Um exemplo de construção com linguagem coloquial é:
O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso, viver não", erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico.
Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural da criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila.
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Tema central da questão: Variação linguística – identificação da linguagem coloquial em fragmento de texto, segundo a norma-padrão da Língua Portuguesa.
A questão testa sua capacidade de reconhecer registros informais na escrita. A linguagem coloquial é utilizada em contextos cotidianos e menos formais, com expressões mais naturais, descontraídas e formas pronominais comuns no dia a dia.
Regra-chave: A expressão “a gente” é tida como uma forma popular/coloquial e, em contextos formais, recomenda-se preferir “nós”. Gramáticos como Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”) explicam que “a gente” exige verbo na terceira pessoa do singular e é típica da oralidade e da comunicação espontânea.
Justificativa da Alternativa Correta (C):
“A gente tanto pode olhar sem ver nada” apresenta linguagem informal/natural: o uso de “a gente” – equivalente a “nós” no sentido, mas de uso marcadamente coloquial – evidencia um tom de conversa, próprio de situações espontâneas e familiares.
A norma-padrão recomenda “nós” para contextos formais; “a gente” aparece frequentemente na fala e em textos menos formais, demonstrando flexibilidade da língua (cf. Bechara).
Análise das alternativas incorretas:
A) “Nada é melhor do que se surpreender.”
Expressão neutra, correta segundo a norma-padrão e impessoal; não traz marcas orais/coloquiais.
B) “Por isso as pessoas gostam de viajar.”
Construção direta e formal; não há uso de pronomes ou formas verbais marcadores de informalidade.
D) “Como diz um provérbio chinês.”
Fala objetiva e formal; estrutura impessoal, sem termos informais.
Dicas para acertar questões desse tipo:
- Procure por termos típicos da oralidade (“a gente”, “tá”, “pra”, “cadê” etc.).
- Lembre-se: “nós” é formal; “a gente”, coloquial.
- Atenção ao contexto da prova: cargos técnicos e redação oficial sempre exigem mais formalidade (como orienta o Manual de Redação da Presidência da República).
Conclusão:
Alternativa C é a correta por utilizar “a gente”, que caracteriza o tom coloquial e cotidiano, exigido pela questão.
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Nós podemos olhar muito e nada ver. Gab C.
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