Paciente do sexo feminino, 47 anos, previamente hígida, apr...

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Q4194755 Medicina
Paciente do sexo feminino, 47 anos, previamente hígida, apresenta há 8 meses espessamento progressivo da pele, inicialmente nas mãos e antebraços, associado a fenômeno de Raynaud e edema de dedos. Evoluiu com rigidez cutânea, dificuldade para fechar as mãos e queixas de disfagia leve. Ao exame físico, observa-se espessamento cutâneo difuso, esclerodactilia e presença de telangiectasias. Exames laboratoriais revelam FAN positivo e anticorpo anti-RNA polimerase III positivo.
Em relação a esse caso, é correto afirmar:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Esclerose sistêmica cutânea difusa com anti-RNA polimerase III positivo, marcador associado a maior risco de crise renal esclerodérmica; nessa complicação, a conduta decisiva é iniciar IECA imediatamente, inclusive com creatinina elevada.

Tema central: Crise renal esclerodérmica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque corticosteroide em altas doses não tem papel-chave no tratamento da esclerose sistêmica difusa e ainda aumenta o risco de crise renal esclerodérmica. O erro da alternativa é propor como estratégia central uma conduta potencialmente perigosa nesse cenário.
B
Certa
A alternativa B está correta porque expressa a conduta clássica da crise renal esclerodérmica: o tratamento de escolha é início imediato de inibidor da ECA, especialmente captopril, e a creatinina elevada não contraindica seu uso, já que a elevação da creatinina faz parte da própria apresentação dessa complicação. No contexto do enunciado, isso ganha relevância porque o anti-RNA polimerase III está ligado justamente ao fenótipo difuso com maior risco renal.
C
Errada
Está errada porque o perfil clínico-sorológico descrito não é o preditor clássico mais forte de hipertensão arterial pulmonar. Na esclerose sistêmica, anti-RNA polimerase III aponta mais para forma difusa e risco de crise renal esclerodérmica do que para HAP.
D
Errada
Está errada porque inibidores de IL-17 não são considerados a melhor opção terapêutica de resgate na esclerose sistêmica após falha de metotrexato. A alternativa importa indevidamente uma lógica terapêutica de outras doenças reumatológicas para uma doença em que esse alvo não é tratamento consagrado de escolha.
E
Errada
Está errada porque o padrão capilaroscópico característico da esclerose sistêmica é o padrão esclerodérmico, com megacapilares, micro-hemorragias, áreas avasculares/perda capilar e desorganização arquitetural. Alças capilares em U correspondem à morfologia capilar normal de base e não definem o achado típico da doença.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre marcador sorológico de risco renal e marcador de HAP: o anti-RNA polimerase III pode desviar o candidato, mas a associação decisiva é com esclerose sistêmica difusa e crise renal esclerodérmica, além da armadilha de achar que creatinina elevada impediria IECA.
Dica para questões semelhantes
  • Em esclerose sistêmica, identifique primeiro o subtipo: espessamento cutâneo além das mãos, com progressão rápida, favorece forma difusa.
  • Se o autoanticorpo for anti-RNA polimerase III, pense prioritariamente em risco de crise renal esclerodérmica.
  • Na crise renal esclerodérmica, IECA é a conduta central mesmo se a creatinina já estiver elevada.
  • Não transfira para esclerose sistêmica condutas típicas de outras doenças autoimunes, como altas doses de corticoide ou biológicos dirigidos a IL-17.

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