Não havendo possibilidade de realizar outros exames complem...

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Q4157197 Medicina
Considere o caso clínico a seguir para responder à questão:


Mulher de 24 anos vai ao pronto atendimento com queixa de dor pélvica insidiosa que acomete todo o hipogástrio e que apareceu logo após seu período menstrual. Não apresenta febre, dispareunia nem sintomas gastrointestinais. Não utiliza método contraceptivo, pois preferia o coito interrompido. Não tinha parceiro fixo. Ao exame físico: bom estado geral, afebril. Apresentava dor à palpação abdominal infraumbilical. No exame especular, observou-se corrimento amarelado e bolhoso sem odor e sem hiperemia; ao toque vaginal, apresentou dor à mobilização cervical.
Não havendo possibilidade de realizar outros exames complementares, qual tratamento empírico é o mais indicado?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Mulher jovem com risco sexual, dor pélvica baixa e dor à mobilização cervical preenche o diagnóstico sindrômico de doença inflamatória pélvica, que deve ser tratado empiricamente mesmo sem exames complementares. Como o quadro é afebril e sem sinais de gravidade, o manejo é ambulatorial; por isso, entre as alternativas, a escolha deve cobrir gonococo e clamídia, o que é atendido por doxiciclina oral associada à ceftriaxona intramuscular.

Tema central: DIP ambulatorial
Análise das alternativas
A
Errada
Dienogeste não trata infecção pélvica ascendente. É progestagênio usado para condições como endometriose e controle de dor de etiologia não infecciosa. O quadro descrito é agudo/subagudo e tem dor à mobilização cervical, achado que aponta para DIP, não para dor pélvica crônica hormonalmente manejável.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque corresponde ao tratamento empírico inicial de DIP leve/moderada em paciente estável. O achado decisivo é a dor à mobilização cervical associada à dor pélvica em mulher sexualmente exposta, o que sustenta infecção ascendente do trato genital superior. Nesse cenário, o esquema deve cobrir os agentes clássicos de transmissão sexual implicados na DIP: ceftriaxona para Neisseria gonorrhoeae e doxiciclina para Chlamydia trachomatis. Além disso, a ausência de febre, toxemia e outros critérios de gravidade favorece tratamento ambulatorial, não intravenoso.
C
Errada
Ibuprofeno oferece apenas analgesia, e metronidazol isolado não cobre adequadamente gonococo e clamídia. O corrimento pode sugerir vaginite, inclusive por Trichomonas, mas o dado que muda a conduta é a dor pélvica com dor à mobilização cervical, que exige cobertura para cervicite/DIP e não apenas tratamento de vaginite isolada.
D
Errada
Levofloxacino isolado não é a melhor escolha empírica para DIP suspeita porque não oferece cobertura confiável para gonococo como esquema isolado, além de não corresponder ao esquema clássico preferencial para esse contexto. A questão exige cobertura empírica adequada dos principais agentes da DIP, o que essa opção não entrega.
E
Errada
Clindamicina intravenosa isolada é inadequada por dois motivos técnicos: a paciente não tem critérios clínicos de gravidade que justifiquem esquema exclusivamente intravenoso, e a clindamicina sozinha não cobre adequadamente o espectro principal da DIP, especialmente gonococo e clamídia. Escolher monoterapia IV aqui significaria tanto excesso de via quanto cobertura etiológica incompleta.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar o raciocínio para vaginite pelo corrimento bolhoso e para afastar DIP pela ausência de febre, mas o achado decisivo é a dor pélvica associada à dor à mobilização cervical, que sustenta DIP e exige tratamento empírico ambulatorial com cobertura para gonococo e clamídia.
Dica para questões semelhantes
  • Em mulher sexualmente ativa com dor pélvica baixa e dor à mobilização cervical, pense primeiro em diagnóstico sindrômico de DIP, mesmo sem febre.
  • Quando a questão impedir exames complementares, use os achados clínicos decisivos para definir tratamento empírico imediato.
  • Para DIP leve em paciente estável, procure a opção que cubra simultaneamente gonococo e clamídia.
  • Não deixe o aspecto do corrimento pesar mais do que sinais de acometimento do trato genital superior.

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