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Q3511319 Medicina
Homem de 43 anos é admitido na UTI devido à insuficiência respiratória. O histórico é relevante para HIV e contagem de CD4+ de 60 células/mm3. A intubação foi realizada no 2º dia após agravamento do quadro e o lavado broncoalveolar (LBA) inicial é negativo para Pneumocystis jirovecii. No 8º dia ele continua febril, embora todas as culturas sanguíneas sejam negativas. Um novo LBA é realizado, pois o paciente agora apresenta secreções sanguinolentas, piora das alterações radiográficas pulmonares e aumento da necessidade de oxigenação, vindo positivo para citomegalovírus (CMV). Não há evidências de infecção bacteriana ou fúngica, incluindo Pneumocystis jirovecii e herpes. Nesse cenário, é correto afirmar que
Alternativas

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Tema central: CMV em HIV avançado e a interpretação de um LBA positivo. Em pacientes com CD4 muito baixos, o CMV pode reativar e ser detectado nas vias aéreas sem causar doença pulmonar invasiva. Diferenciar detecção de doença é crucial.

Gabarito: A“o tratamento rotineiro de CMV isolado de LBA não é recomendado.”

Justificativa da alternativa correta: Em pessoas vivendo com HIV, a positividade para CMV no LBA tem baixo valor preditivo para pneumonite por CMV; frequentemente reflete reativação/colonização. O tratamento (ganciclovir/valganciclovir) só é indicado quando há evidência de doença invasiva (p. ex., biópsia com inclusões “olho de coruja” e imuno-histoquímica positiva) ou forte correlação clínica. Diretrizes NIH/CDC/IDSA e revisões do UpToDate e Harrison’s reforçam que não se deve tratar rotineiramente CMV detectado apenas no LBA.

Diagnóstico adequado de pneumonite por CMV: idealmente por histopatologia pulmonar com IHQ; a PCR quantitativa no LBA e no sangue pode apoiar (carga viral alta), mas não é específica. Avaliar também acometimento de outros órgãos (retinite) aumenta a probabilidade de doença invasiva.

Análise das incorretas:

B. Sorologia não é o teste ideal em LBA. IgG apenas indica exposição prévia e IgM é pouco confiável em imunossuprimidos. Preferem-se PCR quantitativa no LBA/sangue e, para confirmar doença, histopatologia. (NIH/CDC/IDSA; UpToDate)

C. Aciclovir, mesmo em altas doses, tem atividade mínima contra CMV (não é eficientemente fosforilado pela UL97). O tratamento de escolha para doença invasiva é ganciclovir IV ou valganciclovir; alternativas: foscarnete/cidofovir em resistência ou intolerância. (Harrison’s; UpToDate)

D. A co-detecção de CMV com Pneumocystis jirovecii no LBA em HIV é bem mais frequente que 10% (estudos relatam ~30–60%), refletindo reativação. Logo, a cifra de 10% é subestimada. (Harrison’s; literatura de coisolamento em PCP)

E. Em HIV, o local extra-pulmonar mais comum de doença por CMV é a retina (retinite por CMV), seguido de trato gastrointestinal e SNC; medula óssea não é o sítio mais comum. (NIH/CDC/IDSA; Harrison’s)

Dica de prova: Diante de CD4+ < 100 células/mm³, lembre: retinite por CMV é a apresentação mais comum. Em pulmão, detecção ≠ doença. Exija prova de invasão tecidual antes de tratar.

Referências essenciais: NIH/CDC/IDSA Guidelines for Opportunistic Infections in Adults and Adolescents with HIV (CMV); UpToDate: “Cytomegalovirus infection in persons with HIV”; Harrison’s Principles of Internal Medicine, CMV em imunocomprometidos.

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