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Ano: 2021 Banca: VUNESP Órgão: EsPCEx Prova: VUNESP - 2021 - EsFCEx - Médico - Geriátra |
Q1826877 Medicina
Considere o seguinte caso, para responder à questão.
    Sra. MSG, 91 anos, sexo feminino, branca, solteira. Tem antecedente de hipertensão arterial e tabagismo, sem outros antecedentes mórbidos. É internada com história de queda da própria altura e dor intensa na coxa direta com impossibilidade de deambulação. Foi constatada uma fratura transtrocantérica do fêmur direito. 
Em relação à avaliação funcional da Sra. MSG, ela obteve 6/6 pontos na escala de atividades básicas de Katz e 19/30 pontos na escala de Pfeffer para as atividades instrumentais. Ela administrava seus compromissos financeiros e fazia suas compras. Foi deixando de executar paulatinamente conforme envelhecia. Conseguia estar atualizada em relação aos eventos familiares, comemorações da vizinhança e atualidades. Não era capaz de sair de casa e achar o caminho de volta porque havia se mudado há pouco tempo para o local onde agora reside. Assinale a alternativa correta em relação à conclusão à qual chegamos ao fazer a avaliação funcional da Sra. MSG.
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Tema central da questão: Avaliação funcional do idoso, utilizando as Escalas de Katz (atividades básicas) e Pfeffer (atividades instrumentais da vida diária, AIVD).

Justificativa da alternativa correta (D): “Ela é independente para as atividades básicas e dependente para as atividades instrumentais da vida diária.”

Na avaliação da Sra. MSG, ela pontuou 6/6 na Escala de Katz, indicando independência total nas atividades básicas (banho, vestir-se, usar o banheiro, transferências, continência, alimentação). Segundo a literatura, “a pontuação máxima corresponde à autonomia total no autocuidado” (fonte: Manual do Ministério da Saúde, 2006).

Por outro lado, obteve 19/30 pontos no Índice de Pfeffer, o que traduz dependência significativa nas AIVD (administração das finanças, compras, preparo de refeições, locomoção na comunidade, etc.). Conforme as diretrizes clínicas, “escores elevados refletem prejuízo funcional importante nas atividades mais complexas” (Nunes DP et al., Rev Bras Geriatr Gerontol, 2010).

Análise das alternativas incorretas:

A) Não há dados suficientes para diagnóstico de síndrome demencial; uma pontuação 6/6 em Katz afasta estágios iniciais de dependência global, e o enunciado não traz alterações cognitivas marcantes.
B) Comprometimento cognitivo leve envolve geralmente alterações cognitivas discretas, não justifica pontuação tão alta no Pfeffer, sem evidências clínicas claras no caso.
C) A perda funcional relatada está associada à evolução do envelhecimento, não apenas a problemas físicos ou limitações pós-queda.
E) A descrição não apresenta sintomatologia afetiva compatível nem sugere abandono de atividades por humor deprimido.

Estratégia de prova: Atente sempre para a definição operacional das escalas utilizadas. A Escala de Katz foca nas ABVDs e a Escala de Pfeffer nas AIVDs. Observe as pontuações de corte para dependência/independência, sabendo que muitos idosos perdem primeiro autonomia nas AIVDs, mantendo o autocuidado básico.

Segundo o Manual de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (Ministério da Saúde, 2006, p. 37): “O Índice de Katz identifica graus de dependência nas ABVDs, enquanto a escala de Pfeffer avalia a autonomia em tarefas mais complexas, fundamentais para a vida independente.”

Resumo: O caso ilustra um padrão clássico do envelhecimento funcional — independência nas abvd, dependência nas aivd — e reforça a importância de dominar o uso clínico dessas escalas, frequentemente abordadas em concursos e na prática do geriatra.

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A alternativa correta é a D - Ela é independente para as atividades básicas e dependente para as atividades instrumentais da vida diária. A avaliação funcional da Sra. MSG foi feita através de duas escalas: a de Katz, que avalia as atividades básicas de vida diária (como vestir-se, alimentar-se, higienizar-se, etc), na qual ela obteve pontuação máxima, indicando independência para essas atividades; e a de Pfeffer, que avalia as atividades instrumentais de vida diária (como administrar compromissos financeiros, fazer compras, se atualizar sobre eventos, etc.), na qual ela obteve 19 de 30 pontos, indicando dependência para essas atividades. As atividades instrumentais são mais complexas e envolvem mais habilidades cognitivas do que as atividades básicas. O fato de ela ter deixado de realizar algumas dessas atividades com o tempo não sugere necessariamente uma síndrome demencial ou depressão, especialmente considerando que ela recentemente mudou-se para um novo local. Portanto, o mais adequado é concluir que ela é independente para as atividades básicas e dependente para as atividades instrumentais da vida diária.

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