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Q4192620 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Homem de 62 anos, tabagista de 40 maços-ano, refere a ingesta diária de uma a duas doses de bebida destilada há quarenta anos. Queixa-se de disfonia progressiva há cinco meses, que evoluiu com odinofagia leve e perda de 5% de seu peso ponderal. À videofaringolaringoscopia, observa-se lesão infiltrativa envolvendo a prega vocal direita, extensão para a comissura anterior e comprometimento da prega vocal esquerda, cuja mobilidade encontra-se preservada. A mobilidade da aritenoide direita está acometida. A tomografia computadorizada de pescoço evidencia a presença de uma lesão transglótica, sem invasão do espaço pré-epiglótico, com extensão subglótica de 2 mm, sem invasão de cartilagens e sem evidências de acometimento linfonodal. Status performance: ECOG 1 e prova de função pulmonar preservada.
Com base no quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta quanto à indicação da laringectomia supracricóidea.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A laringectomia supracricóidea é indicada em tumores glóticos/transglóticos selecionados quando há extensão subglótica limitada, ausência de invasão cartilaginosa e preservação funcional de pelo menos uma unidade cricoaritenoidea; no caso, a lesão é transglótica, com apenas 2 mm de extensão subglótica, sem invasão de cartilagens, o que sustenta o gabarito D.

Tema central: Laringectomia supracricóidea
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma o acometimento da comissura anterior em contraindicação absoluta. Pela base, comissura anterior comprometida, isoladamente, não obriga laringectomia total quando não há invasão cartilaginosa e ainda existe possibilidade anatômico-funcional de cirurgia conservadora. O erro é confundir maior complexidade oncológica com contraindicação formal.
B
Errada
Está errada porque absolutiza um achado anatômico que não é o critério decisivo universal. A ausência de acometimento do espaço pré-epiglótico favorece a ressecabilidade no caso, mas a base afirma que isso não constitui exigência obrigatória isolada para indicar laringectomia supracricóidea. O ponto central é a preservação de ao menos uma unidade cricoaritenoidea funcional associada a limites anatômicos compatíveis.
C
Errada
Está errada porque acometimento unilateral da aritenoide direita não equivale a contraindicação do procedimento. A contraindicação funcional maior ocorre quando não há unidade cricoaritenoidea funcional remanescente. Como o caso sustenta preservação funcional contralateral, a alteração unilateral da aritenoide direita, por si só, não exclui a laringectomia supracricóidea.
D
Certa
A alternativa D expressa o critério real de seleção cirúrgica descrito na base: tumores glóticos/transglóticos selecionados podem ser tratados com laringectomia supracricóidea quando a extensão subglótica é limitada, não há invasão cartilaginosa impeditiva e permanece ao menos uma unidade cricoaritenoidea funcional. No enunciado, a tomografia mostra lesão transglótica com apenas 2 mm de extensão subglótica e sem invasão de cartilagens, e a preservação da mobilidade da prega vocal esquerda sustenta a manutenção funcional contralateral necessária para reconstrução e função laríngea pós-operatória.
E
Errada
Está errada porque usa fatores de risco e gravidade geral como se fossem contraindicação técnica específica. Carga tabágica elevada é fator etiológico/prognóstico, não impedimento cirúrgico isolado. Além disso, o enunciado informa ECOG 1 e função pulmonar preservada, dados que sustentam viabilidade funcional para cirurgia conservadora. Perda ponderal de 5% também não configura, por si só, contraindicação ao procedimento neste contexto.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de excluir indevidamente a laringectomia supracricóidea por achados isolados como comissura anterior acometida, tumor transglótico ou aritenoide unilateralmente comprometida, quando o critério decisivo é a preservação de ao menos uma unidade cricoaritenoidea funcional sem invasão anatômica impeditiva.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro procure se existe pelo menos uma unidade cricoaritenoidea funcional preservada; esse é o filtro funcional central.
  • Não trate tumor transglótico ou acometimento da comissura anterior como contraindicações automáticas; integre extensão tumoral, cartilagens e possibilidade de reconstrução funcional.
  • Extensão subglótica pequena e ausência de invasão cartilaginosa favorecem cirurgia conservadora em casos selecionados.
  • Separe fatores de risco oncológicos de contraindicações cirúrgicas específicas; ECOG e função pulmonar do enunciado pesam mais para operabilidade do que tabagismo isolado.

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