Assinale a alternativa correta quanto ao tratamento do diab...

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Ano: 2021 Banca: VUNESP Órgão: EsPCEx Prova: VUNESP - 2021 - EsFCEx - Médico - Geriátra |
Q1826901 Medicina
Considere o caso a seguir para responder à questão.
    MD, 70 anos, gênero feminino, procurou o ambulatório de Geriatria com uma queixa de esquecimento há 2/3 anos, que vem piorando paulatinamente: onde guarda objetos, fogão aceso, esquece fatos recentes, questiona quando a filha vai chegar da faculdade (ela já está formada há 10 anos). Paciente trabalha com vendas de roupas, mas está tendo mais prejuízo que lucro porque esquece para quem vendeu seus produtos. Foi aplicada a escala para as atividades instrumentais de Pfeffer: 12/30 (com dificuldade para administrar compromissos financeiros – 3 pontos, fazer uso de suas medicações – 3 pontos, sair de casa e encontrar o caminho de casa – 2 pontos, preparar sua refeição – 2 pontos, preparar o café e apagar o fogo – 2 pontos), Avaliação para as atividades básicas de Katz: 5/6 pontos (incontinência urinária), Geriatric Depression Scale: 6/15 pontos (deixou de realizar atividades de interesse, sente sua vida vazia, sente-se muito mal-humorada, sente-se sem esperança, sente-se infeliz, percebe mais problemas de memória do que antes), Mini-exame do estado mental: 20/30 pontos (perdeu 3 pontos em orientação temporal, 1 ponto em orientação espacial, 2 pontos na memória de evocação, 3 pontos em cálculo e 1 ponto em linguagem).
Assinale a alternativa correta quanto ao tratamento do diabetes mellitus da Sra. MD.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda o manejo do diabetes mellitus em idosos com declínio cognitivo, destacando o risco de hipoglicemia nesta população e a escolha adequada de insulinas, especialmente os análogos de longa ação.

Justificativa da alternativa correta (C):
Em idosos com demência, o controle do diabetes exige cautela devido à maior vulnerabilidade às hipoglicemias, já que muitos não percebem seus sintomas ou não conseguem comunicar o episódio. Análogos de insulina de longa ação (como glargina, degludeca ou detemir) apresentam menor risco de hipoglicemia em comparação com insulinas humanas NPH. Isso ocorre porque seu perfil farmacocinético permite liberação mais estável e previsível da insulina por até 24-42h, reduzindo variações glicêmicas e, assim, os episódios de hipoglicemia, especialmente à noite ou durante períodos de jejum.

Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024): “Em idosos com fragilidade, história prévia de hipoglicemia, ou declínio cognitivo, recomenda-se priorizar opções terapêuticas que minimizem o risco de hipoglicemia grave, como os análogos de insulina de ação prolongada.”

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. O controle rigoroso da glicemia não previne o declínio cognitivo em idosos; na verdade, pode aumentar o risco de hipoglicemias, situação indesejada em pacientes idosos e frágeis.

B) Errada. Idosos com déficit cognitivo raramente percebem ou reconhecem sintomas de hipoglicemia, justamente por sua limitação na percepção e comunicação.

D) Errada. Embora insulinas de curta ação realmente aumentem risco de hipoglicemia, o uso de análogos não é absolutamente contraindicado. O ponto principal é individualizar e evitar múltiplas aplicações em quem tem dificuldade de manejo.

E) Errada. Insulina humana NPH não é formalmente contraindicada nessas situações, mas precisa de atenção quanto a sua absorção variável – razão pela qual os análogos de longa ação são preferíveis.

Estratégia para prova: Atenção a termos como diminuem o risco e a identificação de situações clínicas onde a segurança do tratamento é prioritária. Pegadinha comum: considerar que idosos toleram estratégias terapêuticas iguais às de adultos jovens; isso incorre em erro!

Resumo: Os análogos de insulina de longa ação são a escolha mais segura para idosos com demência e diabetes, por reduzirem significativamente o risco de hipoglicemia, conforme diretrizes nacionais e evidências recentes.

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Comentários

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A questão aborda um caso clínico de uma paciente idosa com sinais claros de declínio cognitivo, possivelmente demência. A alternativa C é a correta, pois em idosos com demência, a utilização de análogos de insulina de longa ação é indicada para diminuir o risco de hipoglicemia. Isso deve-se ao fato de que esses medicamentos têm ação mais estendida e estável, o que permite um controle mais seguro dos níveis de glicemia. Essa abordagem é importante, pois pacientes com demência podem se esquecer de se alimentar adequadamente ou de tomar seus medicamentos, podendo levar a quadros de hipoglicemia. As demais alternativas são incorretas pois: o controle rigoroso da glicemia não necessariamente evita o declínio cognitivo (A); os sintomas de hipoglicemia podem não ser facilmente observados em pacientes com demência (B); análogos de insulina de curta ação não apresentam maior risco de hipoglicemia em demenciados (D); e a dieta irregular não contraindica o uso de insulina humana N (E), pois a administração desta deve ser ajustada de acordo com a alimentação do paciente.

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