Uma gestante de 27 anos, G1P0, com 30 semanas de gestação, ...

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Q4157217 Medicina
Uma gestante de 27 anos, G1P0, com 30 semanas de gestação, procura o pronto atendimento com cefaleia intensa há 24 horas, visão borrada e dor em epigástrio. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 170 x 110 mmHg. Edema ++ em MMII e reflexos tendinosos exaltados, sem contrações. A US obstétrica revela feto único, vivo, com apresentação cefálica, com peso fetal no p5 e índice de líquido amniótico igual a 4,5. Exames laboratoriais mostram: proteinúria 4+ na urina 1; creatinina: 1,4 mg/dL; TGO: 110; TGP: 97; plaquetas: 88.888/mm3 ; DHL: 700 U/L.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta mais adequada para o caso descrito.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso reúne critérios de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e provável HELLP: PA 170 x 110 mmHg, cefaleia, visão borrada, dor epigástrica, creatinina elevada, plaquetopenia, transaminases e DHL aumentados. Nessa situação, a conduta inicial obrigatória é estabilização materna com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo parenteral; a gestação deve ser resolvida após essa estabilização, sem conduta expectante de 48 horas.

Tema central: Pré-eclâmpsia grave
Análise das alternativas
A
Errada
Errada. Anti-hipertensivo oral e acompanhamento diário são insuficientes para PA grave com cefaleia, alteração visual, dor epigástrica, creatinina elevada e plaquetopenia. O quadro exige internação e tratamento imediato com medidas de ação rápida.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque descreve a estabilização materna imediata necessária diante de hipertensão grave com sinais neurológicos e laboratoriais de gravidade. O sulfato de magnésio previne convulsões, e o anti-hipertensivo parenteral é indicado para controle rápido da PA. Após isso, avalia-se a resolução da gestação, sem aguardar 48 horas como estratégia rotineira neste cenário.
C
Errada
Errada. Embora a interrupção possa ser necessária, cesariana imediata sob anestesia geral não é conduta automática. Primeiro deve haver estabilização materna, e a via de parto depende das condições obstétricas e materno-fetais.
D
Errada
Errada. A espera obrigatória de 48 horas para corticoide não se sustenta em quadro materno grave com sinais de disfunção orgânica. Além disso, nifedipina sublingual não é a estratégia adequada de rotina para crise hipertensiva na gestação.
E
Errada
Errada. Observação hospitalar com anti-hipertensivos orais e repetição de exames em 48 horas é conduta incompatível com quadro grave e provável HELLP. Os achados de PA grave, sintomas neurológicos e alteração laboratorial exigem manejo imediato.
Pegadinha da questão
A banca explora a tentação de prolongar a gestação por 48 horas por causa das 30 semanas e da possibilidade de corticoterapia, mas o que decide a conduta é a gravidade materna; a questão cobra tratamento inicial e estabilização, não a espera fetal nem a via de parto definitiva.
Dica para questões semelhantes
  • Em síndrome hipertensiva da gestação, a gravidade é definida por PA >= 160 x 110 mmHg e/ou sinais de disfunção orgânica, não pela proteinúria isoladamente.
  • Se houver cefaleia, alteração visual, dor epigástrica, creatinina elevada, plaquetopenia ou transaminases elevadas, pense em pré-eclâmpsia grave e indique estabilização materna imediata.
  • Sulfato de magnésio e anti-hipertensivo de ação rápida são o núcleo da conduta inicial quando há risco de eclâmpsia e crise hipertensiva.
  • Não conclua cesariana automática: primeiro estabiliza-se a mãe; depois define-se a resolução e a via de parto conforme o cenário obstétrico.

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