao quadro clássico de febre periódica prolongada com edema periorbitário e mialgia migratória descrito aqui. A incompatibilidade é clínico-fenotípica.
Pegadinha da questão
A banca explora a semelhança com febre familiar do Mediterrâneo por causa da febre recorrente e da dor abdominal na infância, mas a duração longa das crises, associada ao edema periorbitário e à mialgia migratória com rash doloroso, aponta para TRAPS.
Dica para questões semelhantes
  • Em síndromes febris periódicas, valorize primeiro a duração das crises: cerca de 10 dias favorece TRAPS; crises de 1 a 3 dias favorecem FMF.
  • Mialgia migratória com rash doloroso sobre a área acometida é pista forte para TRAPS.
  • Edema periorbitário é um achado de grande peso para TRAPS quando aparece junto de febre recorrente e dor abdominal.
  • Inflamação residual entre crises reforça TRAPS em vez de síndromes que tendem a normalizar completamente fora dos episódios.

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