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Q588815 Português
O GOSTO DA SURPRESA
Betty Milan

    Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de viajar. Nem o trânsito, nem a fila do aeroporto, nem o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e se entregar à cena que se descortina. Como, aliás, no teatro.
    O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso, viver não", erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
    Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico.
    Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural da criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila.
Um exemplo de construção com linguagem coloquial é:
Alternativas

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Tema central da questão: Variação linguística – identificação da linguagem coloquial em fragmento de texto, segundo a norma-padrão da Língua Portuguesa.

A questão testa sua capacidade de reconhecer registros informais na escrita. A linguagem coloquial é utilizada em contextos cotidianos e menos formais, com expressões mais naturais, descontraídas e formas pronominais comuns no dia a dia.

Regra-chave: A expressão “a gente” é tida como uma forma popular/coloquial e, em contextos formais, recomenda-se preferir “nós”. Gramáticos como Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”) explicam que “a gente” exige verbo na terceira pessoa do singular e é típica da oralidade e da comunicação espontânea.

Justificativa da Alternativa Correta (C):
“A gente tanto pode olhar sem ver nada” apresenta linguagem informal/natural: o uso de “a gente” – equivalente a “nós” no sentido, mas de uso marcadamente coloquial – evidencia um tom de conversa, próprio de situações espontâneas e familiares.
A norma-padrão recomenda “nós” para contextos formais; “a gente” aparece frequentemente na fala e em textos menos formais, demonstrando flexibilidade da língua (cf. Bechara).

Análise das alternativas incorretas:

A) “Nada é melhor do que se surpreender.”
Expressão neutra, correta segundo a norma-padrão e impessoal; não traz marcas orais/coloquiais.

B) “Por isso as pessoas gostam de viajar.”
Construção direta e formal; não há uso de pronomes ou formas verbais marcadores de informalidade.

D) “Como diz um provérbio chinês.”
Fala objetiva e formal; estrutura impessoal, sem termos informais.

Dicas para acertar questões desse tipo:

  • Procure por termos típicos da oralidade (“a gente”, “tá”, “pra”, “cadê” etc.).
  • Lembre-se: “nós” é formal; “a gente”, coloquial.
  • Atenção ao contexto da prova: cargos técnicos e redação oficial sempre exigem mais formalidade (como orienta o Manual de Redação da Presidência da República).

Conclusão:
Alternativa C é a correta por utilizar “a gente”, que caracteriza o tom coloquial e cotidiano, exigido pela questão.

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Nós podemos olhar muito e nada ver. Gab C. 

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