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Q819688 Português

Analise o fragmento de texto a seguir, de autoria do romancista alagoano Graciliano Ramos.

A arma do escritor é o lápis

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois que enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa; a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.

Disponível em: <http://averdade.org.br/2014/02/graciliano-ramos-arma-escritor-e-o-lapis/> . Acesso em: 27 mar. 2017- Adaptado)


Em qual das alternativas a relação lógico-semântica estabelecida está correta?

Alternativas

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Gabarito Comentado – Relação Lógico-Semântica em Texto de Graciliano Ramos

Tema central: A questão aborda interpretação de texto aplicada à identificação de relações lógico-semânticas entre orações, típicas das conjunções no texto. Esse tema é essencial em concursos, especialmente para o cargo de Primeiro Tenente, pois exige habilidade de reconhecer a intenção comunicativa e os vínculos semânticos das frases.

Alternativa correta: C) “Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.” – ACRÉSCIMO

Justificativa: O trecho apresenta uma sequência de ações ligadas pela conjunção “e”, que, segundo a gramática normativa (Cunha & Cintra; Bechara), indica acréscimo ou adição de ideias. Regra: “Conjunções aditivas unem informações, expressando ideia de soma.” Exemplo: “Estudou e foi aprovado.” Assim, a alternativa evidencia acréscimo de ações realizadas pelas lavadeiras, perfeitamente alinhado com o conceito exigido.

Análise das alternativas incorretas:

A) “...a palavra foi feita para dizer.” – HIPÓTESE: Não há hipótese, mas sim afirmação categórica quanto à finalidade da palavra. Hipótese envolveria termos como “se”, “caso”, “talvez”.
B) “Depois que enxáguam, dão mais uma molhada.” – FINALIDADE: O conector “depois que” é temporal, marcando sequência de fatos, não propósito. Finalidade aparece em orações com “para”, “a fim de”, “com o objetivo de”.
D) “Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa.” – COMPARAÇÃO: A conjunção “pois” neste contexto é explicativa, justificando o argumento anterior, e não expressando comparação. Comparação envolveria “como”, “tal qual”, “assim como”.

Dica de leitura e estratégia: Atenção ao valor semântico dos conectivos! Identifique palavras-chave e associe-as à função que cumprem na frase, conferindo sempre com a norma culta (Bechara; Manual de Redação da Presidência da República).

Resumo: O reconhecimento preciso das relações semânticas entre orações, dominando a função de cada conectivo, é fundamental na interpretação textual para concursos.

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Comentários

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C) Traz sentido de acrescentar ao processo de lavar, vejam as frases anteriores.

Alguém pode explicar por qual motivo a letra D está errada?

“Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.” – ACRÉSCIMO pois "e" é uma conjunção aditiva. Pode ser substituído por não só... mas também

Não só colocam o anil, ensaboam mas também torcem uma, duas vezes.” 

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