Paciente de 17 anos, sexo masculino, relata estar ansioso e...
Paciente de 17 anos, sexo masculino, relata estar ansioso e com pavor ao tratamento odontológico. Durante a consulta clínica, se queixa de tontura, visão turva e náusea. Rapidamente o quadro evolui para perda súbita, autolimitada e transitória da consciência, devido a diminuição da frequência cardíaca e do débito cardíaco inadequado.
Considerando as informações, assinale a alternativa que apresenta um diagnóstico compatível com o quadro clínico descrito.
Gabarito comentado
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Tema central: Síncope situacional em ambiente odontológico. Síncope é uma perda transitória de consciência por hipoperfusão cerebral global, com início rápido, curta duração e recuperação espontânea.
Alternativa correta: E — Síncope vasodepressora (vasovagal/neurocardiogênica)
O quadro descreve adolescente ansioso, com pródromos vagais (tontura, visão turva, náusea) evoluindo para bradicardia e redução do débito cardíaco, seguidos de perda de consciência breve e autolimitada. Isso caracteriza a síncope vasovagal, desencadeada por estresse emocional/dor, comum em jovens. Fisiopatologia: reflexo autonômico com vasodilatação e/ou bradicardia levando à hipotensão e hipoperfusão cerebral.
Conduta prática no consultório odontológico (segundo Diretriz de Síncope SBC 2020 e ACC/AHA 2017):
- Decúbito dorsal com pernas elevadas; afrouxar roupas; via aérea pérvia.
- Monitorizar PA/FC; O2 se disponível; considerar glicemia capilar se dúvida diagnóstica.
- Manobras isométricas (após recuperação) e orientação ansiolítica. Prevenção: ambiente calmo, alimentação leve prévia, anestesia lenta, considerar sedação com óxido nitroso em fóbicos.
- Fármacos raramente necessários; atropina apenas em bradicardia sintomática refratária.
Análise das alternativas incorretas
A) Síncope do seio carotídeo: típica em >40–50 anos, desencadeada por pressão cervical (gola apertada, giro do pescoço, barbear) ou massagem do seio carotídeo. O caso não tem esse gatilho nem a faixa etária compatível.
B) Insuficiência vértebro-basilar: cursa com sinais neurológicos focais (diplopia, disartria, ataxia, vertigem intensa) em pacientes mais idosos/vasculopatas. Síncope isolada em jovem ansioso não é o padrão.
C) Hipoglicemia aguda: há sudorese fria, tremor, fome, palidez e neuroglicopenia (confusão, convulsão) sem bradicardia reflexa típica. Relação temporal com jejum/insulina; confirma-se por glicemia. Aqui, o gatilho emocional e pródromos vagais são mais compatíveis com vasovagal.
D) Convulsão: costuma ter movimentos tônico-clônicos sustentados, mordedura lateral de língua, incontinência e período pós-ictal prolongado. Na síncope vasovagal podem ocorrer mioclonias breves, mas a recuperação é rápida e o gatilho é situacional.
Dicas de prova: em jovem com medo/dor + náusea, tontura, visão turva → pense em vasovagal. Idoso + manipulação cervical → seio carotídeo. Focalidade neurológica → VBI. Jejum/insulina → hipoglicemia. Pós-ictal prolongado e mordedura de língua → convulsão.
Referências: Diretriz de Síncope da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2020); ACC/AHA/HRS Guideline for the Evaluation and Management of Syncope (2017); UpToDate – Reflex syncope.
Gabarito: E) Síncope vasodepressora.
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