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Q3511317 Medicina
Paciente previamente saudável de 59 anos está internado devido a peritonite difusa após perfuração do cólon sigmoide. Após a laparotomia, o paciente encontra-se hipotenso e taquicárdico, sem sinais de sangramento. Ele está com extremidades frias, com tempo de enchimento capilar retardado e hipotensão. O exame abdominal revela abdome flácido, não distendido, com pouca saída de líquido no dreno. Os resultados laboratoriais relevantes mostram: hemoglobina: 8,1 g/dL; plaquetas: 51.000/mm3; tempo de protrombina: 29 segundos (normal: 9 a 14); tempo de tromboplastina parcial ativado: 49 segundos (normal: 23,5 a 37,5); fibrinogênio sérico: 154 mg/dL (normal: 200 a 400). Qual é o manejo mais apropriado nesse momento?
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso trata de choque séptico (sepse grave com hipotensão e sinais de má perfusão tecidual) em um paciente pós-operatório por peritonite secundária a perfuração colônica, típico de emergências em UTI.

Justificativa da alternativa correta (E): O paciente apresenta hipotensão, taquicardia, extremidades frias e prolongamento do tempo de enchimento capilar, compatíveis com choque hipovolêmico distributivo (séptico). Não há sinais de sangramento ativo ou abdome agudo hemorrágico. Portanto, o manejo inicial, conforme as Diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, é a administração precoce de bolus de cristaloide balanceado (aprox. 30 mL/kg), visando restaurar a perfusão e a função de órgãos vitais.

Segundo a SSC 2021: "recomendamos administração de pelo menos 30 mL/kg de cristaloide intravenoso para pacientes com sepse e hipotensão" (pág.27).

Análise das alternativas incorretas:

A) Duas unidades de hemácias concentradas: Apesar da anemia (Hb 8,1 g/dL), não há sangramento ativo. O objetivo primário neste momento é restaurar a perfusão global, não transfundir pelo valor absoluto de Hb.

B) Quatro unidades de plasma fresco congelado: O paciente apresenta coagulopatia (TP/INR e TTPa elevados, plaquetas baixas, fibrinogênio baixo), porém não há sangramento ativo. Plasma está indicado apenas se houver sangramento ou para procedimentos invasivos, não no manejo inicial do choque séptico.

C) Cinco unidades de crioprecipitado: O fibrinogênio está abaixo do normal, mas, sem sangramento ativo, o crioprecipitado não é prioridade. Primeiro, corrigir volêmica; suporte hemodinâmico é fundamental.

D) Oito unidades de plaquetas: Plaquetas baixas (<51.000/mm³), porém, sem sangramento importante evidenciado, transfusão não é prioritária. Diretrizes recomendam transfundir apenas se <10.000-20.000/mm³ ou com sangramento importante.

Pontos-chave e pegadinha: O enunciado apresenta parâmetros laboratoriais graves, mas o foco do cenário é instabilidade hemodinâmica sem hemorragia evidente. Muitos candidatos focam no TP, TTPa, fibrinogênio, sem priorizar a reposição volêmica essencial para perfusão de órgãos, errando a abordagem inicial.

Dica para prova: Em choque séptico, SEM SANGRAMENTO ativo, priorize ressuscitação volêmica com cristaloides antes de qualquer correção específica de coagulopatia.

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