Um bombeiro militar de 50 anos é admitido no pronto atendime...

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Q3873808 Medicina
Um bombeiro militar de 50 anos é admitido no pronto atendimento com história de febre alta, cefaleia e mialgia intensa, principalmente em panturrilhas, de início súbito há 7 dias. Há 2 dias, evoluiu com icterícia, oligúria e dispneia progressiva. Ao exame físico, apresenta-se ictérico (3+/4+), com sufusões conjuntivais, taquipneico (FR: 28 irpm), hipotenso (PA: 80x50 mmHg) e com estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares. Os exames laboratoriais iniciais revelam: Creatinina 4,5 mg/dL, Ureia 180 mg/dL, Bilirrubina total 15 mg/dL (Direta 12 mg/dL), Plaquetas 40.000/mm³, Leucócitos 18.000/mm³ com neutrofilia e desvio à esquerda. A radiografia de tórax mostra infiltrado alveolar difuso bilateral.

Considerando o quadro clínico de Síndrome de Weil, qual alternativa contêm a conduta terapêutica inicial CORRETA para o manejo hemodinâmico e infeccioso deste paciente?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso é de leptospirose grave/Síndrome de Weil, com mialgia de panturrilhas, sufusão conjuntival, icterícia, lesão renal aguda oligúrica, hipotensão e acometimento pulmonar; nesse cenário, a conduta inicial deve combinar antibiótico intravenoso apropriado e suporte hemodinâmico com cristaloide, seguido de noradrenalina se a hipotensão persistir, o que sustenta a alternativa A.

Tema central: Leptospirose grave
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única que combina os dois eixos obrigatórios do caso. No eixo infeccioso, usa penicilina G cristalina, opção clássica e aceita para leptospirose grave, por via parenteral, compatível com Síndrome de Weil. No eixo hemodinâmico, segue a sequência correta para choque: reposição volêmica inicial com cristaloide e, se a pressão permanecer baixa, início de noradrenalina como vasopressor de primeira linha. Esse encadeamento responde à gravidade descrita no enunciado e não substitui nem atrasa o suporte intensivo necessário.
B
Errada
Está errada porque doxiciclina não é a escolha mais adequada para este quadro fulminante com choque, insuficiência renal e acometimento pulmonar, em que a base exige antibiótico intravenoso para forma grave. Além disso, a alternativa não contempla vasopressor diante de hipotensão importante persistente, o que é insuficiente em PA de 80x50 mmHg.
C
Errada
Está errada porque reúne condutas inadequadas para o cenário descrito. Claritromicina não é esquema padrão para leptospirose grave. Furosemida em altas doses não é conduta inicial para insuficiência renal aguda oligúrica em paciente chocado e pode agravar a instabilidade hemodinâmica; diurético não substitui ressuscitação circulatória. Além disso, transfusão de plaquetas não é indicada automaticamente apenas por plaquetas de 40.000/mm³, sem base no enunciado para sangramento importante ou procedimento iminente.
D
Errada
Está errada porque inverte a prioridade terapêutica. Mesmo que a azotemia e a oligúria possam levar à necessidade de terapia renal substitutiva, não se deve postergar a correção da hipotensão para o período intra-dialítico. Em paciente com choque, a estabilização hemodinâmica imediata com volume e vasopressor é prioritária. A base também não sustenta ampicilina como a escolha clássica mais reconhecida para este cenário da prova.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de associar leptospirose automaticamente à doxiciclina ou de priorizar diálise/diurético pela oligúria, ignorando que o dado decisivo aqui é a forma grave com choque, que exige antibiótico intravenoso e ressuscitação hemodinâmica escalonada.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver mialgia de panturrilhas, sufusão conjuntival, icterícia e insuficiência renal, pense em leptospirose grave e procure opção com antibiótico parenteral.
  • Em choque infeccioso, a sequência técnica é cristaloide inicial e noradrenalina se a hipotensão persistir; diálise e diurético não substituem essa etapa.
  • Plaquetopenia isolada não autoriza concluir transfusão obrigatória sem sangramento relevante ou procedimento iminente.
  • Quando a questão juntar insuficiência renal e hipotensão, a prioridade inicial é estabilizar a circulação, não adiar isso para terapia renal substitutiva.

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