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Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda amenorreia primária em adolescente, com presença de características sexuais secundárias normais e dor abdominal cíclica. Isso sinaliza um problema anatômico com obstrução do trato genital inferior, impedindo a exteriorização do fluxo menstrual.
Justificativa da alternativa correta (C – Criptomenorreia):
A criptomenorreia (também chamada de menstruação oculta) caracteriza-se por paciente com produção hormonal normal e ciclos ovulatórios, mas com obstrução do trato genital inferior, como hímen imperfurado, septo vaginal transverso ou atresia vaginal, impedindo o escoamento do sangue menstrual. Clinicamente, a paciente apresenta características sexuais secundárias normais porque a função gonadal está preservada; porém, o sangue menstrual fica retido, causando dor abdominal cíclica e formando hematocolpos ou hematométrio. Segundo o “Projeto Diretrizes” da AMB/CFM: “Para amenorreia primária com caracteres sexuais secundários desenvolvidos, as causas obstrutivas como hímen imperfurado e septo vaginal devem ser sempre consideradas.”
Análise das alternativas incorretas:
A) Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser:
Cursa com agenesia uterina e vaginal, sem retenção de fluxo, pois não há endométrio funcional. Portanto, não há dor cíclica ou hematocolpos.
B) Síndrome de Morris (Insensibilidade Androgênica):
Pacientes 46,XY, fenótipo feminino, sem útero ou menstruação devido insensibilidade aos androgênios, mas sem dor cíclica, pois não ocorre descamação endometrial.
D) Síndrome de Turner:
Disgenesia gonadal por cariótipo 45,X, resultando em ausência de desenvolvimento puberal completo e ausência de dor cíclica. Características sexuais secundárias são pouco ou não desenvolvidas.
Estratégias para provas: Atenção ao termo “dor abdominal cíclica” + amenorreia primária com caracteres sexuais normais: isso faz o diagnóstico clínico de criptomenorreia! Pegadinhas frequentes tentam confundir com síndromes de agenesia uterina (sem dor).
Referências: Projeto Diretrizes AMB/CFM – Amenorreia; UpToDate, Amenorreia primária: avaliação e diagnóstico; Revista de Ginecologia & Obstetrícia, 2016.
Conclusão: O quadro descrito é clássico de criptomenorreia, cuja principal causa é o hímen imperfurado. O diagnóstico é clínico, amparado por exame ginecológico e ultrassonografia. O manejo é cirúrgico para desobstrução e alívio da retenção.
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