Em que opção ocorre uso do discurso indireto livre?
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Tema central da questão: Interpretação de texto – identificação do discurso indireto livre.
O que é discurso indireto livre?
O discurso indireto livre mistura elementos do discurso direto (fala/pensamento das personagens) com o indireto (narração do autor), fundindo a voz do narrador à da personagem, mas sem verbos de elocução (“disse”, “pensou”) ou sinais gráficos especiais. Muitas vezes, frases ou pensamentos do personagem “vazam” para a narração, como destaca Celso Cunha & Lindley Cintra: “As vozes fundem-se de tal maneira que não se distingue nitidamente qual delas está falando”.
Análise da alternativa correta:
Alternativa C (correta): “[...] pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho.”
Aqui, o narrador reproduce o pensamento ou fala dos trabalhadores sem indicar “disseram” ou usar aspas. O tom reflete a atitude deles, mas apresentado na voz do narrador — típico do discurso indireto livre. Não há marcas explícitas de fala, mas aparece claramente a perspectiva dos carregadores.
Por que as demais alternativas estão erradas?
A) Não há fusão entre narrador e personagem; apenas narração objetiva.
B) É discurso indireto tradicional, pois traz verbos de elocução (“diz”, “jura que”).
D) O narrador fala “Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero”, mas dirige-se ao interlocutor, não funde pensamentos de outra personagem.
E) Aqui, o narrador em primeira pessoa exprime sua opinião diretamente, sem incorporar fala ou pensamento de personagem de forma indireta e livre.
Estratégia para identificar o discurso indireto livre:
Procure por passagens em que há uma transição súbita do narrador para o pensamento/fala de personagem, sem verbos introdutórios nem marcas de diálogo. O conteúdo psicológico, o julgamento ou a ordem “vazam” de uma perspectiva para outra.
Resumo das regras:
- Não há uso de verbos como “disse”, “falou”, “pensou”.
- Palavras ou ideias do personagem surgem subitamente na fala do narrador.
- Costuma transmitir emoção, opinião ou juízo de valor do personagem pelo viés do narrador.
Referências importantes:
Cunha & Cintra: Nova Gramática do Português Contemporâneo;
Evanildo Bechara: Moderna Gramática Portuguesa.
Conclusão: A alternativa C exemplifica o discurso indireto livre, técnica literária que mescla as vozes do narrador e da personagem.
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Comentários
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Por que?????????
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" A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam malhumorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho."
Percebe-se que funde a voz do narrador com o pensamento ou fala do personagem, sem marcas gráficas (travessão/aspas) ou verbos de elocução, criando um fluxo contínuo.
C de cristo
#TopaOBA
A fala da pessoa aparece exatamente como foi dita.
Exemplo: — “Estou cansado”, disse Pedro.
Características:
travessão, aspas ou dois-pontos;
fala literal do personagem.
O narrador conta o que a pessoa disse.
Exemplo: Pedro disse que estava cansado.
Mudanças comuns: verbos; pronomes; tempo verbal.
Exemplo: “Eu vou amanhã.”
Ela disse que iria no dia seguinte.
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