Paciente do sexo feminino, 45 anos, natural da Bahia, doado...
Paciente do sexo feminino, 45 anos, natural da Bahia, doadora inapta do Instituto de Hematologia, por diagnóstico de doença de Chagas e infecção pelo HIV. Exames posteriores documentaram estar na forma indiferenciada de Chagas (IFI = 1/160, HA = 1/1280, ELISA = 1/1280, exames de rastreamento normais), com contagem de CD4 de 310 cél/mm3 e carga viral de 5.000 cópias/ml (3,7 log/ml). Foi recomendado o início da terapia antirretroviral, mas optou-se por esperar. Dois anos após, a paciente foi internada com febre, cefaleia, vômitos, taquicardia, hipotensão postural, dor abdominal e rigidez de nuca. As pesquisas de tripomastigotas em gota espessa corada de sangue periférico e por xenodiagnóstico foram ambas positivas. Os eletrocardiogramas seriados e o ecocardiograma foram compatíveis com miocardite.
Entre as condutas tomadas pelo médico
assistente, aquela que NÃO está adequada ao
momento atual da evolução clínica da paciente é
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Tema central: O caso explora reativação da Doença de Chagas em paciente com HIV, exigindo conhecimento sobre fluxo de notificação, condutas terapêuticas e abordagem de complicações neurológicas.
Alternativa correta: A) notificar a paciente ao Ministério da Saúde
A questão aborda uma "pegadinha" frequente: nem toda Doença de Chagas é de notificação imediata! Segundo o Guia para Notificação de Doença de Chagas Crônicas (DCC), a notificação compulsória imediata deve ser feita apenas para a forma aguda. Já o caso crônico (mesmo com reativação em imunossuprimidos) deve ser notificado semanalmente no e-SUS Notifica, não sendo obrigatória a notificação direta e imediata ao Ministério da Saúde.
Estratégia de prova: Fique atento à palavra "imediato" ou "compulsório" em questões sobre notificações, pois normalmente se aplicam a surtos/agravos agudos!
Por que as outras alternativas estão corretas?
B) Administrar benznidazol por 60 dias: Está adequada! De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Doença de Chagas (Ministério da Saúde, 2018), a reativação da doença em imunossuprimidos deve ser tratada como fase aguda, com benznidazol por até 60 dias.
C) Iniciar profilaxia primária para infecções oportunistas: Pacientes HIV+ com CD4 <350 já exigem vigilância para oportunistas, e quando <200 células/mm³, reforça-se iniciar profilaxias (pneumocistose, toxoplasmose), conforme protocolos do HIV/AIDS.
D) Realizar exame de imagem em SNC: Os sintomas neurológicos (cefaleia, rigidez de nuca) sugerem meningoencefalite, possível na reativação da Chagas. Protocolos indicam investigação de SNC (TC/RM) para descartar complicações.
Resumo: A pegadinha da questão é distinguir a obrigatoriedade e a urgência da notificação que, nas formas reativadas crônicas em HIV, não é imediata ao MS, mas semanal pelo sistema informatizado.
Dica de ouro: Sempre relacione fase aguda × crônica ao pensar em rotinas de notificação!
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