Paciente do sexo feminino, 35 anos, acaba de se descobrir i...

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Q720452 Medicina

Paciente do sexo feminino, 35 anos, acaba de se descobrir infectada pelo HIV após o diagnóstico de tuberculose. Apresenta emagrecimento de 7 quilos nos últimos quatro meses e tosse persistente com eventuais escarros hemoptoicos. A pesquisa de BAAR foi positiva. A radiografia de tórax mostra imagem cavitária em lobo superior de pulmão direito. Sem outras alterações no exame físico.

A abordagem terapêutica mais adequada para essa paciente deverá ser

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Comentário da Questão – Coinfecção Tuberculose/HIV em paciente imunossuprimido

Tema central: A questão aborda o manejo terapêutico de paciente com coinfecção tuberculose e HIV, destacando a escolha do melhor momento para introduzir a terapia antirretroviral (TARV), após o diagnóstico de tuberculose ativa em paciente recém-diagnosticada com HIV.

A coinfecção TB-HIV é um desafio frequente na prática infectológica, pois a mortalidade aumenta significativamente nesses casos. O tratamento da tuberculose deve ser iniciado de imediato, já que a doença ativa traz elevado risco de complicações e transmissão. Entretanto, a introdução da TARV exige análise minuciosa, pois início muito precoce pode ocasionar Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI), aumentando morbidade, principalmente em imunossuprimidos.

Justificativa da alternativa correta (D):

Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde e consensos internacionais (ex: OMS, UpToDate), o tratamento da tuberculose nunca deve ser adiado. Já o início da TARV deve ser reavaliado após início do esquema antituberculose, considerando principalmente a contagem de linfócitos CD4:

  • CD4 <50 células/mm³: TARV entre 2ª e 4ª semanas após início da TB;
  • CD4 ≥50 células/mm³: TARV até a 8ª semana (preferencialmente após 30 dias de tratamento da TB).

Portanto, iniciar TB imediatamente e reavaliar início da TARV após 30 dias é recomendação segura e baseada em evidência, como citado no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos e no Manual de Tuberculose do Ministério da Saúde.

Análise das alternativas incorretas:

A: Errada. Jamais se adia o tratamento da tuberculose em paciente com doença ativa, mesmo aguardando exames. Risco de agravamento e transmissão.

B: Inadequada. Inicialmente, foco deve ser tratar TB. Ajustes de interação medicamentosa são feitos quando estiver indicada a TARV, mas não adia-se o início por este motivo.

C: Equivocada. Adiar TARV até o término do tratamento da TB expõe o paciente a risco aumentado de evolução ruim, especialmente se imunossuprimido (CD4 baixo).

Dica de prova: Atenção aos termos “adiar” e “iniciar imediatamente”: doentes com TB ativa, sempre iniciar a terapêutica antituberculose imediatamente. A indicação do momento de início da TARV deve ser individualizada, conforme CD4.

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Comentários

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A opção correta é a alternativa D, que indica a iniciativa do tratamento da tuberculose imediatamente e a reavaliação após 30 dias para iniciar a terapia antirretroviral com base na contagem de linfócitos CD4. Essa abordagem é a mais adequada, pois a tuberculose é uma infecção oportunista comum em pacientes com HIV e sua terapia deve ser iniciada o mais cedo possível para prevenir a progressão da doença e reduzir a transmissão. Além disso, a terapia antirretroviral pode interferir na absorção das drogas utilizadas no tratamento da tuberculose e pode aumentar o risco de efeitos colaterais, portanto, é importante avaliar a contagem de linfócitos CD4 antes de iniciar a terapia antirretroviral.

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