Mulher de 32 anos de idade refere úlcera genital indolor, qu...

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Q1008439 Medicina
Mulher de 32 anos de idade refere úlcera genital indolor, que apareceu há 3 dias. Foi solicitado que fizesse exames para sífilis, com os seguintes resultados: VDRL negativo e FTA-abs positivo. O diagnóstico é de
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Tema central: O tema desta questão é o diagnóstico diferencial das úlceras genitais e a interpretação dos testes sorológicos para sífilis. O entendimento correto dos testes treponêmicos e não treponêmicos, bem como sua aplicabilidade nas diferentes fases da doença, é essencial para o manejo seguro e adequado das ISTs.

Justificativa da alternativa correta (C - sífilis primária):

A sífilis primária tipicamente se manifesta por úlcera genital indolor (cancro duro), surgida no local de inoculação do Treponema pallidum. Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para IST, os testes diagnósticos são divididos em:

  • Testes treponêmicos (ex: FTA-Abs): detectam anticorpos específicos e positivarão precocemente na infecção.
  • Testes não treponêmicos (ex: VDRL): detectam anticorpos reagínicos, que podem estar negativos nos primeiros dias (janela imunológica).

Portanto, FTA-Abs positivo e VDRL negativo em paciente com úlcera indolor indica sífilis primária, pois o VDRL pode não ter positivado ainda. O PCDT reforça: “o diagnóstico definitivo depende da associação entre quadro clínico e testes laboratoriais, considerando o estágio da infecção”.

Análise das alternativas incorretas:

A) Falso positivo para sífilis, possível cancro mole: O cancro mole é doloroso, diferentemente da apresentação clínica. O FTA-Abs positivo não é falso, pois aponta infecção por T. pallidum.

B) Sífilis secundária: Nessa fase, o VDRL costuma estar positivo e as manifestações extrapolam a úlcera única, podendo incluir exantema e linfonodomegalia generalizada.

D) Falso positivo para sífilis, possível herpes genital: Herpes tipicamente produz úlceras dolorosas; além disso, o FTA-Abs positivo sustenta diagnóstico de sífilis e não herpevirus.

E) Sífilis terciária: Nessa fase, a manifestação cutânea primária já passou e surgem lesões viscerais, cardiovasculares ou neurológicas.

Pontos-chave para prova:

  • Fique atento ao tipo de lesão (indolor x dolorosa).
  • Cuidado com o período de janela imunológica nos testes não treponêmicos.
  • Associe clínica e sorologia para não cair em pegadinhas comuns.

Referências:
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para IST (Ministério da Saúde, 2020).
Harrison's Principles of Internal Medicine, 21ª Edição; UpToDate (Sífilis: diagnóstico).

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Diante dos resultados apresentados (VDRL negativo e FTA-abs positivo) e da presença de úlcera genital indolor, o diagnóstico mais provável é de sífilis primária, que é caracterizada pela presença de uma úlcera genital (chamada de cancro duro) e pode ocorrer de 9 a 90 dias após a infecção inicial. O VDRL pode ser negativo nessa fase, pois ainda não houve tempo suficiente para a produção de anticorpos detectáveis por esse teste, enquanto o FTA-abs positivo indica a presença de anticorpos específicos para a sífilis. Portanto, a alternativa correta é a C. É importante ressaltar que o diagnóstico final deve ser feito pelo médico, com base em uma avaliação clínica completa e na interpretação dos resultados dos exames.

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