A reavaliação periódica rotineira com ecocardiograma seria ...

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Q1674003 Medicina
Um paciente de 55 anos de idade, com histórico de diabetes e hipertensão, iniciou, há seis meses, quadro de dor precordial tipicamente anginosa aos esforços, sendo investigado com ecocardiograma com estresse com dobutamina, o qual confirmou isquemia por aparecimento de hipocinesia transitória dos segmentos inferiores apical e médio no estresse. A fração de ejeção de ventrículo esquerdo no repouso foi de 60%. Iniciou-se tratamento diário com AAS 100 mg, rosuvastatina 20 mg e atenolol 50 mg. A investigação da doença arterial coronariana prosseguiu com a solicitação de uma cineangiocoronariografia. Enquanto aguardava os exames, o paciente tornou-se assintomático com a medicação. Após um mês, retornou com o resultado da cineangiocoronariografia, que demonstrava uma lesão de 90% na porção proximal da coronária direita e uma lesão de 40% em terço distal da descendente anterior. Apresentou também exame laboratorial que revelou colesterol total = 130 mg/dL, LDL-C = 42 mg/dL, HDL-C = 25 mg/dL e triglicérides = 315 mg/dL.


Com relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
A reavaliação periódica rotineira com ecocardiograma seria inadequada para esse paciente, caso ele se mantivesse estável sem mudança de terapia.
Alternativas

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Comentário do Gabarito – Medicina Intensiva / Cardiologia

Tema central: A questão aborda estratégias de acompanhamento em pacientes com angina estável tratada clinicamente. O ponto avaliado é a necessidade (ou não) da reavaliação periódica com ecocardiograma em pacientes estáveis, sem alterações no quadro clínico e na terapia.

Justificativa da alternativa correta (C – CERTO):
Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 2021, recomenda-se que não seja feita reavaliação periódica rotineira com ecocardiograma em pacientes portadores de doença arterial coronariana (DAC) estáveis e sem mudança na conduta terapêutica. O documento classifica tal prática como Classe III de recomendação (“não deve ser realizada”). Veja o trecho literal das Diretrizes:

“Reavaliação periódica rotineira de pacientes estáveis sem mudança na terapia” é classificada como Classe III de recomendação, indicando que o procedimento não é recomendado.

O fundamento é que, para pacientes assintomáticos e clinicamente estáveis, novos exames de imagem não modificam desfecho e não há benefício comprovado, podendo gerar custo desnecessário e achados que não alterariam a conduta.

Análise crítica das alternativas:

  • Alternativa C (“Certo”): CORRETA. Bem alinhada às diretrizes nacionais e internacionais.
  • Alternativa E (“Errado”): ERRADA. Não reconhecer a contraindicação evidencia falta de atualização com protocolos oficiais.

Estratégias de prova e pegadinhas:
Atenção aos termos: “rotineira”, “periódica”, “paciente estável”, “sem mudança na terapia”. A prova explora a diferença entre monitoramento necessário (mudanças de clínica ou terapia) e exames desnecessários em pacientes assintomáticos.

Referências e evidências:
Conforme o Protocolo e Diretrizes da SBC 2021, a indicação de ecocardiograma de rotina é restrita, alinhado ao consenso de guias internacionais (ACC/AHA, ESC). O UpToDate também reforça: “Em pacientes com angina estável e controle sintomático, a avaliação complementar periódica por imagem não é recomendada em ausência de sintomas novos ou piora clínica.

Resumo prático:
Não se fazem exames de imagem rotineiramente para paciente estável e assintomático. Repita exames apenas se houver mudança clínica, agravamento dos sintomas ou modificação na terapêutica.

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Comentários

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A afirmação é verdadeira. Considerando o caso clínico descrito, o paciente possui lesões coronárias significativas e apresenta sintomas de isquemia cardíaca, como dor precordial anginosa aos esforços. No entanto, com o tratamento instaurado, o paciente tornou-se assintomático. Dessa forma, se o quadro clínico do paciente permanecer estável e não houver mudança de terapia, não seria necessária a reavaliação periódica rotineira com ecocardiograma. Este exame é normalmente realizado para diagnosticar ou monitorar doenças cardíacas, mas se a condição do paciente não mudar, a realização frequente do exame pode não acrescentar informações úteis. Portanto, o ecocardiograma de rotina seria inadequado, a menos que houvesse mudanças no estado do paciente ou em sua terapia.

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