A Sra. MD é diabética, faz uso de Gliclazida MR 180 mg/d e ...

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Ano: 2021 Banca: VUNESP Órgão: EsPCEx Prova: VUNESP - 2021 - EsFCEx - Médico - Geriátra |
Q1826900 Medicina
Considere o caso a seguir para responder à questão.
    MD, 70 anos, gênero feminino, procurou o ambulatório de Geriatria com uma queixa de esquecimento há 2/3 anos, que vem piorando paulatinamente: onde guarda objetos, fogão aceso, esquece fatos recentes, questiona quando a filha vai chegar da faculdade (ela já está formada há 10 anos). Paciente trabalha com vendas de roupas, mas está tendo mais prejuízo que lucro porque esquece para quem vendeu seus produtos. Foi aplicada a escala para as atividades instrumentais de Pfeffer: 12/30 (com dificuldade para administrar compromissos financeiros – 3 pontos, fazer uso de suas medicações – 3 pontos, sair de casa e encontrar o caminho de casa – 2 pontos, preparar sua refeição – 2 pontos, preparar o café e apagar o fogo – 2 pontos), Avaliação para as atividades básicas de Katz: 5/6 pontos (incontinência urinária), Geriatric Depression Scale: 6/15 pontos (deixou de realizar atividades de interesse, sente sua vida vazia, sente-se muito mal-humorada, sente-se sem esperança, sente-se infeliz, percebe mais problemas de memória do que antes), Mini-exame do estado mental: 20/30 pontos (perdeu 3 pontos em orientação temporal, 1 ponto em orientação espacial, 2 pontos na memória de evocação, 3 pontos em cálculo e 1 ponto em linguagem).
A Sra. MD é diabética, faz uso de Gliclazida MR 180 mg/d e Metformina 2 g/d. Seus exames de rotina mostram: glicemia de jejum: 303 mg%, Hb Glicada: 11,3%. Assinale a alternativa correta quanto à conduta a ser tomada.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda o manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em idosa com significativa piora cognitiva e critérios de demência, apresentando descompensação glicêmica grave (glicemia em jejum: 303 mg/dL, HbA1c: 11,3%) apesar de doses plenas de antidiabéticos orais.

Raciocínio clínico para a alternativa correta (B):

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde e a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD 2024), a insulina NPH deve ser introduzida em pacientes cujo controle glicêmico permanece inadequado mesmo com antidiabéticos orais nas doses máximas toleradas. Manter a paciente apenas em antidiabéticos orais representa risco considerável de complicações micro e macrovasculares, além de agravar a disfunção cognitiva.

Segundo o PCDT, p. 28: “A insulina NPH é uma opção para pacientes com DM2 que não atingiram metas glicêmicas com antidiabéticos orais”. Ao se optar pela insulina, suspende-se a sulfonilureia (como a Gliclazida) para evitar hipoglicemia, risco aumentado especialmente em idosos frágeis e com alterações cognitivas.

Análise das alternativas incorretas:

A: Diminuir a Gliclazida ou aumentar ainda a Metformina é ineficaz diante da falha terapêutica (já em dose máxima).
C: Aumentar doses dos orais aumenta risco de efeitos adversos e não resolve a refratariedade.
D: Manter Gliclazida e iniciar insulina pode induzir hipoglicemia, sobretudo em idosos com déficit cognitivo.
E: Dapagliflozina não é a escolha em casos de hiperglicemia grave; indica-se para etapas anteriores e existe risco de desidratação, infecções e não é preconizada pelo SUS como primeira opção.

Estratégia para provas: Atenção ao contexto clínico (idosos/demência) e às diretrizes nacionais. Ante grave descompensação, o início de insulina e suspensão das sulfonilureias quase sempre é caminho seguro. Pegadinhas frequentes aparecem sugerindo ajustes ineficazes de antidiabéticos orais ou inclusão de novos comprimidos sem resolver a hiper ou hipoglicemia.

Resumo: Em idosos diabéticos, refratários ao esquema oral em dose máxima e frente à demência progressiva, a conduta correta é suspender a sulfonilureia e iniciar insulina NPH à noite, conforme estabelecido pelo Ministério da Saúde e SBD.

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Comentários

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A questão descreve uma senhora idosa com sinais de demência progressiva e problemas de incontinência urinária. Além disso, ela é diabética e seus atuais medicamentos (Gliclazida MR 180 mg/d e Metformina 2 g/d) não estão mantendo seu nível de açúcar no sangue sob controle, como indicado pelos níveis de glicemia de jejum (303 mg%) e Hb Glicada (11,3%). A resposta correta é a alternativa B, que sugere suspender a Gliclazida (um medicamento antidiabético oral) e iniciar a insulina humana N 12 U às 22 horas. O motivo é que a Gliclazida não está mais mantendo o açúcar no sangue da paciente sob controle e a insulina pode ser mais eficaz neste momento. Devemos considerar que o uso de Gliclazida em idosos deve ser cuidadoso por conta do risco de hipoglicemia. Além disso, a metformina tem como efeito colateral a diminuição do apetite, o que pode ser prejudicial para um idoso com sinais de desnutrição ou baixo peso. A introdução de insulina permitirá um controle mais ajustado dos níveis de glicose.

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