Mulher de 49 anos apresenta prurido crônico, fadiga e eleva...

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Q4191233 Patologia
Mulher de 49 anos apresenta prurido crônico, fadiga e elevação persistente de fosfatase alcalina e GGT, com bilirrubina discretamente aumentada. Sorologia mostra anticorpo antimitocondrial positivo. Os exames de imagem não evidenciam obstrução extra-hepática significativa. Diante da persistência do quadro colestático, é realizada biópsia hepática, que revela inflamação portal linfoplasmocitária, lesão de ductos biliares interlobulares com destruição epitelial e, em alguns espaços-porta, granulomas mal formados, além de ductopenia focal.

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que fecha a questão é o padrão de colestase intra-hepática crônica por acometimento de pequenos ductos biliares: mulher de meia-idade com prurido, FA/GGT elevadas, AMA positivo, ausência de obstrução extra-hepática e biópsia mostrando colangite destrutiva não supurativa dos ductos interlobulares, com granulomas mal formados e ductopenia focal; esse conjunto caracteriza colangite biliar primária.

Tema central: Colangite biliar primária
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o padrão dominante do caso não é hepatocelular periportal, e sim ductal. Hepatite autoimune clássica exige hepatite de interface e predomínio de necrose periportal como lesão central; aqui, o enunciado destaca destruição dos ductos biliares interlobulares, granulomas e ductopenia. O infiltrado linfoplasmocitário portal pode gerar confusão, mas não supera o peso diagnóstico do AMA positivo e da lesão ductal destrutiva de pequenos ductos.
B
Errada
Está errada porque não há base histológica de neoplasia biliar. Colangiocarcinoma intra-hepático exigiria atipia glandular infiltrativa, evidência de malignidade epitelial e invasão tumoral, achados ausentes. A biópsia descreve processo inflamatório biliar autoimune com destruição ductal, granulomas e ductopenia, não um tumor glandular infiltrativo.
C
Errada
Está errada por incompatibilidade epidemiológica e anatomopatológica. Atresia biliar é entidade esperada no período neonatal/pediátrico, não em mulher de 49 anos. Além disso, o enunciado não descreve obliteração fibrocolestática difusa com proliferação ductular típica dessa condição, e sim colangite destrutiva não supurativa de pequenos ductos com AMA positivo.
D
Certa
A alternativa D corresponde exatamente ao alvo anatômico e ao padrão histológico descritos. O enunciado mostra doença colestática crônica intra-hepática, reforçada por AMA positivo, e a biópsia identifica destruição epitelial dos ductos biliares interlobulares, isto é, pequenos ductos intra-hepáticos. Associados ao infiltrado portal linfoplasmocitário, aos granulomas mal formados e à ductopenia focal, esses achados compõem o padrão clássico de colangite destrutiva não supurativa da colangite biliar primária.
E
Errada
Está errada porque a colangite esclerosante primária se define tipicamente por acometimento de grandes ductos e fibrose periductal concêntrica em 'casca de cebola', o que não foi descrito. Ao contrário, o caso mostra lesão destrutiva de pequenos ductos intra-hepáticos e AMA positivo, combinação que favorece fortemente colangite biliar primária. A ausência de obstrução extra-hepática significativa também afasta uma colangiopatia centrada em grandes ductos.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de valorizar apenas o infiltrado linfoplasmocitário e pensar em hepatite autoimune, ou de confundir toda colangiopatia colestática crônica com colangite esclerosante primária. O ponto decisivo era identificar que o alvo principal da lesão são os pequenos ductos biliares interlobulares, com AMA positivo e granulomas portais.
Dica para questões semelhantes
  • Em quadro colestático crônico, primeiro defina se há obstrução extra-hepática; se não há, pense em colangiopatia intra-hepática.
  • AMA positivo, no contexto de prurido, FA/GGT elevadas e mulher de meia-idade, tem alto valor para colangite biliar primária.
  • Na histologia, diferencie lesão ductal de pequenos ductos de lesão hepatocelular de interface: isso separa colangite biliar primária de hepatite autoimune.
  • Se a alternativa falar em grandes ductos e fibrose em 'casca de cebola', ela aponta para colangite esclerosante primária, não para colangite biliar primária.

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