A Sra. AOS é portadora de hipotireoidismo e faz uso de levo...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4191358 Medicina
Considere o quadro clínico a seguir para responder à questão:

    A Sra. AOS, sexo feminino, 93 anos, aposentada como professora de inglês, tem por hábito tocar músicas clássicas ao piano. Vem à consulta com queixas de esquecimentos para fatos recentes, tem dificuldade em lembrar-se de datas. Seu acompanhante relata uma certa apatia e perda de interesse em atividades antes prazerosas (tem tocado menos piano que o habitual). É independente para as atividades básicas. Em relação às atividades instrumentais, relata alguma dificuldade para administrar compromissos financeiros e preparar uma refeição. Tem antecedente de hipotireoidismo, osteoporose (fratura de colo de fêmur direito – caminha independentemente com um instrumento de auxílio à marcha) e dislipidemia.
A Sra. AOS é portadora de hipotireoidismo e faz uso de levotiroxina 50 mcg/d. Sua última dosagem de T4 livre e TSH foram, respectivamente, 1,02 ng/dL (valor normal 0,61 a 1,12 ng/dL) e 6,65 mcUI/mL (valor normal 0,34 a 5,33 mcUI/mL).
Com base nesse contexto e em relação ao hipotireoidismo no idoso, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em idosa de 93 anos, com T4 livre normal e TSH apenas discretamente elevado (6,65 mcUI/mL), o quadro sugere controle aceitável/hipotireoidismo subclínico leve em faixa frequentemente observada no envelhecimento. Esse achado não sustenta atribuir o declínio cognitivo ao TSH nem justificar aumento da levotiroxina com objetivo cognitivo; por isso, a melhor alternativa é manter a dose.

Tema central: Hipotireoidismo no idoso
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está na suspensão da levotiroxina. Embora no muito idoso um TSH modestamente mais alto possa ser fisiológico e não obrigue a aumentar a dose, isso não autoriza retirar reposição de uma paciente com hipotireoidismo conhecido e TSH ainda acima da referência laboratorial. Suspender a medicação tende a piorar o hipotireoidismo.
B
Certa
A alternativa B acerta porque interpreta corretamente o dado laboratorial no contexto geriátrico: T4 livre normal e TSH de 6,65 mcUI/mL, em nonagenária, não impõem intensificação da levotiroxina. Também acerta ao não atribuir o declínio cognitivo a esse achado, já que a associação entre hipotireoidismo subclínico leve e comprometimento cognitivo é inconsistente, e não há base para dizer que reduzir esse TSH melhoraria cognição. Além disso, evitar aumento injustificado da dose é tecnicamente importante em idosa com osteoporose e fratura prévia, porque o supertratamento com levotiroxina eleva risco de iatrogenia, especialmente perda óssea/fraturas e fibrilação atrial.
C
Errada
O erro é transformar uma meta numérica rígida de TSH em indicação obrigatória de aumento de dose nesta paciente. A base da questão não sustenta meta universal de 2,5 a 3,5 mcUI/mL para todo idoso tratado, e menos ainda para uma paciente de 93 anos. A própria alternativa admite que esse nível não explica o declínio cognitivo; sem benefício cognitivo demonstrado, aumentar levotiroxina aqui é extrapolação e expõe ao risco de supertratamento.
D
Errada
Embora o padrão laboratorial seja compatível com hipotireoidismo subclínico leve, a alternativa erra ao afirmar forte associação com declínio cognitivo e usar isso para justificar aumento da dose. A base é explícita em que não se pode inferir causalidade entre TSH de 6,65 mcUI/mL e o quadro cognitivo, nem benefício cognitivo do escalonamento da levotiroxina nesse cenário.
E
Errada
A alternativa erra por dois motivos técnicos: impõe novamente uma meta rígida de TSH de 2,5 a 3,5 mcUI/mL sem individualização para idosa muito longeva e afirma que elevar a dose diminuirá o risco de comprometimento cognitivo, o que não é sustentado pela base. Não há fundamento para escalonar levotiroxina com objetivo preventivo ou terapêutico cognitivo nesse contexto.
Pegadinha da questão
A banca mistura queixa cognitiva inespecífica com TSH discretamente elevado para induzir a falsa conclusão de causalidade tireoidiana e de necessidade automática de aumentar a levotiroxina; a outra armadilha é usar a tolerância a TSH mais alto no muito idoso para sugerir suspensão da reposição.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro classifique o padrão laboratorial: TSH elevado com T4 livre normal não é hipotireoidismo franco.
  • Em idosos muito longevos, TSH discretamente elevado deve ser interpretado com cautela e não gera ajuste automático da levotiroxina.
  • Não atribua declínio cognitivo a hipotireoidismo subclínico leve sem base clínica e laboratorial mais forte.
  • Antes de aumentar levotiroxina no idoso, pese o risco de supertratamento, especialmente em quem já tem osteoporose ou fratura prévia.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo