Um paciente de 78 anos, do sexo masculino, hipertenso, em u...

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Q4191382 Medicina
Um paciente de 78 anos, do sexo masculino, hipertenso, em uso de losartana 50 mg/dia, procura o geriatra para uma avaliação de rotina. Não apresenta sintomas. Laudo do ecocardiograma: câmaras cardíacas: átrio esquerdo (diâmetro anteroposterior): 38 mm; volume do átrio esquerdo indexado: 30 mL/m²; ventrículo esquerdo: diâmetro diastólico final (DDVE): 46 mm; diâmetro sistólico final (DSVE): 30 mm; espessura do septo interventricular: 10 mm; espessura da parede posterior: 10 mm; ventrículo direito (diâmetro basal): 30 mm; átrio direito: dimensões dentro da normalidade. Função ventricular: fração de ejeção do ventrículo esquerdo (método de Simpson): 65%; função sistólica do ventrículo direito preservada; função diastólica: padrão de relaxamento alterado (disfunção diastólica grau I). Valvas: discretas alterações degenerativas (espessamento valvar leve), sem repercussão hemodinâmica. Pericárdio: ausência de derrame. Pressões pulmonares: pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP): 28 mmHg. Aorta: raiz da aorta: 32 mm; aorta ascendente: 34 mm.
Considerando esse resultado, assinale a alternativa correta quanto ao diagnóstico.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Insuficiência cardíaca é diagnóstico clínico-sindrômico, e disfunção diastólica grau I isolada não basta para defini-la. No caso, o paciente é assintomático, tem FEVE de 65%, câmaras sem dilatação relevante, PSAP de 28 mmHg e apenas padrão de relaxamento alterado, sem repercussão hemodinâmica ou estrutural que sustente outra cardiopatia; por isso, a melhor interpretação é "normal para a idade".

Tema central: Interpretação de ecocardiograma em idoso
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O laudo não traz sinais de repercussão direita ou pulmonar que sustentem tromboembolismo pulmonar: a função sistólica do ventrículo direito está preservada e a PSAP é 28 mmHg, sem hipertensão pulmonar. Além disso, não há contexto clínico sugestivo no enunciado.
B
Errada
Incorreta. Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida exige fração de ejeção diminuída, e o ecocardiograma informa FEVE de 65% pelo método de Simpson. Esse dado objetivo contradiz diretamente a alternativa.
C
Errada
Incorreta. O enunciado já informa hipertensão arterial conhecida, mas a pergunta é sobre a interpretação diagnóstica do ecocardiograma. O laudo não mostra repercussão estrutural obrigatória de hipertensão como resposta principal, e o melhor enquadramento do exame é achado compatível com a idade.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o ecocardiograma não mostra cardiopatia com repercussão funcional ou hemodinâmica que permita diagnosticar insuficiência cardíaca ou outra condição específica. O dado central é a disfunção diastólica grau I, que traduz alteração de relaxamento ventricular esquerdo e, em idoso assintomático, pode ocorrer como achado frequente do envelhecimento. Isso é reforçado pela FEVE preservada, pelo volume do átrio esquerdo sem aumento importante, pela PSAP normal, pela função sistólica do ventrículo direito preservada e pela ausência de valvopatia significativa.
E
Errada
Incorreta. FE preservada e disfunção diastólica grau I não bastam para diagnosticar insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Falta o elemento decisivo de síndrome clínica de insuficiência cardíaca, já que o paciente está assintomático, e também não há evidência ecocardiográfica de repercussão estrutural ou hemodinâmica relevante.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de transformar o termo "disfunção diastólica" em diagnóstico de insuficiência cardíaca. O erro é esquecer que, neste contexto, disfunção diastólica grau I isolada em idoso assintomático não equivale a IC, nem mesmo com FE preservada.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de marcar insuficiência cardíaca, confirme se há síndrome clínica além do achado ecocardiográfico.
  • Disfunção diastólica grau I isolada em idoso, com FE preservada e sem outras repercussões, favorece achado compatível com envelhecimento.
  • ICFER só cabe quando a FEVE está reduzida; FEVE de 65% exclui essa alternativa.
  • Não confunda comorbidade citada no enunciado com o diagnóstico que o ecocardiograma realmente sustenta.

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