Passadas doze semanas da terapia cirúrgica do paciente, seus...

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Q4192626 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Indivíduo adulto é submetido a tireoidectomia total com diagnóstico histopatológico de carcinoma papilífero subtipo clássico, dois focos, o maior com 2,6 cm no maior diâmetro e extensão microscópica para tecidos fibroadiposos adjacentes, mas margens radiais livres. Não foram descritas invasões angiolinfática ou perineural, mas foram identificados dois linfonodos aderidos à peça cirúrgica, com focos neoplásicos de 4 e 6 mm, com extensão extranodal focal.
Passadas doze semanas da terapia cirúrgica do paciente, seus níveis séricos de TSH foram aferidos em 0,8 mUI/L (referência laboratorial: 0,45 – 4,5); de tireoglobulina, em 6,8 mg/mL; e anticorpos antitireoglobulina indetectáveis, sob administração de levotiroxina.
Considerando que o paciente é portador de hipertensão arterial leve, controlada, assinale a alternativa que apresenta corretamente os próximos passos de sua condução oncológica.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso é de carcinoma papilífero de tireoide pós-tireoidectomia total com risco intermediário (extensão extratireoidiana microscópica e metástases linfonodais com extensão extranodal focal). A tireoglobulina detectável 12 semanas após a cirurgia, com anti-Tg negativos, não define reoperação nem exclui necessidade de adjuvância; na ausência de doença estrutural cervical residual demonstrada, a conduta indicada é reestadiamento cervical por imagem, preferencialmente ultrassonografia, seguido de consideração de radioiodoterapia adjuvante e, depois, pesquisa de corpo inteiro pós-dose para complementação do estadiamento.

Tema central: Risco intermediário pós-tireoidectomia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque trata o caso como se fosse de observação laboratorial com supressão de TSH e seguimento tardio, sem reestadiamento estrutural cervical e sem considerar radioiodo. Isso contraria o ponto central da questão: o paciente não é de baixo risco, pois tem extensão extratireoidiana microscópica e linfonodos metastáticos com extensão extranodal focal. Além disso, a base não sustenta que a avaliação válida da resposta terapêutica só possa ser feita após 12 meses.
B
Certa
A alternativa correta é a que orienta a condução a partir do ponto decisivo do caso: paciente de risco intermediário no pós-operatório inicial de carcinoma papilífero. A tireoglobulina detectável com anti-Tg negativos sugere remanescente tireoidiano e/ou doença persistente, mas não localiza a fonte nem define reoperação. Por isso, o passo tecnicamente adequado é pesquisar doença locorregional residual por imagem cervical, tendo a ultrassonografia como exame inicial de escolha; na ausência de doença estrutural cervical evidente e ressecável, a radioiodoterapia adjuvante deve ser considerada nesse perfil de risco, e a pesquisa de corpo inteiro pós-dose tem papel de reestadiamento sistêmico após a adjuvância.
C
Errada
Está errada porque transforma a tireoglobulina estimulada em passo obrigatório para definir a condução. Neste cenário, a decisão inicial depende da estratificação de risco e da avaliação estrutural cervical, não de estimular TSH para tornar a curva laboratorial 'mais fidedigna'. A Tg estimulada pode ter utilidade em contextos selecionados, mas não substitui a ultrassonografia cervical nem é requisito para indicar radioiodo adjuvante em paciente de risco intermediário.
D
Errada
Está errada por dois motivos objetivos. Primeiro, é falso que 12 semanas de pós-operatório representem perda do timing para radioiodoterapia adjuvante. Segundo, há erro farmacológico explícito: reduzir a dose de levotiroxina não aumenta a supressão de TSH; para maior supressão, seria necessário aumento, não redução. Além disso, a alternativa desloca a investigação para tomografias contrastadas como rotina, quando a imagem cervical inicial prioritária é a ultrassonografia.
E
Errada
Está errada porque indica reexploração cervical com esvaziamento central regrado com base em tireoglobulina detectável precoce, sem demonstração por imagem de doença estrutural residual no compartimento central. A base é explícita: Tg detectável 12 semanas após a cirurgia pode refletir remanescente tireoidiano e/ou doença persistente, mas isoladamente não define necessidade de reoperação. Reoperação cervical exige evidência estrutural/localizatória e não deve ser inferida apenas do marcador.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tireoglobulina detectável precoce e indicação automática de falha terapêutica com nova cirurgia. O dado laboratorial, isoladamente, não define reoperação; primeiro é preciso reconhecer o risco intermediário e fazer reavaliação estrutural cervical.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver extensão extratireoidiana microscópica e metástase linfonodal cervical patológica, pense em risco intermediário, não em seguimento de baixo risco.
  • No pós-operatório inicial, tireoglobulina detectável com anti-Tg negativos sugere remanescente e/ou doença persistente, mas não localiza a doença nem indica cirurgia por si só.
  • Em câncer diferenciado de tireoide, a imagem locorregional inicial de escolha no seguimento é a ultrassonografia cervical; imagem seccional fica para situações em que a US é inadequada ou insuficiente.
  • Ajuste de supressão de TSH pode fazer parte do manejo, mas não substitui reestadiamento estrutural nem a decisão sobre radioiodo em paciente de risco intermediário.

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