O laudo anatomopatológico da peça cirúrgica revelou um carc...

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Q4192618 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Mulher de 62 anos, tabagista, portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica grave, apresenta carcinoma epidermoide em mucosa de soalho de boca à direita com extensão para ventre lingual, acometimento de musculatura intrínseca da língua e músculo milo-hióideo. A lesão atinge a linha média e acomete pontualmente o rebordo gengival com uma pequena área de invasão cortical mandibular em topografia de incisivo lateral ipsilateral. Há múltiplos linfonodos cervicais suspeitos para acometimento secundário, ipsilaterais, com até 4 cm no maior diâmetro, sem evidências tomográficas de extensão extranodal. Após estadiamento sistêmico, sem evidências de doença metastática a distância, e sendo a neoplasia passível de ressecção cirúrgica, a paciente é encaminhada para tal.
O laudo anatomopatológico da peça cirúrgica revelou um carcinoma epidermoide moderadamente diferenciado, pT4a, presença de invasões da cortical óssea, angiolinfática e perineural, margens livres, maior profundidade neoplásica de 19 mm, 17 linfonodos acometidos entre 25 dissecados à direita e 5 linfonodos acometidos entre 18 dissecados à esquerda, sem evidências de extensão extranodal. Há infiltração de glândula sublingual pela neoplasia primária.
Qual é a etapa sequencial correta para a paciente?
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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é que, após ressecção de carcinoma epidermoide de cavidade oral com perfil patológico de altíssimo risco, a próxima etapa é tratamento adjuvante do leito primário e das cadeias cervicais de risco; neste caso, a banca adota a leitura de que a intensificação com terapia sistêmica concomitante é apropriada, embora a indicação clássica mais consensual de quimiorradioterapia seja margem positiva e/ou extensão extranodal, ausentes aqui. O início ideal da adjuvância deve ocorrer em até 6 semanas.

Tema central: Adjuvância no câncer oral
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única que corresponde à próxima etapa oncológica correta após a cirurgia: tratamento adjuvante do sítio primário e dos pescoços bilateralmente, porque a doença cruza a linha média e há acometimento linfonodal bilateral. O laudo mostra risco locorregional muito elevado por pT4a, invasão óssea cortical, invasão perineural, invasão angiolinfática, grande profundidade tumoral e múltiplos linfonodos positivos. Pela base adotada pela questão, esse conjunto sustenta radioquimioterapia concomitante como intensificação adjuvante, e o tempo ideal de início é em até 6 semanas, não devendo a sequência ser desviada para reoperação cervical ou exames complementares que não mudam a conduta imediata.
B
Errada
Está errada por dois motivos técnicos. Primeiro, propõe radioterapia isolada para um caso que a banca classifica como de altíssimo risco patológico, no qual a leitura do gabarito oficial favorece intensificação com terapia sistêmica concomitante. Segundo, fixa como ideal o início em até 8 semanas, quando a base aponta que o padrão cobrado é início ideal em até 6 semanas.
C
Errada
Está errada porque múltiplos linfonodos positivos no anatomopatológico de um pescoço já esvaziado não determinam reesvaziamento cervical de rotina como próxima etapa. Na ausência de doença residual macroscópica ressecável descrita, o complemento padrão é adjuvância locorregional com RT/CRT, não nova cirurgia empírica.
D
Errada
Está errada porque a ressonância para estudar possível disseminação pelo nervo alveolar inferior não é a etapa sequencial prioritária quando o laudo pós-operatório já define, por si só, necessidade de adjuvância. A invasão perineural aumenta risco e reforça indicação de tratamento adjuvante, mas não cria obrigatoriedade de RM antes de iniciar a próxima etapa.
E
Errada
Está errada porque PET-TC pós-operatório, apenas pelos achados de agressividade histológica, não é a próxima etapa padrão em paciente já estadiada sem metástase à distância e com indicação adjuvante claramente estabelecida. Pedir novo reestadiamento metabólico nesse momento não muda a sequência terapêutica imediata e pode atrasar a adjuvância necessária.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a indicação clássica mais robusta de quimiorradioterapia adjuvante por margem positiva/extensão extranodal e a leitura de que um conjunto muito desfavorável de fatores patológicos também sustenta intensificação; além disso, tenta induzir erro com a alternativa de radioterapia isolada em até 8 semanas, que parece plausível, mas não corresponde ao padrão ideal cobrado.
Dica para questões semelhantes
  • Depois de cirurgia curativa em carcinoma epidermoide de cavidade oral, primeiro decida se a próxima etapa é adjuvância locorregional ou investigação adicional; laudo com múltiplos fatores adversos aponta para adjuvância, não para observação.
  • Se o tumor cruza a linha média ou há doença nodal bilateral, o planejamento adjuvante deve incluir drenagens cervicais bilaterais.
  • Linfonodos positivos no esvaziamento cervical já realizado não significam automaticamente nova cirurgia; o complemento usual é RT ou CRT conforme o risco patológico.
  • Quando a questão cobrar tempo ideal de início da adjuvância em cabeça e pescoço, a referência prática da base é até 6 semanas.

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