Sabe-se que 60% de todas as mortes maternas ocorrem durante...

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Q4157212 Medicina
Sabe-se que 60% de todas as mortes maternas ocorrem durante o período pós-parto, sendo que 45% desses óbitos incidem nas primeiras 24 horas depois do parto. A hemorragia pós-parto é responsável por cerca de 25% de todas as mortes maternas registradas no planeta. Como causa de hemorragia pós-parto primária, a atonia uterina está presente em cerca de 70% dos casos.

Sobre seu diagnóstico e/ou a conduta correta, assinale a alternativa correta.
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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O enunciado aponta hemorragia pós-parto primária por atonia uterina, e a conduta preventiva decisiva é o manejo ativo do terceiro período do parto com uterotônico profilático, especialmente ocitocina, conforme diretriz obstétrica e OMS.

Tema central: Hemorragia pós-parto
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por definição obstétrica. A manobra de Hamilton não é massagem uterina sobre o fundo uterino; trata-se do descolamento digital das membranas para favorecer o início do trabalho de parto. A alternativa confunde uma manobra de indução com medida de manejo da atonia/hemorragia pós-parto.
B
Errada
Está errada por mecanismo farmacológico. A base reconhece que o ácido tranexâmico pode ser indicado na hemorragia pós-parto, mas a alternativa o justifica por suposto 'efeito fibrinolítico', o que é tecnicamente falso. O tranexâmico é antifibrinolítico: bloqueia a ativação/ligação do plasminogênio e inibe a fibrinólise, estabilizando o coágulo. A banca explorou exatamente essa inversão de mecanismo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve a medida preventiva validada para hemorragia pós-parto: o manejo ativo do terceiro período do parto com ocitocina profilática. A diretriz da OMS/WHO recomenda a ocitocina como uterotônico de primeira escolha para prevenir hemorragia pós-parto em todos os partos, reduzindo perda sanguínea e necessidade de tratamento adicional. Diferentemente das demais opções, ela traz uma intervenção preventiva real e alinhada à conduta obstétrica recomendada, não uma definição incorreta, mecanismo farmacológico invertido ou interpretação errada de parâmetro clínico.
D
Errada
Está errada por interpretação incorreta do índice de choque obstétrico. O índice é calculado por FC/PAS, e o que sugere deterioração hemodinâmica é sua elevação, não valor inferior a 0,8. Portanto, índice abaixo de 0,8 não define, por si, necessidade de abordagem agressiva com hemotransfusão.
E
Errada
Está errada por afirmar segurança universal onde há contraindicações e risco técnico. A metilergonovina é uterotônico eficaz, mas não é isenta de contraindicações: hipertensão, pré-eclâmpsia e doença vascular/cardiovascular são situações relevantes. Além disso, a administração intravenosa em bolus é potencialmente perigosa pelo risco de eventos hipertensivos e vasoespásticos.
Pegadinha da questão
A banca misturou fragmentos parcialmente verdadeiros com erro técnico decisivo: no item B, a indicação do tranexâmico aparece com mecanismo invertido; no item D, a fórmula do índice de choque é usada com interpretação oposta; e no item E, a eficácia da metilergonovina é usada para mascarar contraindicações e o perigo do bolus intravenoso.
Dica para questões semelhantes
  • Em hemorragia pós-parto, procure primeiro a medida preventiva validada por diretriz: manejo ativo do terceiro período com ocitocina profilática.
  • Não valide alternativa de fármaco se o mecanismo estiver invertido: tranexâmico é antifibrinolítico, não fibrinolítico.
  • No índice de choque obstétrico, a gravidade acompanha a elevação do valor, não a redução.
  • Desconfie de assertivas absolutas sobre uterotônicos, como 'não apresenta contraindicação', porque segurança e via de administração são parte do critério correto.

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