Paciente de 16 anos, sexo feminino, procedente de Ama...
Paciente de 16 anos, sexo feminino, procedente de Amargosa – BA, é admitida com história de que há 8 dias iniciou quadro de dor em região lombar com irradiação para membros inferiores associado a cefaleia de moderada intensidade, constipação intestinal e incontinência urinária, evoluindo com parestesia e paraparesia flácida bilateral e simétrica após 4 dias. Ao exame físico da admissão, paciente em bom estado geral, afebril, normotensa, redução de força muscular em membros inferiores, arreflexia bilateral, sensibilidade térmica, tátil e dolorosa ausentes abaixo dos joelhos e face interna das coxas. Líquor obtido por punção lombar revela: 337 cél/mm3 , predomínio mononuclear e 20% de eosinófilos, glicorraquia de 51 mg%, proteínas 130 mg%. A RNM de coluna lombossacra mostra espessamento da porção distal da medula e do cone medular e realce de raízes nervosas após a infusão venosa do meio de contraste. Foi medicada com praziquantel e prednisona com regressão dos sintomas neurológicos na primeira semana de tratamento, recuperando controles esfincterianos, mas mantendo arreflexia.
Fonte: Rev Soc Bras Med Trop vol 38: Supl I, 2005.
A provável etiologia para o caso relatado é
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Comentário de Gabarito – Médico Infectologista
Tema central: O caso clínico aborda uma manifestação neurológica secundária a doença infecto-parasitária, apresentando-se como mielorradiculopatia com envolvimento medular, distúrbios sensitivos, motores e esfincterianos, associados a eosinofilia no líquor e boa resposta a praziquantel e corticoide.
Justificativa da alternativa correta (C – Esquistossomose mansoni):
A esquistossomose mansônica pode evoluir com quadro neurológico grave chamado mielorradiculopatia esquistossomótica. Segundo o "Vigilância da Esquistossomose Mansoni: Diretrizes Técnicas - 2024", seção 3.3.4: “A lesão mais frequente na esquistossomose mansônica é a mielite transversa.” Tal apresentação cursa com paraparesia, arreflexia, alterações sensitivas e disfunção esfincteriana, além de liquorpleocitose com eosinofilia e espessamento medular em RM. A resposta ao praziquantel e à prednisona reforça o diagnóstico.
Estudos recentes (como revisão na Rev Soc Bras Med Trop, 2005) confirmam a ocorrência desses achados clínico-laboratoriais.
Detalhes clínicos:
- Dor lombar irradiada, comprometimento motor e sensitivo.
- Disfunção esfincteriana.
- Líquor: pleocitose, mononucleares e 20% de eosinófilos.
- RM: espessamento/distal da medula.
Análise das alternativas incorretas:
A) Neurocisticercose: Normalmente provoca convulsões ou hipertensão intracraniana, raramente mielite ou eosinofilia liquórica.
B) Hidatidose: Não cursa com mielite, sendo rara no SNC.
D) Fasciolíase: Afeta fígado/biliares, não sistema nervoso.
Dica para provas: Fique atento à associação de manifestações neurológicas subagudas, disfunção esfincteriana e eosinofilia liquórica em áreas endêmicas para esquistossomose!
Resumo final: O quadro é característico de mielorradiculopatia esquistossomótica. O conhecimento do perfil clínico, achados liquóricos e epidemiologia regional é fundamental para não errar.
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