Sobre a técnica para realização de uma restauração MOD dire...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Técnica clínica para restauração MOD direta em dentes posteriores com resina composta (adesão, inserção incremental, escultura e ajuste oclusal).
Gabarito: D
Justificativa da alternativa correta (D): Se sulcos forem esculpidos muito profundos, é recomendável selá-los com selante de superfície (resina de baixa viscosidade/flow ou “surface sealant”). Isso reduz microirregularidades, infiltração de corante, retenção de placa e desgaste, além de “reparar” microtrincas superficiais da escultura oclusal. Conduta respaldada por manuais de Dentística adesiva (Sturdevant; Summitt) e por evidências sobre selantes de superfície em compósitos.
Análise das alternativas incorretas:
A – Reduzir cúspides por espessura de dentina < 1,0 mm não é critério aceito. A indicação de cobertura cuspídea ocorre quando há cúspide fragilizada (ex.: istmo > 1/2 da distância intercuspídea, trincas, paredes finas) e, em geral, considera-se segurança com espessura remanescente de ~2,0 mm. Reduzir cúspide apenas por “1,0 mm de dentina” é inadequado e pode enfraquecer o dente; nesses casos, se necessário, optar por cobertura cuspídea adesiva (onlay) em vez de redução indiscriminada. (Sturdevant; Summitt)
B – O ajuste oclusal não deve começar pelas vertentes (lisas/triturantes). A sequência preconizada é: primeiro contatos estáticos em fossas e cristas marginais (contatos de céntrica), preservando cúspides de suporte; só depois verificar movimentos excursivos e, se preciso, ajustar vertentes que geram interferências. Começar pelas vertentes aumenta risco de desoclusão inadequada e perda de anatomia funcional. (Summitt; diretrizes clínicas ADA)
C – Iniciar a inserção incremental pelo centro da caixa oclusal aumenta o fator-C (relação superfícies aderidas/livres) e a tensão de polimerização, favorecendo gap marginal. Em MOD, constrói-se primeiro as paredes proximais com incrementos oblíquos para restabelecer contato e, depois, preenche-se a porção oclusal com incrementos oblíquos das paredes para o centro. (Ferracane; Sturdevant)
E – Dizer que paredes axiais/caixa proximal devem ser contínuas à cavidade oclusal é falso. Na Dentística minimamente invasiva, não se “conecta” lesões proximais à oclusal quando esta está íntegra (técnicas do tipo slot/box-only). A continuidade só é feita quando há comprometimento oclusal que justifique a união. (Summitt; princípios de preservação de estrutura)
Dica de prova: Desconfie de absolutos como “deve” e “inicia-se pelo centro”. Em compósitos posteriores, pense em: redução de fator-C, construção de contato proximal primeiro, e ajuste oclusal começando pelos contatos estáticos.
Referências essenciais: Sturdevant’s Art and Science of Operative Dentistry; Summitt’s Fundamentals of Operative Dentistry; Ferracane JL – polimerização e tensão; recomendações clínicas ADA/FDI para compósitos posteriores.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo