O que distingue centralmente o texto A do texto B é:
Texto A:
A era dos memes na crise política atual
Seria cômico, se não fosse trágico, o estado de irreverência do brasileiro frente à crise em que o país encontra-se imerso. A nossa capacidade de fazer piada de nós mesmos e da acentuada crise político-econômica atual nos instiga a refletir se estamos “jogando a toalha” ou se este é apenas um “jeitinho brasileiro” de encarar a realidade. A criatividade de produzir piadas, memes e áudios engraçados expõe um certo tipo de estratégia do brasileiro para lidar com situações de conflito: “Tira a Dilma. Tira o Aécio. Tira o Cunha. Tira o Temer. Tira a calça jeans e bota um fio dental, morena você é tão sensual”. Eis uma das milhares de piadas que circulam nas redes sociais e que, de forma irreverente, estimulam o debate. Não há aquele que não se divirta com essa piada ou outra congênere; que não gargalhe diante dos diversos textos engraçados que circulam por meio de postagens ou mensagens de celular, independentemente do grau de escolaridade de quem compartilha. Seja por meio do deboche e do riso, é de “notório saber” que todas as classes estão conscientes da gravidade da situação e que, por conseguinte, concordam que medidas enérgicas precisam ser tomadas. A diferença está na forma ideologicamente defendida para a tomada de medidas.
A “memecrítica” é uma categoria de crítica social que tem causado desconforto nos políticos e membros dos poderes judiciário e executivo, estimulando, inclusive, tentativas frustradas de mapeamento e controle do uso da internet por parte dos internautas. [...]
Por outro lado, questionar as contradições presentes apenas por meio da piada, em certo aspecto politizada, não garante mudanças sociais de grande impacto.
Esses manifestos e/ou críticas de formas isoladas (ou uníssonas) podem, mesmo sem intenção, relegar os cidadãos brasileiros a um estado de inércia, a uma condição de estado permanente de sonolência eterna em “berço esplêndido”. Já os manifestos, protestos e/ou passeatas nas ruas e demais enfrentamentos em espaços de poder instituídos ainda são os mecanismos mais eloquentes e potenciais para contrapor discursos e práticas opressoras que contribuem para o caos social. É preciso o tête-à-tête, o diálogo crítico e reflexivo em casa, na comunidade e demais ambientes socioculturais. Entretanto, um diálogo respeitoso, cordial, que busca a alteridade. Que apresente discordâncias, entretanto respeite a opinião divergente, sem abrir mão da ética e do respeito aos direitos humanos.
(Luciano Freitas Filho – Carta Capital (adaptado), junho/2017. Disponível em: <http://justificando.cartacapital.com.br/2017/06/07/era-dos-memes-nacrise-politica-atual/>
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Tema central: Interpretação de textos, com foco em diferenciação de crítica e análise de coerência textual. O aluno deve identificar ideias principais, relações de oposição e complementaridade entre os textos e perceber como o autor apresenta limitações ou elogios sobre os memes.
Justificativa da alternativa correta (D): No Texto A, observa-se claramente uma crítica aos limites dos memes. O autor destaca que, embora eles façam parte de uma estratégia social do brasileiro, “questionar as contradições presentes apenas por meio da piada (…) não garante mudanças sociais de grande impacto”. Ele completa afirmando que tais práticas podem relegar o cidadão à “inércia”. Ou seja, é feita uma análise crítica sobre até onde a atuação dos memes chega enquanto instrumento de transformação social. Já Texto B não traz esse olhar crítico; apenas ressalta o valor social e cultural dos memes, sem abordar suas limitações.
Estratégia de interpretação: Procure sempre destacar afirmações explícitas e implícitas do autor em relação ao tema central. Termos como “não garante mudanças”, “inércia”, “berço esplêndido” denotam crítica aos limites. Fique atento, pois, muitas vezes, a resposta correta se revela pela sutileza dessas avaliações valorativas no texto!
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta: Ambos tratam memes com seriedade e não apenas como “zoeira”. O Texto B inclusive eleva memes a tema acadêmico e museológico.
B) Incorreta: O Texto A comenta crítica política e social, e o B também reconhece memes em causas sociais (como movimento negro e feminista). Não há oposição nítida entre crítica política e social.
C) Incorreta: Os dois textos abordam efeitos dos memes, seja na política, seja em movimentos sociais e causas.
E) Incorreta: Nenhum sugere “fixidez” dos memes. Ambos ressaltam sua circulação e dinâmica na internet; não há esse contraste.
Referências: Conforme ensinam Celso Cunha e Lindley Cintra, identificar o “ponto de vista” e a “atitude crítica” do autor é fundamental para distinguir posicionamentos em textos de gêneros distintos.
Assim, a alternativa D evidencia, de acordo com a norma-padrão e a análise textual, a verdadeira distinção central entre os textos, conforme pede o comando da questão.
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Comentários
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a crítica aos memes como prática com limites de alcance, explicitada no texto A, em contraste com a ausência dessa crítica no texto B. bem evidente essa informação no trecho Já os manifestos, protestos e/ou passeatas nas ruas e demais enfrentamentos em espaços de poder instituídos ainda são os mecanismos mais eloquentes e potenciais para contrapor discursos e práticas opressoras que contribuem para o caos social
gabarito letra D
texto A ➡ memes não adiantam de nada, vão para a rua fazer protestos que vcs ganham mais
texto B ➡ mesmes importam, carregam uma função social
bons estudos
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