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Gabarito comentado
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Tema central: CMV em HIV avançado e a interpretação de um LBA positivo. Em pacientes com CD4 muito baixos, o CMV pode reativar e ser detectado nas vias aéreas sem causar doença pulmonar invasiva. Diferenciar detecção de doença é crucial.
Gabarito: A – “o tratamento rotineiro de CMV isolado de LBA não é recomendado.”
Justificativa da alternativa correta: Em pessoas vivendo com HIV, a positividade para CMV no LBA tem baixo valor preditivo para pneumonite por CMV; frequentemente reflete reativação/colonização. O tratamento (ganciclovir/valganciclovir) só é indicado quando há evidência de doença invasiva (p. ex., biópsia com inclusões “olho de coruja” e imuno-histoquímica positiva) ou forte correlação clínica. Diretrizes NIH/CDC/IDSA e revisões do UpToDate e Harrison’s reforçam que não se deve tratar rotineiramente CMV detectado apenas no LBA.
Diagnóstico adequado de pneumonite por CMV: idealmente por histopatologia pulmonar com IHQ; a PCR quantitativa no LBA e no sangue pode apoiar (carga viral alta), mas não é específica. Avaliar também acometimento de outros órgãos (retinite) aumenta a probabilidade de doença invasiva.
Análise das incorretas:
B. Sorologia não é o teste ideal em LBA. IgG apenas indica exposição prévia e IgM é pouco confiável em imunossuprimidos. Preferem-se PCR quantitativa no LBA/sangue e, para confirmar doença, histopatologia. (NIH/CDC/IDSA; UpToDate)
C. Aciclovir, mesmo em altas doses, tem atividade mínima contra CMV (não é eficientemente fosforilado pela UL97). O tratamento de escolha para doença invasiva é ganciclovir IV ou valganciclovir; alternativas: foscarnete/cidofovir em resistência ou intolerância. (Harrison’s; UpToDate)
D. A co-detecção de CMV com Pneumocystis jirovecii no LBA em HIV é bem mais frequente que 10% (estudos relatam ~30–60%), refletindo reativação. Logo, a cifra de 10% é subestimada. (Harrison’s; literatura de coisolamento em PCP)
E. Em HIV, o local extra-pulmonar mais comum de doença por CMV é a retina (retinite por CMV), seguido de trato gastrointestinal e SNC; medula óssea não é o sítio mais comum. (NIH/CDC/IDSA; Harrison’s)
Dica de prova: Diante de CD4+ < 100 células/mm³, lembre: retinite por CMV é a apresentação mais comum. Em pulmão, detecção ≠ doença. Exija prova de invasão tecidual antes de tratar.
Referências essenciais: NIH/CDC/IDSA Guidelines for Opportunistic Infections in Adults and Adolescents with HIV (CMV); UpToDate: “Cytomegalovirus infection in persons with HIV”; Harrison’s Principles of Internal Medicine, CMV em imunocomprometidos.
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